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Ruperto do Reno

Ruperto do Reno (Praga, 27 de dezembro; 17 de dezembro no calendário juliano de 1619 — 9 de dezembro; 29 de novembro no

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Ruperto do Reno (Praga, 27 de dezembro; 17 de dezembro no calendário juliano de 1619 — 9 de dezembro; 29 de novembro no calendário juliano de 1682), Duque de Cumberland e Conde de Holderness, foi um nobre e militar alemão. Tornou-se conhecido inicialmente como comandante da cavalaria realista durante a Guerra Civil Inglesa. Ruperto foi o terceiro filho de Frederico V, eleitor palatino do Reno, e de sua esposa Isabel da Inglaterra, filha do rei Jaime VI da Escócia e I da Inglaterra.

Ruperto teve uma carreira diversificada. Lutou como jovem soldado ao lado das forças holandesas contra a Espanha dos Habsburgos durante a Guerra dos Oitenta Anos (1568–1648) e contra o Sacro Império Romano-Germânico na Alemanha durante a Guerra dos Trinta Anos (1618–1648). Aos 23 anos, foi nomeado comandante da cavalaria realista durante a Guerra Civil Inglesa, tornando-se o arquétipo do "Cavaleiro" do conflito e, finalmente, o principal general realista. Rendeu-se após a queda de Bristol e foi banido da Inglaterra. Serviu sob o rei Luís XIV da França contra a Espanha, e posteriormente como corsário realista no Mar do Caribe. Após a Restauração, retornou à Inglaterra, tornando-se um importante comandante naval inglês durante a Segunda Guerra Anglo-Holandesa e a Terceira Guerra Anglo-Holandesa, além de atuar como o primeiro governador da Companhia da Baía de Hudson. Faleceu na Inglaterra em 1682, aos 62 anos.

Ruperto é considerado um general de cavalaria rápido e enérgico, embora tenha sido prejudicado pela impaciência juvenil ao lidar com seus pares durante a Guerra Civil. No interregno inglês, continuou o conflito contra o Parlamento por via marítima, do Mediterrâneo ao Caribe, demonstrando grande persistência diante das adversidades. Como chefe da Marinha Real Britânica em seus últimos anos, mostrou maior maturidade e realizou contribuições duradouras para a doutrina e o desenvolvimento naval inglês. Como governador colonial, Ruperto influenciou a geografia política do atual Canadá: a posse inglesa conhecida como Terra de Ruperto foi criada para ele administrar, sendo seu primeiro governador e um dos fundadores da Companhia da Baía de Hudson. Seus variados interesses científicos e administrativos, combinados com suas habilidades artísticas, fizeram dele uma das figuras públicas mais interessantes da Inglaterra durante o período da Restauração dos Stuart.

O pai de Ruperto era Frederico V do Palatinado, pertencente ao ramo Palatinado-Simmern da Casa de Wittelsbach. Na qualidade de Eleitor Palatino, Frederico era um dos príncipes mais importantes do Sacro Império Romano-Germânico. Ele também liderava a União Protestante, uma coalizão de Estados protestantes germânicos. O Palatinado era um Estado próspero, e Frederico vivia com grande luxo.

A mãe de Frederico, a condessa Luísa Juliana de Orange-Nassau, era filha do Guilherme, o Taciturno e meia-irmã de Maurício de Orange-Nassau, que, como príncipes de Orange, eram os líderes da República Neerlandesa.

A mãe de Ruperto era Isabel de Inglaterra, filha do rei Jaime VI da Escócia e I de Inglaterra. Assim, Ruperto era sobrinho do rei Carlos I de Inglaterra, e primo de primeiro grau do rei Carlos II de Inglaterra, que o nomeou Duque de Cumberland e Conde de Holderness. Sua irmã, a Eleitora de Hanôver, foi mãe de Jorge I da Grã-Bretanha.

Ruperto recebeu esse nome em homenagem a Roberto, rei da Germânia, um célebre ancestral da Casa de Wittelsbach.

Ruperto nasceu em Praga, na Boêmia, em 1619, e foi declarado príncipe pelo principado da Lusácia. Seu pai havia acabado de ser eleito rei pelos Estados protestantes da Boêmia, o que foi interpretado como um ato de rebelião pela católica Casa de Habsburgo, que detinha o trono da Boêmia desde 1526. Esse episódio desencadeou a Guerra dos Trinta Anos. Frederico não recebeu apoio da União Protestante e, em 1620, foi derrotado pelo Sacro Imperador Fernando II na Batalha da Montanha Branca. Como resultado, os pais de Ruperto passaram a ser ironicamente chamados de "Rei e Rainha de Inverno". Ruperto quase foi deixado para trás na pressa da corte em fugir do avanço das tropas de Fernando sobre Praga, mas foi salvo no último momento por um cortesão, Kryštof z Donína (Christopher Dhona), que o lançou dentro de uma carruagem.

Ruperto acompanhou seus pais até Haia, onde passou os primeiros anos de sua infância na Hof te Wassenaer (Corte de Wassenaer). Sua mãe, segundo relatos da época, dedicava pouca atenção aos filhos, demonstrando preferência por seus macacos e cães de estimação. No lugar da atenção materna, Frederico contratou um casal francês, Monsieur e Madame de Plessen, para atuarem como preceptores das crianças. Elas foram educadas com uma visão positiva tanto dos boêmios quanto dos ingleses, além de serem criadas sob rigorosa doutrina calvinista. O cotidiano escolar era bastante disciplinado, com aulas de lógica, matemática, escrita, desenho, canto e instrumentos musicais.

Na infância, Ruperto era por vezes malcomportado, descrito como "impulsivo, travesso e apaixonado", e ganhou o apelido de Robert le Diable, ou "Ruperto, o Diabo". Apesar disso, demonstrou-se um aluno talentoso. Aos três anos de idade, já falava um pouco de inglês, tcheco e francês, e aprendeu alemão com facilidade; no entanto, nunca demonstrou grande interesse por latim e grego. Destacava-se nas artes, tendo sido aluno de Gerard van Honthorst, e demonstrava aptidão natural para matemática e ciências. Aos 18 anos, Ruperto já media cerca de 1,93 m (6 pés e 4 polegadas).

Durante o período em Haia, a família de Ruperto continuou tentando recuperar o Palatinado. Enfrentavam dificuldades financeiras, dependendo de uma pensão modesta fornecida por Haia, dos lucros de investimentos familiares em ataques navais holandeses contra navios espanhóis e da receita obtida com a penhora de joias da família. Frederico empenhou-se em formar uma aliança com nações como Inglaterra, França e Suécia, visando reconquistar o Palatinado e a Boêmia. No início da década de 1630, estabeleceu uma relação próxima com o rei Gustavo Adolfo da Suécia, então o principal líder protestante na Alemanha. No entanto, em 1632, os dois romperam relações após Gustavo Adolfo exigir que Frederico concedesse direitos iguais a seus súditos luteranos e calvinistas, caso recuperasse suas terras. Frederico recusou-se a aceitar e retornou a Haia, mas morreu de febre durante a viagem, sendo enterrado em uma sepultura sem identificação.

Ruperto perdeu o pai aos 13 anos de idade, e a morte de Gustavo Adolfo na Batalha de Lützen, ocorrida no mesmo mês, privou a família de um importante aliado protestante. Com a morte de Frederico, o rei Carlos I de Inglaterra sugeriu que a família se mudasse para o território inglês. A mãe de Ruperto recusou, mas solicitou que Carlos oferecesse sua proteção aos filhos que haviam restado.

Ruperto passou o início da adolescência entre as cortes de Haia e a de seu tio, o rei Carlos I, antes de ser capturado e aprisionado em Linz durante as fases intermediárias da Guerra dos Trinta Anos. Ruperto tornou-se soldado muito jovem; aos 14 anos, participou do pas d'armes holandês ao lado do príncipe protestante Frederico Henrique, Príncipe de Orange. Mais tarde naquele mesmo ano, lutou ao lado dele e do Duque de Brunsvique no cerco anglo-germânico de Rheinberg. Já em 1635, Ruperto atuava como guarda pessoal do príncipe Frederico. Em 1637, Ruperto combateu com sucesso contra a Espanha imperial na campanha ao redor de Breda, durante a Guerra dos Oitenta Anos nos Países Baixos. Ao fim desse período, Ruperto já havia conquistado reputação por sua coragem em combate, seu entusiasmo e diligência notáveis.

Entre essas campanhas, Ruperto visitou a corte de seu tio na Inglaterra. A causa do Palatinado era uma questão protestante popular no país e, em 1637, uma subscrição pública financiou uma expedição liderada por Carlos Luís com o objetivo de recuperar o eleitorado como parte de uma campanha conjunta com a França. Ruperto foi nomeado comandante de um regimento de cavalaria do Palatinado, e seu futuro amigo, lorde Craven, admirador de sua mãe, auxiliou na arrecadação de fundos e acompanhou o exército na campanha. No entanto, a campanha teve um desfecho desastroso na Batalha de Vlotho (17 de outubro de 1638), durante a invasão da Vestfália. Ruperto escapou com vida, mas foi capturado pelas forças do general imperial Melchior von Hatzfeldt, já nos momentos finais da batalha.

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