Roman Vishniac (em russo: Роман Вишняк; Pavlovsk, 19 de agosto de 1897 — Nova Iorque, 22 de janeiro de 1990) foi um fotógrafo russo-estadunidense, mais conhecido por filmar a cultura dos judeus na Europa Central e Oriental antes do Holocausto. Um arquivo completo de seu trabalho esta no Centro Internacional de Fotografia.
Fotógrafo extremamente variado, biólogo experiente, colecionador e professor de História da arte, ao longo de sua vida, ele fez importantes contribuições científicas nas áreas de microfotografia e fotografia time-lapse. Era muito interessado em história, especialmente na de seus antepassados. Um por um, ele era fortemente amarrado para suas origens judaicas e virou um sionista mais tarde na sua vida.
Roman Vishniac ganhou aprovação internacional para sua fotografia: suas fotografias no shtetlach e gueto judeu, retratos de celebridades, e imagens de biologia microscópica. Seu livro A Vanished World (Um Mundo Desaparecido), publicado em 1983, foi uma das primeiras documentações pictoriais da cultura judaica no Leste Europeu daquele período. Também é conhecido pelo extremo humanismo e respeito pela vida, sentimentos que podem ser vistos em todos os aspectos de suas obras.
Roman Vishniac nasceu na dacha de seus avós na cidade de Pavlovsk e cresceu em Moscou. Viver nessa cidade era um direito garantido para poucos judeus mas Roman podia viver ali pois seu pai, Solomon Vishniac, era um rico fabricante de guarda-chuvas; sua mãe, Manya, era a filha de ricos comerciantes de diamantes (Roman também teve uma irmã, Katja).
Ainda como criança, Roman Vishniac era fascinado por biologia e por fotografia, e seu quarto era cheio de "plantas, insetos, peixes e pequenos animais". Em seu sétimo aniversário, ele ganhou um microscópio de sua avó. Imediatamente, ele prendeu uma câmera ao microscópio e assim fotografou os músculos da perna de uma barata. O jovem Vishniac usou esse microscópio intensivamente, vendo e fotografando tudo que achava, de insetos mortos até as escamas de um animal, de pólen para protozoários.
Até os dez anos de idade, foi educado e ensinado em casa; dos dez aos dezessete, frequentou uma escola particular onde ganhou uma medalha dourada para bolsa de estudos. A partir de 1914, ele passou seis anos no Instituto Shanyavsky (atualmente uma universidade) em Moscou. Enquanto estudava ali, serviu no Império Russo, no governo de Alexander Kerensky, e nos exércitos soviéticos. No instituto, ele recebeu um Doutorado em zoologia e tornou-se um assistente professor de biologia. Como estudante graduado, trabalhou com um prestigioso biologista chamado Nikolai Koltsov, fazendo experiências com indução de metamorfose em axolotes, uma espécie de salamandra aquática. Apesar de seu experimento ter sido um sucesso, o Dr. Vishniac não conseguiu publicar uma redação detalhando suas descobertas devido ao caos na Rússia. Seus resultados foram eventualmente independentemente duplicados. Apesar disso, ele continuou estudando para fazer um curso de três anos em medicina.
Em 1918, a família de Roman Vishniac se mudou para Berlim por causa do antissemitismo estimulado pela Guerra Civil Russa. Roman os seguiu e, logo após chegar, casou com Luta (Leah) Bagg. Ela deu à luz para dois filhos: Mara e Wolf. Roman Vishniac sustentou a sua família, incluindo seus pais, trabalhando em diversos empregos. Em seu tempo livre, estudava arte do Extremo Oriente na Universidade Humboldt de Berlim. Vishniac estudou endocrinologia, óptica, e fez algumas fotografias. Em Berlim, ele também iniciou sua carreira oracional por juntar-se ao Salamander Club ("Clube Salamandra"), no qual frequentemente deu discursos sobre naturalismo.
Na década de 1930, à medida que o antissemitismo estava crescendo na Alemanha, Vishniac tirou suas famosas viagens para o Leste Europeu, fotografando a cultura dos judeus pobres nas vilas montanhosas e guetos urbanos. Num período de aproximadamente quatro anos (o tempo exato é discutido), ele viajava de Berlim para alguns locais afastados, tirando várias fotografias e vivendo com quem o convidava, ao mesmo tempo sustentando sua família em Berlim. Em 1939, a esposa e os filhos de Roman se mudaram para a Suécia para ficar com os pais de Luta e longe da Alemanha hostil. Ele encontrou com os pais dele em Nice naquele verão.
Roman Vishniac retornou para Paris no fim do verão de 1940, e foi preso pela polícia Pétain e internado em Camp du Ruchard, um campo de deportação em Clichy, França. Isso ocorreu porque a Letónia, onde teve sua cidadania, foi incluída na União Soviética e Vishniac foi considerado um apátrida. Depois de três meses, como resultado dos esforços de sua esposa e de uma ajuda do Comitê de Ajuda para Fugitivos Judeus, ele obteve um visto que o ajudou para escapar via Lisboa para os Estados Unidos com sua família. Seu pai não foi com eles e passou a guerra escondido na França; sua mãe morreu de câncer em 1941 enquanto ainda estava em Nice.
Os Vishniacs escaparam de Lisboa para Nova Iorque em 1940, chegando na Véspera de Ano Novo. Roman Vishniac tentou por vários dias achar um trabalho, mas falhou. "Para mim, foi um tempo de confusão e medo." Ele era poliglota, falando no mínimo alemão, russo e iídiche, mas não sabia falar inglês e por isso teve dificuldades. Ele conseguiu fazer retratos de clientes estrangeiros, mas os negócios não estavam indo bem. Era durante esse tempo, em 1942, que Roman fez um de seus retratos mais famosos: aquele do Albert Einstein. Vishniac chegou na casa de Einstein, em Princeton, entrando no escritório do cientista com o ardil de trazer cumprimentos de amigos mútuos na Europa e o fotografou enquanto o cientista não estava prestando atenção nele, ocupado em pensamento. Einstein depois chamou esse retrato de seu mais favorito entre os quais o retratavam. Em 1946, Roman Vishniac se separou de Luta, e no próximo ano ele casou com Edith Ernst, uma velha amiga de sua família. Alguns anos depois, ele abandonou o trabalho de retratos e continuou fazendo trabalho freelance na área de microfotografia.
Uma vez nos Estados Unidos, Roman Vishniac tentou desesperadamente ganhar simpatia dos judeus empobrecidos no Leste Europeu. Quando seu trabalho foi demonstrado no Colégio dos Professores, Universidade Columbia, em 1943, Vishniac escreveu para Eleanor Roosevelt (primeira-Dama naquela época), pedindo para ela visitar a exposição, mas ela não veio. Ele mandou algumas de suas fotografias ao Presidente Franklin D. Roosevelt, que educadamente agradeceu o fotógrafo.
Das 16 mil tiradas no Leste Europeu por Roman Vishniac, somente 2 mil fotografias chegaram aos Estados Unidos. A maioria desses negativos foram cuidadosamente escondidos por Roman e sua família; outros foram contrabandeados por Walter Bierer, um amigo de Vishniac, através de Cuba. Nas próprias palavras do fotógrafo,
Até quando era já bem idoso, Roman Vishniac continuava sendo muito ativo. Em 1957, ele foi nomeado pesquisador adjunto na Escola de Medicina Albert Einstein e em 1961 subiu para o posto de "professor de educação biológica". Em seus setenta e oitenta anos, Vishniac se tornou "Professor de Criatividade da Chevron" no Pratt Institute (onde ensinava cursos em tópicos como a filosofia de um fotógrafo). Durante esse tempo ele viveu no Lado Oeste de Manhattan com sua esposa Edith, ensinando, fotografando, lendo e coletando artefatos. Alguns objetos que estavam em sua coleção incluíam um Buda do Século XIV, tapeçarias chinesas, Katanas, muitos microscópios antigos, mapas antigos valiosos e livros veneráveis. Ele ensinou arte oriental e russa, filosofia geral e religião em ciência, especificamente tópicos judaicos, ecologia, numismática, fotografia e ciência geral na Universidade da Cidade de Nova Iorque, em Case Western Reserve University e em várias outras instituições.
Durante o curso de sua vida, Vishniac era o sujeito e criador de vários filmes e documentários; o mais famoso sendo a série de Living Biology ("Biologia Viva"). A série consiste de sete filmes sobre biologia celular, órgãos e sistemas ecológicos, embriologia, evolução, genética, ecologia, botânica e o mundo dos animais e dos microorganismos. Essa produção foi financiada por doações da National Science Foundation.