Rui Miguel Marcelino Tavares Pereira (Lisboa, 29 de julho de 1972) é um historiador, escritor, tradutor e político português. Atualmente desempenha funções de deputado à Assembleia da República, além de coliderar o partido Livre, que fundou em 2014 juntamente com outras personalidades políticas.
Apesar de natural de Lisboa, passou parte da sua infância numa aldeia do Ribatejo. Licenciou-se em História, variante de História da Arte, pela Universidade Nova de Lisboa em 1994, e doutorou-se em História, pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris em 2014.
Aprofundou os seus estudos em História e Cultura do século XVIII.
Colaborou com o jornal Público, sendo que, à data de março de 2024, a sua última crónica no jornal datava de julho de 2023. Também colaborou com a extinta revista Blitz e foi comentador residente no programa O Outro Lado, da RTP3.
Foi um dos criadores do blogue Barnabé em conjunto com Daniel Oliveira, André Belo, Celso Martins e Pedro Aires Oliveira. Escreve também no blogue pessoal ruitavares.net.
Foi eleito em 2009 deputado ao Parlamento Europeu, como independente integrado na lista do Bloco de Esquerda. Enquanto deputado ao Parlamento Europeu, esteve integrado no grupo parlamentar da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde.
Em 2011, abandonou a delegação do Bloco de Esquerda ao Parlamento Europeu, acusando Francisco Louçã de promover uma “caça ao independente” e de ser incapaz de lidar com opiniões contrárias.
Em junho de 2013, foi mandatado pelo Parlamento Europeu para apresentar um relatório sobre as preocupações constitucionais húngaras. O Relatório Tavares instou as autoridades húngaras a implementar o mais rapidamente possível todas as medidas que a Comissão Europeia, como guardiã dos tratados, julgar necessárias para cumprir plenamente a legislação da União Europeia; cumprir as decisões do Tribunal Constitucional Húngaro; e as recomendações da Comissão de Veneza, do Conselho da Europa e de outros organismos internacionais.
É um dos fundadores do partido político Livre. Em 2019, promoveu a política pan-africanista Joacine Katar Moreira a cabeça de lista do Livre nas eleições legislativas, tendo esta sido eleita deputada pelo círculo de Lisboa, tornando-se a primeira mulher negra a liderar uma lista de um partido português ao Parlamento. Ainda no decurso da legislatura, foi-lhe retirada a confiança política pelo partido, com base em alegada quebra de diálogo e afastamento dos compromissos com a estrutura partidária. Seguiu-se uma troca de acusações públicas, tendo Joacine Katar Moreira acusado o partido de hipocrisia e de albergar práticas de racismo estrutural.
Segundo um estudo realizado pela empresa de consultoria de comunicação Imago-Llorente & Cuenca, em parceria com a Universidade Católica Portuguesa, divulgado em março de 2015, Rui Tavares era o político mais influente da rede social Twitter, em Portugal.
Nas eleições primárias do Livre, em 2021, Rui Tavares ganhou a nomeação para candidato à presidência da Câmara Municipal de Lisboa. No entanto, o Livre assinou um acordo de coligação com o Partido Socialista para concorrer às eleições autárquicas de 2021 em Lisboa, pelo que Rui Tavares abdicou da candidatura à presidência da Câmara para ser candidato à vereação, para assumir, em caso de vitória da coligação PS/Livre, o pelouro da Cultura, Conhecimento, Ciência e Direitos Humanos.
No âmbito da área dos Direitos Humanos, e confrontado com a polémica partilha, ocorrida na Câmara Municipal de Lisboa, em 2021, de dados de ativistas da oposição russa contra o presidente Vladimir Putin com a embaixada da Rússia em Lisboa, Rui Tavares considerou que Fernando Medina "reconheceu o problema imediatamente e o chamou de intolerável" e que seria um "absurdo" considerar que haveria conluio da Câmara Municipal relativamente à partilha de dados com embaixadas de Estados estrangeiros, pelo que defendeu que o importante seria "implementar uma cultura de direitos humanos em todos os níveis da administração". Foi eleito vereador sem pelouro da Câmara Municipal de Lisboa, pela coligação Mais Lisboa (PS.L), em representação do Livre, para o mandato 2021–2025.
Nas eleições legislativas de 2022, foi eleito deputado único do Livre na XV Legislatura, pelo círculo eleitoral de Lisboa, feito que repetiu em 2024, para a XVI Legislatura, nas quais o Livre obteve já cinco deputados, formando um grupo parlamentar.
Publicou nas Edições Tinta da China:
O Pequeno Livro do Grande Terramoto (2005, ensaio)
Pobre e Mal Agradecido: A Educação Patalógica de Rui Tavares (2006)
O Regicídio (2008, com Maria Alice Samara)
O Fiasco do Milénio (2009, crónicas)