Ruy Alexandre Guerra Coelho Pereira (Lourenço Marques, 22 de agosto de 1931) é um roteirista, ator, poeta, compositor, dramaturgo, produtor, diretor de cinema e professor luso-brasileiro, nascido em Moçambique, então território português, e radicado no Brasil desde 1958. Reconhecido como um dos mais aclamados e importantes diretores da história do cinema brasileiro, foi um dos fundadores do movimento cinematográfico brasileiro Cinema Novo, proeminente no Brasil durante os anos 1960 e 1970.
Começou sua carreira no meio cinematográfico durante os anos 50, atuando como assistente de direção, quando se instalou no Brasil e dirigiu seu primeiro longa-metragem, o drama Os Cafajestes, em 1962, indicado ao Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim. No mesmo festival, em 1964, lança seu filme mais aclamado, a coprodução entre Brasil e Argentina Os Fuzis, ganhador do Grand Prix do Júri na cerimônia, se tornando o primeiro filme brasileiro a receber tal honraria. Os Fuzis foi o início da chamada "trilogia Ruy Guerra", completada com os filmes A Queda (1978), também ganhador do Grand Prix do Júri, e A Fúria (2024).
Guerra também fez carreira nos palcos do teatro e como letrista de canções compostas em parceria com Chico Buarque, Milton Nascimento, Carlos Lyra, Edu Lobo, Francis Hime, Sergio Ricardo e Luiz Henrique.
Ruy Alexandre Guerra Coelho Pereira nasceu em 22 de agosto de 1931 em Lourenço Marques, atual Maputo, em Moçambique, colónia africana portuguesa às margens do Oceano Índico. Em sua adolescência, Guerra publica críticas cinematográficas, contos, crônicas, além de fazer filmes em 8mm. Em 1952, aos 20 anos, ingressou no Instituto de Altos Estudos Cinematográficos (IDHEC) em Paris, na França, onde formou-se em cinema.
Ainda na França, começou a atuar como assistente de câmera e direção. Em 1954, dirige seu primeiro filme, o curta-metragem Quand Le Soleil Dort. Desembarca no Brasil em julho de 1958, no Rio de Janeiro, onde montaria uma carreira cinematográfica de sucesso.
Ingressando nas fileiras do movimento cinematográfico brasileiro Cinema Novo, Guerra dirige seu primeiro filme em longa-metragem, o drama Os Cafajestes, lançado no Festival de Cinema de Berlim, na Alemanha, onde esteve na competição pelo prêmio de maior prestígio da cerimônia, o Urso de Ouro. Estrelado por Jece Valadão e Norma Bengell, foi o único "blockbuster" do movimento, tendo levado mais de um milhão de pessoas para as salas de cinema do Brasil. Recebido com resenhas positivas pela crítica especializada, história acompanha um mimado jovem rico que, após ver seu pai indo à falência, organiza um plano para reverter a situação.
Em 1964, realiza Os Fuzis, um retrato da tragédia brasileira, considerado um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos. Com esta obra, Guerra vence o Grand Prix do Júri no Festival de Berlim, sendo a primeira produção brasileira a conquistar tal feito. Guerra rapidamente tornou-se um dos principais diretores do movimento, ao qual se seguiram obras notáveis como Tendres chasseurs (1969) e Os Deuses e os Mortos (1970).
A situação política brasileira durante a ditadura militar impôs-lhe uma pausa que terminaria em 1978, quando dirigiu, ao lado de Nelson Xavier, o longa A Queda, continuação da trilogia não planejada começada por Os Fuzis, em 1964. O filme repete o feito de seu antecessor ao também receber o Grand Prix do Júri no Festival de Berlim. Em 1980 regressou a Moçambique, então já independente, onde rodou Mueda, Memória e Massacre, o primeiro longa-metragem desse país. Ainda em Moçambique, realizou diversos curtas e contribuiu para a criação do Instituto Nacional do Cinema. Viveu e trabalhou também em Cuba por alguns períodos.
Em 1982, rodou no México, Erêndira, baseado no conto A Incrível e Triste História da Cândida Erêndira e Sua Avó Desalmada (1972), de Gabriel García Márquez. Posteriormente dirigiu: o musical Ópera do Malandro (1985), baseado em peça de Chico Buarque; Kuarup (1989), baseado no livro Quarup, de Antônio Callado; e o telefilme Fábula de la bella palomera, também baseado em Gabriel García Márquez.
Seu primeiro casamento foi com a cantora Nara Leão, nos anos 60, com quem não teve filhos; o casal rapidamente separou-se. Mais tarde, viveu com a atriz Leila Diniz, com quem teve uma filha, Janaína Diniz Guerra, nascida em 1971. Alguns anos após a morte de Leila, casou-se com a atriz Cláudia Ohana, com quem teve uma filha, Dandara Guerra, em 1983, e de quem se divorciou.
Calabar: o Elogio da Traição (1973), com Chico Buarque de Holanda.
Guerra e seus filmes foram prestigiados em diversos festivais internacionais ao longo de sua grande carreira cinematográfica. Por suas produções, Ruy foi indicado a dois Grandes Otelo, um Prêmio Guarani, além de ter ganhado um Prêmio APCA, e prêmios no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e no Festival de Cinema de Gramado. Foi indicado quatro vezes ao Urso de Ouro, no Festival de Cinema de Berlim, na Alemanha, tendo recebido duas vezes o Grand Prix do Júri. No Festival de Cinema de Cannes, na França, recebeu três indicações a Palma de Ouro.
Em 23 de abril de 1987, o cineasta foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Mérito, de Portugal.