Rosa Maria Murtinho (Belém, 24 de outubro de 1932) é uma atriz brasileira reconhecida por sua longa e premiada trajetória no teatro, cinema e televisão. Vencedora do Troféu APCA de Melhor Atriz e do Kikito no Festival de Gramado, já foi laureada com o Troféu Mário Lago e recebeu duas indicações ao Troféu Imprensa. Ao longo de sua carreira, trabalhou nas principais emissoras de TV do Brasil, incluindo Globo, Record, Band, SBT, além das extintas Rede Tupi, TV Excelsior, Rede Manchete e TV Rio.
Ganhou destaque por seus papéis em produções como A Moça Que Veio de Longe (1964), A Muralha (1968), Pecado Capital (1975), Pai Herói (1979), Pantanal (1990), A Próxima Vítima (1995), Chocolate com Pimenta (2003) e Amor à Vida (2013).
É descendente do político brasileiro José Antônio Murtinho, natural da Bahia, mas governador do Mato Grosso no século XIX. Ele teve como filhos membros dos três poderes do Império do Brasil e/ou da Primeira República Brasileira: Manuel José Murtinho, igualmente governador matogrossense e que foi ainda ministro do Supremo Tribunal Federal; Joaquim Murtinho, senador por Mato Grosso e ministro nas presidências de Prudente de Morais e de Campos Sales, chegando a ser apontado como o bisavô da atriz; e outro José Murtinho, também senador por Mato Grosso. Magdalena do Amaral Murtinho era filha deste José, ainda senador quando esta faleceu no Rio Grande do Norte, em 1916. Era casada com Emmanuel Gomes Braga, então capitão do Porto de Natal, vindo a ser nomeado em 1923 para exercer essa função no Porto de Belém. O casal teve como filhos Fernando, Frederico e Nilo Murtinho Braga, sendo Frederico o pai de Rosamaria.
Frederico Murtinho Braga, que havia integrado o Botafogo em 1919 e fundado na cidade de Natal o ABC em 1915, era engenheiro agrônomo. Trabalhando na Região Norte do Brasil para o Instituto Agronômico do Norte, conheceu Maria do Carmo - filha do Dr. Enéas Calandrini Pinheiro, então diretor do instituto. Nessa estadia no Pará, Frederico, apelidado de "Fred", veio também a ser campeão estadual de futebol com o Clube do Remo, em 1925 e em 1926. A atriz nasceu em Belém, mas mudou-se ao Rio de Janeiro ainda bebê, com somente 21 dias de vida. Tornou-se torcedora botafoguense por influência familiar sobretudo do tio Nilo, dono da mais alta média de gols do clube e participante da Copa do Mundo de 1930.
Rosamaria morou durante um ano nos Estados Unidos. Queria estudar direito e para isso vinha se preparando, mas entrou para o teatro, arte pela qual se apaixonou e que a fez desistir da carreira jurídica. Seu irmão começou a fazer teatro amador com Paulo Francis, e Rosamaria ingressou no grupo Studio 53. Uma das atrizes adoeceu e Rosamaria, a pedido de seu irmão e por sugestão de Paulo Francis, tomou o lugar dela, isso aos dezoito anos, num grupo amador, mas que levava o trabalho a sério. Um dia, Silveira Sampaio, que era dono do Teatro de Bolso, assistiu a uma apresentação do grupo e gostou de Rosamaria, convidando-a a participar de uma peça dele e, só aí, ela ganhou seu primeiro salário. Depois foi a vez de Sandro Polônio chamá-la para fazer teatro na cidade de São Paulo, mas os pais não permitiram. Porém, acompanhada pela mãe, Rosamaria foi para Portugal trabalhar.
Voltando ao Brasil, começou a trabalhar na televisão, ao mesmo tempo em que fazia teatro, com o Teatro dos Sete, que era de Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Sérgio Britto e outros, por volta de 1955. Participou nessa época do programa Câmera Um, de Jacy Campos, que montava todo o espetáculo usando apenas uma câmera. Depois Rosamaria foi do Rio para São Paulo, participando de grandes peças, dentre as quais O Canto da Cotovia, A Rosa Tatuada e Manequim. Foi numa dessas montagens que viria a conhecer o ator Mauro Mendonça, com quem se casou em 1959.
Dependendo de seus trabalhos e dos de Mauro em televisão e teatro, a vida de Rosamaria sempre esteve entre a "terra da garoa" e a "cidade maravilhosa". Trabalhou na TV Tupi e, contratada pela TV Excelsior, mudou-se para São Paulo, onde participou de telenovelas como A Moça que Veio de Longe, A Muralha, Sangue do Meu Sangue, Os Estranhos, entre outras. Em 1972, estreou na TV Globo, participando de O Primeiro Amor, e onde outras telenovelas de sucesso se seguiram.
No fim da década de 1980 foi trabalhar na TV Manchete, atuando em Kananga do Japão e Pantanal.
Ficou afastada da televisão para presidir o Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão (Sated-RJ).
Retornou à TV Globo em 1994, participando da minissérie Memorial de Maria Moura.
Já em 1995, a atriz deu vida a Romana Ferreto em A Próxima Vítima, papel em que contracenava com Alexandre Borges sendo ate hoje o papel de maior destaque e repercussão de sua carreira
Participou em 2005 de Malhação, interpretando Nair Sorrento (Naná), orientadora educacional do Colégio Múltipla Escolha, responsável pela república e avó da protagonista Betina (vivida por Fernanda Vasconcellos).
Em 2009, disputou a Dança dos Famosos, concurso do Domingão do Faustão.
Ganhou outros papéis de destaque em O Astro (2011) e Amor à Vida (2013), trabalho no qual viveu a interesseira Tamara Gouveia Sobral, sogra de Félix (Mateus Solano) e mãe de Edith (Barbara Paz). Uma dos antagonistas da trama, a personagem aconselhava a filha a encobrir as traições do genro.
Com Walcyr Carrasco, viveu personagens finas e elegantes, como a ex-vedete Margot em Chocolate com Pimenta (2003), a viscondessa Otília em Sete Pecados (2007), a mãe interesseira Tamara em Amor à Vida (2013) e a psicóloga Linda em A Dona do Pedaço (2019).
Foi homenageada, juntamente com seu marido Mauro Mendonça, quando ganhou o Troféu Mário Lago, em dezembro de 2016. No ano seguinte, o casal passou o prêmio para Caetano Veloso.
Em 2018, Rosamaria entra ao ar como a Rainha Crisélia, governante do reino de Montemor, numa participação especial para a novela Deus Salve o Rei. Em 2019 entra para o elenco de A Dona do Pedaço de Walcyr Carrasco como a psicóloga Linda Guedes, outra mãe interesseira, encobrindo traições do genro.
Desde 1959 é casada com o ator Mauro Mendonça, com quem tem três filhos, o diretor Mauro Mendonça Filho, e o músico jPMendonça.