Rubens Gonçalves "Rubinho" Barrichello (São Paulo, 23 de maio de 1972) é um automobilista e apresentador brasileiro. Até 2020, foi o que por mais tempo disputou o mundial de Fórmula 1 de maneira ininterrupta, entre os anos de 1993 e 2011, tendo se tornado também um dos pilotos mais experientes da história da categoria. Também foi presidente da Grand Prix Drivers' Association (GPDA), a associação que representa os interesses dos pilotos de Fórmula 1. Desde 2014, Rubens Barrichello também é um dos apresentadores do programa Acelerados, em seu formato de internet (pelo Youtube) e na televisão, atualmente no ar pela Band.
Barrichello iniciou sua carreira na Fórmula 1 em 1993 sendo contratado pela equipe Jordan até 1996. Em 1997 se muda para equipe Stewart, onde permanece até o ano de 1999. Em 2000 é contratado pela Ferrari e fica na equipe até 2005, como companheiro de equipe de Michael Schumacher, desfrutando de um grande sucesso, sagrando-se vice-campeão em 2002 e 2004. A primeira aposentadoria de Schumacher no final de 2006 fez de Barrichello o piloto mais experiente do grid e, no Grande Prêmio da Turquia de 2008, quando atingiu a marca de 257 largadas, tornou-se o piloto com maior número de corridas disputadas na Fórmula 1. Em 2010, no Grande Prêmio da Bélgica de 2010, atingiu a marca de 300 GPs disputados. Barrichello conquistou a centésima vitória brasileira na Fórmula 1, no Grande Prêmio da Europa de 2009.
Após competir pela Brawn na temporada de 2009, foi confirmado para 2010 na equipe Williams, e teve seu contrato renovado para o campeonato seguinte. Em 2011, Rubens disputou sua 19.ª temporada, tornando-se o piloto com maior número de temporadas ininterruptas disputadas. Em 2012, após ser substituído na Williams por Bruno Senna, Barrichello não encontrou oportunidade em outra equipe e, por essa razão, não disputou o campeonato. Com isso, correu na Fórmula Indy em 2012, e no fim do mesmo ano disputou três etapas na Stock Car Brasil.
Em 2014, Rubinho tinha um acerto para realizar corridas de despedida da F1 pela Caterham, inclusive o GP Brasil. Em 2014 também sagrou-se campeão da Stock Car Brasil, em seu segundo ano completo na categoria. Barrichello conquistou o bicampeonato da Stock Car em 2022, se tornando o campeão mais velho da categoria, aos 50 anos. Em 2015, sagrou-se campeão Sul-Americano de Kart Rotax e quarto colocado no Mundial dessa categoria, correndo ao lado dos mais jovens no mesmo nível de competitividade. Em abril de 2024, Rubens Barrichello se juntou à SOFTSWISS, uma empresa internacional de software para iGaming, como Diretor Não Executivo na América Latina, para potenciar sua experiência esportiva e apoiar o crescimento da empresa na região.
Rubinho conquistou cinco títulos brasileiros de kart, sendo considerado imbatível na época, vencendo inclusive as dificuldades financeiras para competir. Fez um ano de F-Ford no Brasil (1989), tendo vencido a primeira etapa em Florianópolis, circuito de rua e com pista molhada. No ano seguinte, foi competir na Europa. Foi campeão da Fórmula Opel em seu ano de estreia, 1990, com seis vitórias, sete pole positions e sete voltas mais rápidas. No ano seguinte foi campeão da Fórmula 3 inglesa, pela equipe West Surrey Racing, derrotando David Coulthard. Aos dezenove anos foi então para a Fórmula 3000 na qual terminou em terceiro lugar na classificação geral.
Em entrevista a Rafinha Bastos, em maio de 2021, Rubinho falou sobre o início da carreira: "Eu tinha 16 anos de idade. Meu pai ofereceu meu contrato para Arisco (marca Brasileira de produtos alimentícios). Funcionava assim: vocês pagam o processo dele até a Fórmula 1. Bancam, patrocinam por completo. Chegando lá na Fórmula 1, vocês viram 25% sócios de tudo que entrar", contou.
Em 1993 iniciou sua carreira na Fórmula 1 pela Jordan. Neste ano, ele vence o evento Formula One Indoor Trophy. Em 1994 conquista seu primeiro pódio no GP do Pacífico em Aida e a sua primeira pole position, no GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps. No mesmo ano conquistou a sexta colocação do campeonato à frente de uma Williams (David Coulthard/Nigel Mansell), uma Benetton (Jos Verstappen/JJ Lehto) e uma McLaren (Martin Brundle), alguns dos melhores carros da época, (lembrando que na Benetton e na Williams, houve revezamento no 2º carro da equipe. Assim nenhum piloto fez mais que dez corridas na vaga de segundo piloto dessas equipes.) Em 1995 conquistou seu melhor resultado até então, segundo lugar no GP do Canadá no Circuito Gilles Villeneuve.
Em 1997, após uma difícil negociação com a Benetton, onde quase cogitou ir para a Fórmula Indy, Jackie Stewart, que acabara de fundar sua equipe - a Stewart -, chama Barrichello para ser o primeiro piloto e ajudar no desenvolvimento do carro. Logo de cara consegue alguns feitos, como um 5º lugar no grid do Grande Prêmio da Argentina, um 3º lugar no grid do Grande Prêmio do Canadá, um segundo lugar em Mônaco, além de algumas grandes corridas como na Áustria. Em 1998, um carro mal construído acabou lhe rendendo muita dor de cabeça e apenas um 5º lugar no Canadá como melhor resultado. Já no ano seguinte (1999), a história foi outra, com um carro excelente e um grande motor foram três terceiros lugares, em Ímola, Magny-Cours e Nürburgring (1999). Uma pole position no GP da França (a segunda da sua carreira) e 23 voltas na liderança do Interlagos, quando abandonou com o motor estourado. Logo em seguida, recebeu proposta da McLaren, a qual ganhou mais espaço no meio automobilístico mas não durou muito tempo, pois aceitou a proposta milionária da concorrente.
Em 2000, é contratado para correr pela Ferrari. Lá foi duas vezes vice-campeão mundial e venceu nove Grandes Prêmios, entre os quais o primeiro de sua carreira, o GP da Alemanha de 2000. Em 30 de julho de 2005 é anunciada sua contratação pela antiga equipe BAR (depois Honda F1) para dirigir um dos carros da equipe a partir da temporada de 2006, abrindo mão de um ano restante há cumprir de contrato com os Italianos.
Embora quase sempre tenha demonstrado ser um piloto competente, pesou contra ele o fato de a torcida brasileira procurar um sucessor para Ayrton Senna, feito que Rubens não conseguiu atingir, pois, não chegou a fazer frente ao longo dos campeonatos a pilotos como Michael Schumacher e Mika Häkkinen.
Em sua passagem de seis temporadas pela Ferrari, Rubens ocupou o posto de segundo piloto nas preferências da equipe, Schumacher reinou em uma época da Fórmula 1 que houve o maior predomínio de um único piloto sobre os demais. Naqueles anos, Schumacher possuía um contrato privilegiado em relação à Barrichello, o que implicou muita controvérsia pelo fato de Barrichello receber ordens da equipe e permitir algumas ultrapassagens nos momentos finais de algumas corridas, mesmo estando melhor na pista do que Schumacher. No mais polêmico desses episódios, o GP da Áustria de 2002, a Ferrari foi vaiada pelos torcedores em todo o autódromo inclusive seus próprios torcedores depois que Barrichello, após várias e insistentes ordens da equipe, cedeu passagem a Schumacher à poucos metros da linha de chegada na última volta. Naquele dia, Schumacher, assustado com a repercussão negativa dos torcedores e da imprensa, colocou Barrichello no alto do pódio e lhe entregou o troféu de primeiro lugar. Por fim, a FIA acabou condenando a Ferrari à pagar US$ 1 milhão de multa e estabeleceu que as conversas entre os pilotos e suas equipes deveriam ser transmitidos ao vivo durante as corridas, o que permanece ocorrendo até o presente momento.
Rubens Barrichello conseguiu sagrar-se vice em dois Campeonatos Mundiais de F1, em 2002 e 2004. Em 2004, apesar de não ter obtido o título, fez pontos suficientes para ser campeão com folga em quase todas as edições anteriores da competição (tornou-se então o segundo maior pontuador em um único campeonato da história da Fórmula 1).
Em 2006, Rubens passou por um período de adaptação na equipe Honda, tendo no início da temporada, resultados inferiores aos de seu companheiro de equipe o britânico Jenson Button. No decorrer da temporada as performances dos pilotos acabaram por se igualar com os pilotos se revessando melhores posições de chegada. Isso aconteceu até o GP dos Estados Unidos, a 10ª etapa do ano, quando Barrichello empatou com Button nessa altura do campeonato, somando 16 pontos cada. Mas na segunda metade do campeonato o Inglês foi superior. Button venceu uma corrida, na Hungria, e conseguiu um pódio, no Brasil, somando 40 pontos, enquanto o brasileiro somou apenas 14, ficando em 7º no campeonato, Jenson imediatamente a frente em 6º por, com um 56 a 30 pontos, ao fim do campeonato.