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Roberto Jefferson

Político brasileiro

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Roberto Jefferson Monteiro Francisco (Petrópolis, 14 de junho de 1953), é um advogado e político brasileiro, atualmente Sem partido. É conhecido por liderar a "tropa de choque" em defesa do presidente Collor, por delatar o escândalo do Mensalão e, após sair da cadeia, por seu apoio ao governo Bolsonaro.

Começou sua carreira como apresentador de televisão, alcançando a fama no programa O Povo na TV, que propunha ajudar os cidadãos necessitados. Com o estrelato, elegeu-se deputado federal pelo Rio de Janeiro em 1982 pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), reelegendo-se continuamente até 2005. Participou assim da Assembleia Nacional Constituinte de 1987, na qual atuou como parte do Centrão a favor do mandato presidencial de 5 anos. Na Câmara dos Deputados, foi relator da lei que criminalizou armas não registradas e também do projeto de lei da união civil homossexual, que acabou arquivado.

Elegeu-se líder do PTB na Câmara em 1999 e presidente nacional do partido em 2002. Na eleição presidencial daquele ano, apoiou inicialmente Ciro Gomes, mas a contragosto aliou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) no segundo turno. Em 2005, foi o estopim do escândalo do mensalão ao denunciar a prática criminosa de distribuição de dinheiro em troca de votos a favor do governo. No mesmo ano foi cassado pelo plenário da Câmara, e condenado pelo Supremo Tribunal Federal pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em 2012. Recebeu um indulto natalino presidencial em 2015 e saiu da cadeia em 2016.

Depois de recuperar-se de um câncer, declarou publicamente apoio ao presidente Bolsonaro. Tentou candidatar-se a presidente na eleição de 2022, mas foi barrado pela Lei da Ficha Limpa. Foi preso novamente em 13 de agosto de 2021. Em 23 de outubro de 2022, teve seu direito de prisão domiciliar revogado e reagiu ao cumprimento do mandado de prisão lançando duas granadas e disparando cerca de vinte tiros de fuzil contra agentes da Polícia Federal. Ele se entregou oito horas após o ataque e foi indiciado por quatro tentativas de homicídio, acusação da qual aguarda julgamento por júri. Barrado pela cláusula de barreira, o PTB precisou fundir-se com o Patriota em 2023, que só aceitou sob a condição que Jefferson não exerceria nenhum cargo de liderança, porém, o político não chegou a ser impedido de manter a filiação.

Vida pessoal e inicio de carreira

Roberto Jefferson é filho e neto de políticos petebistas. Seus pais são Roberto Francisco e Neusa Dalva Monteiro Francisco. É casado com Ana Lucia Novaes Jefferson Monteiro Francisco, e tem três filhos: Cristiane Brasil, ex-deputada federal pelo PTB do Rio de Janeiro, Fabiana Brasil e Roberto Francisco Neto. Ele terminou os estudos colegiais no Colégio Werneck, de Petrópolis. Em 1975, ingressou na Universidade Estácio de Sá, onde formou-se em direito em 1979. Conquistou notoriedade como advogado de pobres no popular "O Povo na TV", atração exibida na antiga TVS (atual SBT) na década de 1980.

É autor do livro "Nervos de aço - Um retrato da política e dos políticos no Brasil", publicado pela Editora Topbooks. Roberto Jefferson foi diagnosticado em julho de 2012 com um câncer de pâncreas em estágio inicial, do tipo papilar mucinoso ductal. O político foi submetido no Hospital Samaritano a uma duodenopancreatectomia, uma cirurgia de grande porte para a retirada de parte do pâncreas e duodeno.

Ao ser preso, em agosto de 2021, Jefferson foi transferido para o presídio de Bangu 8. Na mesma penitenciária, também se encontra detido o ex-namorado de sua filha Cristiane, Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, que ganhou notoriedade após matar o enteado de apenas 4 anos de idade.

Em maio de 1980, estreou na televisão no programa Aqui e Agora da TV Tupi, apresentado por Ari Soares. No programa, foi simulado um tribunal no qual uma pessoa era julgada por um júri simulado de convidados. Jefferson foi convidado para defender o justiceiro "Mão Branca" enquanto Cavalcanti atuava como promotor. Ao final do programa, "Mão Branca" foi absolvido pelos jurados. Com a falência da Tupi, Jefferson resolveu se mudar para a TVS em julho daquele ano à convite de Wilton Franco (que havia sido diretor de Aqui e Agora) para participar como integrante fixo do programa Domingo a Noite.

Jefferson foi apresentador do programa O Povo na TV, transmitido de 1981 até 1984 pela antiga TVS, atual SBT. O programa se dispunha a auxiliar as pessoas comuns e resolver seus problemas. Um dos casos mais emblemáticos foi quando um bebê de nove meses morreu nos estúdios da emissora. O menino tinha um tumor nos olhos e a mãe não conseguira interná-lo em nenhum hospital, de modo que recorreu á produção do programa. O bebê morreu diante das câmeras, ao vivo.

Com a fama conseguida no programa, foi eleito deputado federal nas eleições de 1982.

Roberto Jefferson entrou oficialmente na vida pública em 1971, quando filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Permaneceu no partido até o início de 1980, quando filiou-se ao Partido Popular (PP), fundado em fevereiro daquele ano após o fim do bipartidarismo. Deixou o PP no mesmo ano para filiar-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) – partido cuja primeira fundação (antigo PTB), em 1945, havia tido a participação de seu avô. Jefferson continuou no PTB até sua fusão em 2023, sendo que, em 2005, quando teve seu mandato cassado, era o o deputado federal mais antigo da bancada na Câmara dos Deputados.[carece de fontes?]

Em 1983, renunciou à vice-liderança do PTB por causa da aliança política feita com o PDS. Em sua carta-renúncia, declarou: "Não consigo aceitar nenhuma aproximação com aqueles que incendiaram, no golpe de 1964, o Partido Trabalhista Brasileiro. Sentir-me-ia como um romano acordando Nero novamente".

Em 1985, o deputado Bocaiuva Cunha (também do PDT fluminense) instalou um painel na Cinelândia, em frente à Câmara Municipal, com o nome dos deputados ausentes na votação do projeto de lei que anistiava os militares cassados. O nome de Roberto Jefferson constava entre os ausentes, o que ele nega. Em 22 de novembro de 1985, Jefferson foi à Cinelândia e destruiu o painel a machadadas. Bocaiuva disse que a ação do colega, um "ataquezinho de raiva", foi um "ato de imaturidade política".

Comentando as eleições municipais de 1985, Jefferson disse na tribuna da Câmara que a prefeitura de São Paulo haveria de ser o "túmulo" político de Jânio Quadros, prefeito eleito naquele ano. O deputado disse que o pacote econômico do governo libertava a população de políticos populistas, e ressaltou que o símbolo de Jânio, a vassoura, estava agora "empunhada pelo PT, através do seu presidente, Luís Inácio da Silva, e da prefeita de Fortaleza, Maria Luiza Fontenele, para varrer a praça José Alencar."

No contexto das Diretas Já, votou a favor da emenda Dante de Oliveira, que propunha a realização de eleições presidenciais diretas. Como a proposta foi derrotada, votou em Tancredo Neves na eleição indireta de 1985.

Durante a Constituinte, o PTB compôs o grupo político que seria chamado de Centrão. Roberto Jefferson participou ativamente do grupo, atuando contra o projeto então aprovado na Comissão de Sistematização, que possuía "um viés claramente socialista." Sua função como deputado, segundo declaração dada em entrevista ao jornalista Luiz Maklouf Carvalho, em 2014, era de "coordenador de Plenário". Exemplificando sua atuação com o senador Mário Covas, contou: "O Covas era um sedutor. Quando começava a fazer um discurso, até a turma do Centrão ficava prestando atenção. Eu é que tinha que sair gritando, mandando todo mundo virar as costas. 'Vocês vão ficar aí batendo palma para maluco dançar?'"

Segundo ele, a linha seguida pelo PTB na Constituinte era derivada dos princípios de Alberto Pasqualini, ideólogo do trabalhismo e senador pelo PTB antigo na década de 1960: "liberdade de iniciativa, a propriedade privada e a proteção do trabalhador, da ordem social". Jefferson entendia, no entanto, que havia uma espécie de "ressaca da esquerda dos vinte anos de ditadura militar", que "acabou levando a várias distorções na nossa Constituição". Para ele, a força da esquerda se dava pelo grito: "O dr. Ulysses [presidente da Constituinte] franqueava a galeria para eles, pô. O pessoal cuspia na cara da gente, jogava moeda na cara da gente. Isso dentro do Congresso. Na rua, você era ameaçado. No aeroporto de Brasília, eu tive vários problemas com essas representações sindicais da CUT." A Central Única dos Trabalhadores, órgão sindical ligado ao Partido dos Trabalhadores (PT), publicava cartazes avaliando os constituintes. Certa vez, Jefferson foi apresentando ao presidente da CUT, Jair Meneghelli, mas recusou-se a cumprimentá-lo, dizendo que se os cartazes, que chamavam-no de "traidor do povo", levassem a alguma violência contra seus filhos, ele cobraria pessoalmente de Meneghelli, "olho no olho".

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