Roberto Rivellino (São Paulo, 1 de janeiro de 1946) é um ex-futebolista ítalo-brasileiro que atuava como meio-campista ou ponta-esquerda. É frequentemente considerado um dos melhores jogadores da história do futebol.
Jogou de meados da década de 1960 ao fim da década de 70 pelo Corinthians e pelo Fluminense. Ídolo tanto do Timão, quanto do Flu, em 2002 ganhou uma placa no Estádio das Laranjeiras, enquanto o Corinthians fez um busto em 2014 no Parque São Jorge para homenageá-lo. Também trabalhou como comentarista de televisão na década de 90 e atualmente é comentarista no programa Cartão Verde, da TV Cultura.
Tendo atuado oficialmente em apenas três clubes na carreira, viveu seu auge quando foi titular da Seleção Brasileira tricampeã mundial na Copa do Mundo FIFA de 1970, no México. Deu seus primeiros passos no futebol nas categorias de base do Corinthians, jogando no time profissional de 1965 a 1974, e então se transferiu para o Fluminense, onde também virou ídolo e jogou até 1978. Logo após deixar o clube carioca, foi jogar na Arábia Saudita pelo Al-Hilal, onde se aposentou em 1981.
Jogador extraclasse, de técnica apurada na perna esquerda que lhe permitia um futebol brilhante de lançamentos longos e passes precisos, potentes chutes de longa e meia distância, foi também exímio cobrador de faltas. O argentino Diego Maradona, em várias entrevistas, o considerou o melhor jogador que viu jogar. É amplamente considerado um dos maiores jogadores da história de Corinthians e Fluminense.
Nascido numa família de imigrantes italianos da localidade de Macchiagodena (província de Isernia, Região de Molise, Sul da Itália), Roberto Rivellino começou sua carreira como amador no Clube Atlético Indiano na capital paulista e também atuou no futebol de salão do E.C. Banespa.
Após ser recusado no arquirrival Palmeiras, a carreira profissional de Rivellino teve início no Corinthians, onde tornar-se-ia um dos maiores ídolos, e tido por muitos como o maior ídolo da história do clube paulista.
Dispensado por Mário Travaglini no Palmeiras, Roberto Rivellino logo em sua chegada ao Corinthians já chamou a atenção de José Castelli, um dos grandes ídolos e artilheiros do clube alvinegro, que na época era responsável pelas categorias inferiores do clube. Sempre que jogava contra o Palmeiras Rivellino fazia questão de jogar bem, para mostrar o erro que eles cometeram ao dispensá-lo.
José Castelli, conhecido como Rato, acompanhando o primeiro treino de Rivellino com o olhar clínico e experiente do ex jogador, identificou algo de diferente no futebol do garoto e imediatamente o aprovou e já o mandou trazer fotos 3x4 para fazer a sua ficha de inscrição no clube do Parque São Jorge. Foi com a camisa do Corinthians que o "Reizinho" marcou mais gols em toda sua carreira (141) e como jogador do Corinthians foi a época na qual Rivellino fez mais sucesso na Seleção Brasileira, sendo um dos destaques da Seleção que venceu a Copa do Mundo FIFA de 1970. Após receber dos mexicanos o apelido de Patada Atômica, foi o camisa 10 do Brasil em 1974, sendo um dos poucos jogadores brasileiros que apresentaram um bom futebol nesse Mundial.
Quando ganhou a Copa do Mundo de 1970, onde foi titular e era peça importantíssima do elenco, Rivellino teria declarado que trocaria aquela glória por um simples de Campeonato Paulista pelo Corinthians. Título que em dez anos de clube ele jamais conseguiu, uma vez que o clube passava por um longo jejum de conquistas.
Teve essa chance em 1974 (ano que também foi o principal jogador da Seleção Brasileira na Copa do Mundo da Alemanha Ocidental), a final do Campeonato Paulista desse ano foi entre o Corinthians e Palmeiras, time que Rivellino dizia que mais gostava de enfrentar. Mas assim como todo o time corintiano naquela partida, Rivellino teve uma má atuação e a taça de campeão foi parar no Palestra Itália. Nos dias seguintes à perda do título a diretoria do Corinthians, que precisava de um bode expiatório, elegeu Rivellino como culpado da perda do título paulista. E negociou o seu passe com o Fluminense, que na época montava a chamada Máquina Tricolor. Partiu deixando um duplo sentimento de revolta, por ter perdido o título e abandonado o clube e de agradecimento por tudo que fez jogando no Corinthians e se tornando um dos maiores jogadores do Timão, pelo clube ele teve como título mais importante o Torneio Rio-São Paulo de 1966.
Em 2014, Rivellino foi convidado para participar do primeiro jogo da recém-construída Arena Corinthians, no bairro de Itaquera. A partida contou com o elenco corintiano da época jogando contra jogadores corintianos de várias épocas. Rivellino fez o primeiro gol, sendo assim o primeiro a fazer um gol da Arena Corinthians. Já no dia 24 de maio, foi homenageado pelo Corinthians com a inauguração de um busto seu no Parque São Jorge, a sede do Timão em São Paulo.
Em 1972, o Corinthians cedeu Rivellino por empréstimo para a Portuguesa para atuar em um jogo amistoso em comemoração à inauguração do Estádio do Canindé. O jogo foi contra a equipe do Željezničar Sarajevo, da Bósnia e Herzegovina (que, na época, pertencia à antiga Iugoslávia). Rivellino atuou cerca de 40 minutos e fez um dos gols na vitória da Portuguesa por 2–0. O gol, curiosamente, foi feito com o pé direito, ao invés de sua famosa canhota.
Rivellino estreou no Fluminense em 8 de fevereiro de 1975, num amistoso em pleno sábado de carnaval, justamente contra o seu ex-time o Corinthians. O resultado foi 4–1 para os cariocas, com Rivellino marcando três gols e sendo o melhor jogador daquela partida.
Riva marcou o gol da conquista da Taça Guanabara de 1975 aos 119' da prorrogação. Em entrevista para a revista PLACAR nº 1.085, de julho de 1993, Rivellino, que chorou muito ao final, apontou esta partida como o seu jogo inesquecível, usando expressões como "vitória dramática", "meu primeiro título estadual", "se a gente perde ali, por exemplo, naquele jogo contra o America, acho que o bicampeonato de 1975 e 76 nem existiria", exaltando também o grande nível do time carioca.
O Fluminense que então era chamado de "Máquina Tricolor" era uma das melhores equipes que um time do brasileiro já havia montado, o time veio a conquistar o bicampeonato carioca (1975 e 1976), apesar de não ter conseguido ser campeão, foi por duas vezes semifinalista do Campeonato Brasileiro: em 1975, perdeu para o Internacional, e em 1976 para o Corinthians, no jogo em que houve a famosa invasão corintiana, onde 146 043 pessoas foram assistir o jogo mesmo caindo muita chuva no Maracanã.
A Máquina Tricolor montada por Francisco Horta, então presidente do Fluminense, tinha outros craques além de Rivellino, como Félix, Paulo Cézar Cajú, Doval, Pintinho, Carlos Alberto Torres, Dirceu e Edinho, entre outros, a equipe que vivia se exibindo pelo mundo em grandes torneios internacionais como o Torneio Internacional de Paris que o Fluminense conquistou em 1976.
Rivellino teve várias atuações de destaque pela equipe carioca, sendo uma delas um jogo contra o Vasco da Gama, onde marcou o gol mais famoso de sua carreira, aplicando o "drible elástico" no volante Alcir da equipe cruzmaltina e passando por mais dois jogadores cruzmaltinos antes de fazer o gol da vitória tricolor.
No Fluminense, atuou de 1975 a 1978, sempre com a camisa 10. No total, o meia realizou 158 partidas e marcou 53 gols pelo Tricolor das Laranjeiras.