Rui Manuel Sousa Valério, S.M.M. (Urqueira, Ourém, 24 de Dezembro de 1964) é um prelado católico português, sendo presentemente Patriarca de Lisboa com o título de Dom Rui I.
Pertencente aos Missionários Monfortinos, serviu na Armada Portuguesa, onde foi Capelão. De 2018 a 2023 foi Bispo das Forças Armadas e de Segurança. Ao serviço das Forças Armadas alcançou o posto de Major-General, recebendo diversas medalhas militares. Foi nomeado Patriarca de Lisboa pelo Papa Francisco no dia 10 de Agosto de 2023. Tomou posse canónica do Patriarcado no dia 2 de Setembro de 2023, na Sé Patriarcal de Lisboa perante o Cabido. A entrada solene ocorreu no dia seguinte, no Mosteiro dos Jerónimos, na presença do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa e de diversas autoridades civis e religiosas.
Em 2025, num artigo de opinião publicado no Observador, assumiu uma posição política inspirada na doutrina da Igreja Católica, defendendo uma política imigracionista assente no acolhimento e na integração de imigrantes. No mesmo artigo, posicionou-se também a favor do reagrupamento familiar no contexto das políticas de imigração.
Após concluir a Escola Primária, ingressou em 1976 no Seminário Monfortino, onde realizou os estudos liceais no Centro de Estudos de Fátima, permanecendo ali até à conclusão do Ensino Secundário. Em 1984, foi enviado para o Noviciado em Santeramo in Colle, na região de Bari, Itália, dando início formal à sua formação religiosa.
No ano seguinte, prosseguiu para Roma a fim de cursar Filosofia na Pontifícia Universidade Lateranense, onde obteve o Bacharelato. Concluída essa etapa, iniciou a formação teológica na Pontifícia Universidade Gregoriana, terminando-a com a Licenciatura em Teologia Dogmática.
Entre 1995 e 1996, aprofundou a sua formação em Lovaina, Bélgica, onde frequentou, no Centre International Montfortain (CIM), uma pós-graduação em Espiritualidade Missionária. De regresso a Portugal em 1996, voltou a dedicar-se à investigação académica, matriculando-se no Doutoramento em Teologia na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, com um trabalho intitulado "Cristologia Sapiencial e Sabedoria Cristológica em S. Luís de Montfort", projeto que, contudo, não pôde concluir devido às exigências do ministério pastoral.
Emitiu a profissão religiosa na Companhia de Maria (Monfortinos) em 6 de Outubro de 1990 e foi ordenado sacerdote a 23 de Março de 1991. Assim, foi colaborador na paróquia de Castelverde di Lunghezza em Roma, até 1992, quando passou a ser o capelão militar no Hospital da Marinha em Lisboa até 1993. Na sequência, foi vigário paroquial nas freguesias do Concelho de Castro Verde, na Diocese de Beja (1993-1995), vigário paroquial na Póvoa de Santo Adrião e formador de Postulantes de sua Ordem em Lisboa entre 2007 e 2011, capelão da Escola Naval entre 2008 e 2011, pároco da Póvoa de Santo Adrião em Lisboa (2011), vigário forâneo do Vicariato de Loures-Odivelas em Lisboa (2014), além de nomeado pelo Papa Francisco como "Missionário da Misericórdia" em 2016.
Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal
Em 27 de Outubro de 2018, o Papa Francisco nomeou D. Rui Valério como Ordinário Castrense de Portugal. A ordenação episcopal teve lugar no dia 25 de Novembro do mesmo ano, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, conjuntamente com a ordenação de Dom Daniel Batalha Henriques, nomeado pelo Papa como Bispo auxiliar para o Patriarcado de Lisboa, pelo Cardeal-Patriarca Dom Manuel Clemente, coadjuvado por Dom Manuel da Silva Rodrigues Linda, bispo do Porto e por Dom José Augusto Traquina Maria, bispo de Santarém.
Ao longo do seu ministério, acompanhou por diversas vezes as missões internacionais das Forças Armadas e de Segurança Portuguesas, deslocando-se a vários teatros operacionais onde se encontravam destacados contingentes nacionais, nomeadamente em São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, República Centro-Africana, Roménia e Lituânia. O contato próximo com estas missões permitiu-lhe testemunhar de perto o trabalho humanitário, diplomático e de manutenção da paz realizado pelos militares e forças de segurança portuguesas além-fronteiras.
A 3 de dezembro de 2021, foi agraciado pelo Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas com a Medalha da Cruz de São Jorge, de 1.ª Classe, uma das mais elevadas distinções militares, atribuída em reconhecimento do seu serviço, dedicação e proximidade à instituição militar. Antes disso, a 26 de junho de 2020, já havia sido distinguido com a mais alta condecoração da Guarda Nacional Republicana — a Medalha de D. Nuno Álvares Pereira, de 1.ª Classe — sinal do apreço e da forte relação construída com aquela força de segurança.
D. Rui Valério exerce ainda funções no âmbito da Conferência Episcopal Portuguesa, onde é delegado para as relações entre os bispos e a vida consagrada, além de integrar a Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização, contribuindo de forma ativa para a reflexão e ação pastoral da Igreja em Portugal.
A 10 de Agosto de 2023 D. Rui Valério foi nomeado pelo Papa Francisco como Patriarca de Lisboa, o mais alto cargo da hierarquia da Igreja Católica em Portugal. A tomada de posse como 18º Patriarca de Lisboa ocorreu a 2 de Setembro, pelas 11h00, na Sé Patriarcal, assumindo o título de Dom Rui I. Conforme a tradição a entrada solene teve lugar no dia seguinte, Domingo, às 16h00, no Mosteiro dos Jerónimos. A Diocese das Forças Armadas e de Segurança ficou então em Sede Vacante, no entanto, D. Rui Valério foi também nomeado administrador apostólico da Diocese das Forças Armadas e das Forças de Segurança até à tomada de posse do seu sucessor.
Foi solenemente investido como Cavaleiro da Ordem do Santo Sepulcro de Jerusalém na manhã de sábado, 16 de novembro de 2024. A celebração, revestida de significativa dignidade litúrgica e simbólica, teve lugar no histórico Mosteiro de Alcobaça e foi presidida pelo Grão-Mestre da Ordem, o Cardeal D. Fernando Filoni.
Conforme privilégio concedido ao Patriarcado de Lisboa por Clemente XII em 1737, pela Bula Inter praecipuas apostolici ministerii, D. Rui Valério deverá ser elevado a Cardeal no Consistório seguinte à perda da condição de Cardeal Eleitor por parte do seu antecessor, D. Manuel Clemente, ou no consistório seguinte à morte do seu antecessor, conforme aconteceu anteriormente com a morte do cardeal patriarca D. José Policarpo, em que D. Manuel Clemente foi elevado a cardeal patriarca no consistório seguinte à morte de seu antecessor.
Foi o principal sagrante dos seguintes bispos:
Nuno Isidro Nunes Cordeiro (2024)
Alexandre Coutinho Lopes de Brito Palma (2024)