Rogéria Barroso Pinto (Cantagalo, 25 de maio de 1943 – Rio de Janeiro, 4 de setembro de 2017) foi uma atriz, cantora, apresentadora e maquiadora brasileira. Identificava-se como "a travesti da família brasileira".
Iniciou a carreira artística como maquiadora dos atores na extinta TV Rio. Morou por cinco anos em Paris, onde se tornou fluente em francês e alemão. Em 1979, recebeu o Troféu Mambembe, pelo espetáculo O Desembestado, que fez ao lado de Grande Otelo.
Rogéria nasceu em Cantagalo, no interior fluminense, a mesma cidade de outra figura célebre – como declarou, "Em Cantagalo, nasceu a maior bicha do Brasil – no caso, eu – e o maior macho do Brasil, Euclides da Cunha". Desde sua infância tinha consciência de sua homossexualidade. Não sendo aceita por sua família conservadora e tradicional, saiu de casa em sua adolescência, passando a trabalhar como transformista em boates e maquiadora de celebridades. Antes disso, conseguiu emprego como jurada, no auditório da Rádio Nacional, particularmente nos programas estrelados pela cantora Emilinha Borba e de quem era fã incondicional.
Ao vencer um concurso de fantasias no carnaval de 1964, tentaram renomeá-la Rogério, que levou o público aos gritos de "Rogéria", inspirando seu nome social.
Sendo uma transformista e devido ao seu carisma e bom humor, Rogéria era sempre ovacionada pelo público, tendo sido pioneira na televisão brasileira, abrindo portas para profissionais homossexuais. Ela optou por não realizar a cirurgia de redesignação sexual e também não alterou seu nome de batismo nos seus documentos. Vivia sozinha no Rio de Janeiro desde os anos 1960. Era eventualmente vista pela mídia acompanhada de homens anônimos e famosos, mas por ser discreta, não assumiu nenhum relacionamento sério.
Rogéria começou sua carreira como maquiadora da TV Rio, e ao conviver com inúmeros atores célebres teve o que descreveu como equivalente de uma estadia no Actors Studio, sendo estimulada a interpretar. Sua estreia ocorreu em 29 de maio de 1964, em um notório reduto gay de Copacabana, a Galeria Alaska.
Figura frequente no cinema brasileiro, participou também como jurada em vários programas de auditório nas últimas décadas, de Chacrinha a Gilberto Barros e também Luciano Huck.
Rogéria foi coreógrafa da comissão de frente da Escola de Samba São Clemente, representando Maria, a Louca, num enredo que tratava dos 200 anos da vinda da família real ao Brasil. Em sua passagem, foi recebida com carinho pelo público.
Em 2016, lançou sua biografia Rogéria – Uma mulher e mais um pouco, de Marcio Paschoal.
Em 13 de julho de 2017, Rogéria foi internada devido a uma infecção generalizada, permanecendo por duas semanas em uma clínica em Laranjeiras, na zona sul do Rio de Janeiro. Em 8 de agosto, foi novamente internada no Hospital Unimed Barra, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, devido a um quadro de infecção urinária e em 25 de agosto foi transferida da Unidade de Tratamento Intensivo do hospital para o quarto. No entanto, seu quadro clínico agravou-se após uma crise convulsiva, seguida de um choque séptico, causa de sua morte em 4 de setembro de 2017, aos 74 anos.
Foram muitas as incursões de Rogéria nos palcos do Brasil e do mundo. Foi vedete de Carlos Machado e em 1979 ganhou o Troféu Mambembe por uma peça que fazia com Grande Otelo.
Em fevereiro de 1976, participou de um espetáculo chamado Alta Rotatividade – comédia na qual contracenava com a atriz Leila Cravo e os atores Agildo Ribeiro e Ary Fontoura.
No ano de 2007, estreou o espetáculo 7 - O Musical, sob a direção de Charles Möeller e Cláudio Botelho. No espetáculo, atua ao lado de Zezé Motta, Eliana Pittman, Alessandra Maestrini, Ida Gomes, Jarbas Homem de Mello e outros. O espetáculo estreou em São Paulo no ano de 2009.
Desde 2004, ao lado da atriz Camille K fez uma peça com outros notórios transformistas no Teatro Rival do Rio, Divinas Divas, que ficou dez anos em cartaz. A produção inspirou um documentário homônimo dirigido pela atriz Leandra Leal.