São Jerônimo da Serra é um município brasileiro do estado do Paraná.
A história de São Jerônimo da Serra teve início em 1854, com a abertura de um caminho, a mando do Barão de Antonina, para facilitar o acesso ao Mato Grosso. O povoamento se desenvolveu a partir do aldeamento São Tomás de Papanduva e ganhou destaque após a construção de uma capela dedicada a São Jerônimo, em 1870, atraindo moradores e viajantes. Elevado à freguesia em 1882 e emancipado em 1920, o município passou por mudanças de nome e retomou definitivamente a denominação São Jerônimo da Serra em 1951, em homenagem ao seu santo padroeiro.
São Jerônimo da Serra destaca-se por sua geologia e relevo diversificado, situando-se na Bacia Sedimentar do Paraná, onde formações rochosas favoreceram o surgimento de inúmeras cavernas e cachoeiras, conhecidas no conjunto como Distrito Espeleológico do Tigre. O município possui grande variação de altitude, entre vales profundos e áreas de escarpa, além de solos diversificados que influenciam tanto as atividades agrícolas quanto as características ambientais da região.
A colonização do sertão da Serra do Caetê deu-se com abertura de uma picada, ordenada pelo Barão de Antonina e sob o comando do sertanista Joaquim Francisco Lopes, fazendo parte os missionários Capuchinhos frei Timóteo de Castelnuovo e frei Luiz de Cemitille, para que viesse a facilitar os deslocamentos para o Mato Grosso através das vias naturais dos rios Tibagi, Paranapanema, de Ivinhema e Brilhante. Esta picada foi aberta em 1854 e desenvolveu-se pelas fendas do Campo da Lagoa e foi até a margem direita do Rio Tibagi, no lugar denominado Jatai. A partir de então inicia-se a história propriamente dita de São Jerônimo da Serra.
Ainda na década de 1850, foi criado um aldeamento denominado São Tomás de Papanduva sob direção de Joaquim Francisco Lopes. Já em 1867, o povoamento era conhecido como São Jerônimo. O padroeiro, São Jerônimo, nasceu em Estridão entre 331 e 340. Aos 20 anos mudou-se para Roma, onde estudou com Élio Donato e teve formação influenciada por autores clássicos e filósofos gregos. Posteriormente, em Tréveris, dedicou-se aos estudos teológicos. Morreu em 30 de setembro de 420, em Belém.
Em 1870, o Frei Luiz de Cemitille fez construiu uma pequena capela dedicada a São Jerônimo na localidade. A partir da edificação religiosa, o então Aldeamento de São Jerônimo passou a ganhar notoriedade entre viajantes e sertanistas, atraindo moradores que se estabeleceram no local e contribuíram para a formação de um pequeno arraial. A situação privilegiada em que se encontrava o povoamento atraiu para si um grande contingente humano que imprimiu um ritmo de progresso ao futuro município.
Em 1882, a localidade foi elevada à categoria de freguesia no termo de Tibagi. Tornou-se município em 1920, por iniciativa do coronel Deolindo Corrêa de Mello, desmembrando-se de Tomazina. Por decreto estadual n.º 1076, de 13 de maio 1932, o município de São Jerônimo passou a denominar-se Jataí. Pelo Decreto-lei Estadual n.º 7.573, de 20 de outubro de 1938, é desmembrado do município de Tibagi o distrito de Caeté e anexado a São Jerônimo. Entre 1939 e 1943, o município de São Jerônimo era formado por cinco distritos: São Jerônimo, Caetê, Congonhinhas, Assaí e Jataí.
Em 1943, o município passou a chamar-se Araiporanga, sendo extinto em 1945 e incorporado a Congonhinhas. Dois anos depois, foi recriado, ainda com o nome de Araiporanga, retomando definitivamente a denominação São Jerônimo da Serra em 1951, em referência ao santo padroeiro escolhido na fundação da primeira capela. Pela Lei Estadual nº 5.534, de 20 de fevereiro de 1967, foi criado o distrito de Terra Nova, incorporado ao município de São Jerônimo da Serra. Posteriormente, a Lei Estadual nº 5.580, de 3 de julho de 1967, criou o distrito de São João do Pinhal, também anexado ao município. Em 1º de janeiro de 1979, a divisão territorial de São Jerônimo da Serra era composta pelos distritos de São Jerônimo da Serra, São João do Pinhal e Terra Nova.
São Jerônimo da Serra, município localizado no norte do Estado do Paraná, Brasil, encontra-se geologicamente inserido na porção central da Bacia Sedimentar do Paraná. Afloram na região os litotipos sedimentares das formações Rio do Rasto e Pirambóia/Botucatu e as vulcânicas da Formação Serra Geral. Tal peculiaridade propiciou o desenvolvimento de cavidades naturais esculpidas em arenito, uma vez que o contato das rochas sedimentares com as vulcânicas diaclasadas veio a favorecer a manifestação do fenômeno de pipping que deu origem inúmeras grutas características da região. Esse grupo de cavernas encontradas vem a ser conhecido como Distrito Espeleológico do Tigre, dado à grande ocorrência de grutas no vale do rio homônimo. Há pelo menos 56 grutas e 18 cachoeiras catalogadas.
Possui uma área é de 823,773 km² representando 0,2369 % do estado, 0,0838 % da região e 0,0056 % de todo o território brasileiro. Localiza-se a uma latitude 23°43'40" sul e a 43uma longitude 50°44'27" oeste, estando a uma altitude de 976 metros, entretanto, o município apresenta uma grande amplitude altimétrica, variando de 200 metros nos vales mais profundos, até 1170 metros na borda da escarpa, em uma uma área de transição de relevos, entre o Planalto de Ponta Grossa e o Planalto de Guarapuava.
São Jerônimo da Serra apresenta diversidade pedológica, com predominância de Argissolos, Latossolos, Nitossolos e Neossolos, formados a partir de diferentes condições de relevo, material de origem e composição mineral. Os solos variam quanto à profundidade, fertilidade e grau de desenvolvimento, incluindo classes distróficas e eutróficas, fatores que influenciam tanto o potencial agrícola quanto as fragilidades ambientais do município.
O município de São Jerônimo da Serra está inserido na bacia hidrográfica do rio Tibagi e apresenta grande diversidade de cachoeiras, corredeiras e quedas d’água, favorecidas pela geomorfologia regional e pela variedade de formações rochosas. Entre os principais cursos d’água do município estão os ribeirões Esperança, Passo Liso, dos Pilões, do Tigre e Santa Bárbara, além dos rios Tibagi, do Tigre e São Jerônimo.
De acordo com o Sistema de Classificação Climática de Köppen, amplamente utilizado por relacionar o clima à vegetação natural, o município de São Jerônimo da Serra apresenta significativa diversidade climática em razão de sua variação altimétrica, que influencia também elementos como solo, vegetação e hidrografia. Predomina o clima Cfa, caracterizado como temperado úmido com verão quente, especialmente nas porções noroeste, oeste e sudoeste do município. Em áreas centrais, incluindo a zona urbana, ocorre a transição Cfa/Cfb, marcada por verões moderadamente quentes a quentes, enquanto nas áreas ao norte identifica-se a transição Cfa/Af, associada a condições mais quentes e úmidas, com influência da Mata Atlântica. Já nas regiões sul, leste e sudeste predomina o clima Cfb, definido como temperado úmido com verão moderadamente quente.
A vegetação do município apresenta grande diversidade ambiental, influenciada pelas variações climáticas e pelo relevo do município. Nas áreas mais quentes e próximas ao rio Tibagi predomina a Floresta Estacional Semidecidual, enquanto no sul do território destaca-se a presença da Floresta com Araucárias. Já nas regiões centrais ocorrem formações campestres e áreas de pastagem natural, compondo um mosaico ambiental característico da região. Segundo Torezan, a região ainda apresenta fragmentos remanescentes de savana, conhecida regionalmente como cerrado, cuja ocorrência no estado do Paraná é restrita e considerada seriamente ameaçada.
Sua população estimada em 2005 era de 10.795 habitantes. Além disso, engloba duas áreas indígenas federais, que somam 1148 indígenas das etnias Guarani Ñandeva, Kaingang e Xetá.
Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M): 0,674
A economia de São Jerônimo da Serra possui forte base agropecuária, com 1.357 estabelecimentos rurais ocupando cerca de 58 mil hectares, segundo o Censo Agropecuário do IBGE. O município destaca-se pela diversidade da produção agrícola, incluindo culturas permanentes como café, banana, laranja, manga, uva e abacate, além de lavouras temporárias como soja, milho, feijão, trigo, mandioca e arroz, além da silvicultura. A atividade agropecuária também inclui a criação de animais, desempenhando papel central na economia local e no uso do solo do município.