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Roraima

Unidade federativa do Brasil

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Roraima (pronúncia em português: [ʁoˈɾajmɐ] ouça) é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado na Região Norte do país, sendo o estado mais setentrional (ao norte) da federação. Tem por limites a Venezuela, ao norte e noroeste; Guiana, ao leste; Pará, ao sudeste; e Amazonas, ao sul e oeste. Ocupa uma área aproximada de 224 300,506 km², pouco maior que a Bielorrússia, sendo o décimo quarto maior estado brasileiro. Em Boa Vista, única capital brasileira totalmente no Hemisfério Norte, encontra-se a sede do governo estadual, atualmente presidido interinamente por Soldado Sampaio.

A história roraimense está fortemente ligada ao Rio Branco. Foi através deste rio que chegaram os primeiros invasores europeus, os colonizadores portugueses. O Vale do rio Branco sempre foi cobiçado por ingleses e neerlandeses, que adentraram no Brasil através do Planalto das Guianas em busca de indígenas para serem escravizados. Pelo território da Venezuela, os espanhóis também chegaram a invadir a parte norte do rio Branco e no rio Uraricoera. Os portugueses derrotaram e expulsaram todos os invasores e estabeleceram a soberania de Portugal sobre a região de Roraima e de parte do Amazonas.

O estado é o menos populoso do país, com uma população de 636 303 habitantes, segundo o censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo o que mais cresceu em percentual, com um aumento de 41,3 % em relação a 2010. É, também, o que apresenta a menor densidade demográfica na federação, com 2,33 hab/km². Sua economia é baseada principalmente no setor terciário e seu Produto interno bruto (PIB) é o menor do país, com cerca de 21 bilhões produzidos em 2022, representando 0,2% da economia brasileira.

Situado numa região periférica da Amazônia Legal, no noroeste da Região Norte do Brasil, predomina em Roraima a floresta amazônica, havendo ainda uma enorme faixa de savana no centro-leste. Encravado no Planalto das Guianas, uma parte ao sul pertence à Planície Amazônica. Seu ponto culminante, o Monte Roraima, empresta-lhe o nome. Etimologicamente resultado de contração de roro (verde) e imã (serra ou monte), foi batizado por indígenas pemons da Venezuela.

A palavra "Roraima" vem de línguas indígenas. Sua etimologia lhe emprega três significados: “Monte Verde”, “Mãe dos Ventos” e “Serra do Caju”. Seria a junção de roro (papagaio) e imã (pai, formador). No idioma macuxi, roro - ou também rora - significa verde, e imã significa serra, monte, formando portanto, a palavra "serra verde", que reflete a paisagem natural da região específica.

Há ainda, a hipótese da palavra "Roraima" ter outros dois significados: "Mãe dos Ventos" e "Serra do Caju". O primeiro significado, dá-se pela possibilidade do clima da região, onde os índios acreditavam que os ventos que atingiam o sul da Venezuela seriam provenientes do lugar. O segundo, "Serra do Caju", pelo grande número de serras e colinas existentes nesta área.

Gramaticalmente, a pronúncia correta de Roraima pode ser tanto "Rorãima" ou "Roráima" (linguisticamente as duas formas são aceitas), embora os roraimenses prefiram a pronúncia "Roráima" (como se houvesse acento agudo na segunda silaba) em razão da origem indígena do nome desta unidade federativa.

Os primeiros invasores europeus, os colonizadores portugueses, chegaram à região através do Rio Branco. Antes da chegada dos portugueses, os ingleses e neerlandeses já eram atraídos para a região, com a finalidade de explorar o Vale do Rio Branco através das Guianas. A soberania de Portugal sobre a região só foi estabelecida após os espanhóis invadirem a parte norte do Rio Branco, juntamente com o rio Uraricoera. A partir de 1725, missionários Carmelitas iniciaram a tarefa de conversão dos povos indígenas da região.

A ocupação portuguesa se intensificou a partir da década de 1730, quando avança pelo rio Branco em busca de consolidação das fronteiras e mão de obra indígena. Para isso, organizam tropas de resgate (compra de indígenas transformados em escravos durante guerras de etnias opostas), tropas de guerra (punição e escravização de indígenas que atacassem núcleos portugueses ou impediam a evangelização) e a busca de produtos nativos do Brasil para comercialização, as chamadas drogas do sertão. Além disso, promoviam os descimentos (aldeamentos de missionários e indígenas voluntários ou compulsórios).

O Forte de São Joaquim, construído em 1755 na confluência do rio Uraricoera com o rio Tacutu, foi determinante na conquista do rio Branco pelos portugueses. O Forte, que hoje está destruído, tinha a finalidade principal de proporcionar aos portugueses a soberania total de Portugal sobre as terras do Vale do Rio Branco, que despertava uma cobiça internacional devido sua pouca exploração.

Os colonizadores portugueses, após assumirem a soberania e o controle total da região, criaram diversos povoados e vilas na localidade, juntamente com nativos indígenas. Nossa Senhora da Conceição e Santo Antônio, no rio Uraricoera; São Felipe, no rio Tacutu e Nossa Senhora do Carmo e Santa Bárbara, no rio Branco, foram os principais povoados criados na época, abrigando um número populacional significativo. Entretanto, devido aos conflitos entre os indígenas e os colonizadores pelo fato de os indígenas não aceitarem submeter-se às condições impostas pelos portugueses, os povoados não se desenvolveram.

Para garantir a presença do homem português nas terras do Vale do Rio Branco, o comandante Manuel da Gama Lôbo d'Almada iniciou a criação de gado bovino e equino no território, em 1789. As fazendas de São Bento, São José e São Marcos, nos rios Uraricoera e Tacutu, respectivamente, foram as primeiras à introduzirem permanentemente a criação de gado bovino e equino, entre 1793 e 1799. Atualmente, a fazenda de São Marcos pertence aos indígenas e localiza-se em frente ao local onde existia o Forte São Joaquim.

Durante um ano, entre 1810 e 1811, militares ingleses penetraram no Vale, mas foram expulsos pelo comandante do Forte de São Joaquim. A fronteira entre Brasil e Guiana, cujo processo de demarcação de fronteira já havia sido encerrado, precisou ser remarcada, devido às grandes invasões inglesas ocorridas neste período. Assim sendo, a colonização de Rio Branco dividiu-se em quatro períodos: De 1750 ao início do século XIX, com a descoberta do rio Branco; de meados do século XIX até a criação do município de Boa Vista, em 1890; de 1890 até a criação do Território Federal do Rio Branco; e da criação do Território Federal do Rio Branco a elevação deste à categoria de unidade federativa brasileira, renomeado de Roraima.

Pouco mais de 1 000 pessoas viviam na região em que foi criado o município de Boa Vista, em 1890. Os dados de 1887 - válidos durante a criação do município - informaram que as cerca de 1 000 pessoas que habitavam a região na época da criação do município eram brancas e mestiças, em sua maioria mamelucos. Isso porque as etnias indígenas da região não foram acrescentados aos dados. Estima-se que havia mais de cinco mil indígenas na localidade, o que aumentaria consideravelmente a população do município.

O Amazonas, estado ao qual pertencia Boa Vista na época, não possuía recursos financeiros suficientes para promover o desenvolvimento do novo município de imediato. A região do extremo norte amazonense dependia economicamente do rebanho bovino criado na região, que também servia para o abastecimento de Manaus, capital do estado. A administração de Augusto Ximeno de Villeroy foi a responsável pela criação do município, que acreditava ser importante a fundação de uma localidade no extremo norte do Amazonas para o desenvolvimento da região.

Eduardo Ribeiro, então governador do Amazonas, também voltou sua atenção para Boa Vista e o território do atual estado de Roraima. Em 1896, após inaugurar o Teatro Amazonas, ele ordenou que Sebastião Diniz abrisse uma longa estrada ao norte de Manaus. Sua intenção era construir uma estrada ligando Manaus a Boa Vista, que pudesse servir para o transporte do gado da região do Vale do Rio Branco para o matadouro de Manaus.

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