São Carlos (pronúncia em português: [sɐ̃w̃ ˈcarlus]) é um município brasileiro localizado no interior do estado de São Paulo, na região Centro-Leste, e a uma distância rodoviária de 231 quilômetros da capital paulista. Sua população estimada pelo IBGE para 1.º de julho de 2022 era de 254.857 habitantes, distribuídos em uma área total de 1 136,907 km², correspondente a uma densidade populacional de 224.17 habitantes/km². A cidade é formada pela sede e pelos distritos de Água Vermelha, Bela Vista São-carlense, Santa Eudóxia e Vila Nery.
Em números populacionais é o 32.º município mais populoso do estado e o 114.º mais populoso do país. São Carlos é um polo regional, da Região Geográfica Intermediária com 26 municípios e na sua Região Geográfica Imediata com 9 municípios ao seu entorno. O estudo mais recente do IBGE sobre Regiões de Influência das Cidades - REGIC (2018), classificou a cidade como Capital Regional C, sediando o Arranjo Populacional de São Carlos e relacionando-a diretamente ao Arranjo Populacional de Campinas e de São Paulo.
A cidade é um importante centro regional industrial, com a economia fundamentada em atividades industriais, serviços e na agropecuária (neste setor, destaca-se a produção de laranja, leite e frango). Servida por sistemas rodoviário e ferroviário, São Carlos conta com uma unidade comercial da multinacional suíça Leica Geosystems e com unidades de produção de algumas empresas multinacionais, dentre as quais a Volkswagen, Faber-Castell (a subsidiária são-carlense é a maior do grupo em todo o mundo, produzindo 1,5 bilhão de lápis por ano), Electrolux, Tecumseh, Husqvarna, LATAM, Serasa Experian e Grupo Segurador BB-MAPFRE. Algumas unidades de produção de empresas nacionais, dentre as quais Toalhas São Carlos, Tapetes São Carlos, Papel São Carlos, Prominas Brasil, Latina, Engemasa, Apramed, Piccin, XMobots e Ambar Tech.
No campo de pesquisas, além das universidades, estão presentes no município dois centros de desenvolvimento técnico da Embrapa. Em 2006, São Carlos era a primeira cidade da América do Sul em números de doutores por habitante, de acordo com um levantamento feito pela UFSCar. Ao todo, eram 1,7 mil doutores em um município de 230 mil moradores, o que representava um doutor para cada 135 habitantes. No Brasil, a relação na época era de um doutor para cada 5423 habitantes. Um estudo realizado no início de 2019, concluiu que a cidade contava com mais de 2 530 doutores para uma população aproximada de 250 mil habitantes, ou seja, um doutor para cada 100 moradores, uma média quase dez vezes maior que a nacional. Os dois campi da Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e a FATEC, além de uma instituição de ensino superior particular, o Centro Universitário Central Paulista (UNICEP), tornam intensa a atividade universitária no município, que conta com uma população flutuante de mais de vinte e nove mil graduandos e pós-graduandos, boa parte atraída de outras cidades e estados.
A cidade possui diversas ruas e avenidas que homenageiam personalidades históricas e nomes importantes para a cidade e o Brasil. Algumas das principais ruas com nomes significativos incluem a Avenida Doutor Carlos Botelho – Homenagem a Carlos Botelho, importante médico e político brasileiro que foi uma figura relevante no desenvolvimento da cidade, e Rua Conde do Pinhal – Em referência ao Conde do Pinhal, Antônio Carlos de Arruda Botelho, um dos maiores produtores de café da região e uma figura central na história de São Carlos.
Originalmente, o território era habitado por indígenas, provavelmente guaianases, os quais foram exterminados ou expulsos e são possivelmente os responsáveis pela introdução de pinhais de araucária na região. Entretanto, existe também a hipótese de a espécie ser de ocorrência natural. O território seria ocupado no século XIX por posseiros, pequenos proprietários de terra, então chamados "caboclos". Dentre estes, talvez o mais ilustre tenha sido um certo Gregório que, por volta de 1831, residia à beira de um riacho que corta a cidade e herdou seu nome, o córrego do Gregório.
O atual município engloba terras das antigas sesmarias do Pinhal, do Monjolinho e do Quilombo. A sesmaria do Pinhal, ao sul do município, originou-se de uma doação de terras, em 1781, ao cirurgião-mor do Regimento de Voluntários Reais de São Paulo, o qual as vendeu em 1786 a Carlos Bartholomeu de Arruda. No entanto, a sesmaria só seria demarcada em 1831, a pedido de seu filho, Carlos José Botelho, pai do futuro Conde do Pinhal. Já as sesmarias do Monjolinho, ao noroeste, e do Quilombo, a leste, foram demarcadas em 1810 e 1812, respectivamente, a pedido de sucessores de Miguel Alberto de Vasconcelos e de Manuel Joaquim do Amaral Gurgel.
Com a ocupação das sesmarias por grandes fazendeiros, que utilizavam mão-de-obra escrava, os antigos posseiros, com poucas condições de legalizar suas terras, foram expulsos ou absorvidos às novas propriedades. Esses latifundiários, mais tarde, se autoidentificariam com o "espírito bandeirante", o que se reflete no lema da cidade, A bandeirantibus venio, idealizado pelo Visconde de Taunay. Apesar desta referência anacrônica ao bandeirantismo, a ocupação inicial da região por não indígenas foi feita, de fato, pelos posseiros acima referidos, e não por bandeirantes.
São Carlos foi fundada na segunda metade da década de 1850, por iniciativas de Antônio Carlos de Arruda Botelho (Conde do Pinhal) e Jesuíno José Soares de Arruda, localizada num caminho que levava às minas de ouro de Cuiabá e Goiás, saindo de Piracicaba. As povoações mais próximas neste caminho eram, à época, Rio Claro, na depressão periférica e, subindo as escarpas das encostas do planalto, Araraquara.
Embora iniciada em 1856, a construção da capela foi oficialmente autorizada pelo bispo de São Paulo apenas em 4 de fevereiro de 1857. No mesmo ano, em 6 de julho, foi criado o distrito de paz de São Carlos do Pinhal. Em 1858, a capela foi elevada a freguesia. Em março de 1865, desmembrando-se de Araraquara, a freguesia tornou-se vila (correspondente à atual divisão administrativa de município), com o nome de São Carlos do Pinhal. Em setembro do mesmo ano foi empossada a Câmara Municipal.
A data histórica atribuída a fundação é o dia 4 de novembro de 1857, dia de São Carlos Borromeu, padroeiro da cidade, ao qual foi dedicada uma capela que começou a ser erigida em 1856, solicitada por Jesuíno de Arruda, proprietário de terras na sesmaria do Pinhal. Inicialmente, sua construção foi planejada numa fazenda na sesmaria do Monjolinho porém, por rejeição de seu proprietário, João Alves de Oliveira, que temia que o povoado nascente distraísse seus escravos, a capela foi construída na sesmaria do Pinhal. São Carlos foi o santo escolhido por ser o nome predominante na família Botelho, desde suas origens em Portugal. Não há, entretanto, um consenso sobre a verdadeira data de fundação e o real fundador da cidade (Jesuíno de Arruda ou a família Botelho), pelo fato de o conceito de fundação variar de acordo com os vários critérios usados: erigir uma capela, doar um terreno para o patrimônio público, erigir as primeiras casas de telha, algum ato de desprendimento e benevolência dos poderosos da época, entre outros.
No contexto estadual, uma circunstância talvez singular a São Carlos foi o fato de a fundação da cidade, o início do plantio de café e o declínio do regime escravista brasileiro terem coincidido.
Em 1880, a vila foi elevada a cidade (à época, um título honorífico), e foi criada também a comarca de São Carlos, instalada em 1882. Sua denominação foi reduzida de "São Carlos do Pinhal" a "São Carlos" no ano de 1908. O município é conhecido também pelo nome de "Cidade do Clima", devido ao clima seco e ameno. Hoje é conhecida como a "Capital da Tecnologia" ou simplesmente "Sanca".
O atual território de São Carlos foi desmembrado sucessivamente dos municípios de São Paulo (1558–1625), Santana de Parnaíba (1625–1654), Nossa Senhora da Candelária de Itu (atual Itu, 1654–1822), Vila Nova da Constituição (atual Piracicaba, 1822–1833) e São Bento de Araraquara (atual Araraquara, 1833–1865). Ao longo do século XIX, as divisas do município passaram por diversas mudanças. Em 1948, foram estabelecidos três distritos: Água Vermelha, Ibaté e Santa Eudóxia. Em 30 de dezembro de 1953, Ibaté foi desmembrado do município.