Robert Bushnell Ryan (Chicago, 11 de novembro de 1909 — Nova Iorque, 11 de Julho de 1973), mais conhecido como Robert Ryan, foi um ator norte-americano.
Tornou-se famoso por interpretar personagens noir em clássicos filmes hollywoodianos da RKO Radio Pictures na década de 1940.
Robert Bushnell Ryan é lembrado por uma variedade de delinquentes, desajustados e fanáticos intransigentes. Na vida real, esse nativo de Chicago, nascido em 11 de novembro de 1909 foi um liberal ativo, que apenas se transformava para fazer seus papéis. Seu pai, Timothy Ryan, era um irlandês católico, que trabalhava como executivo na área de comércio; já sua mãe, Mabel Ryan, era descendente de ingleses.
O jovem Ryan era uma criança tímida e nunca perdeu essa qualidade por completo - mesmo depois de se transformar num futuro astro de Hollywood. Aos 8 anos, seu irmão mais novo morreu. Aos 26 anos, seu pai morre em conseqüência de uma batida de carro. Decidiu então entrar para uma academia de Boxe, e seu objetivo, era continuar os estudos para ingressar na faculdade, o que ele conseguiu. Lá, ele conquistou vários títulos como campeão amador de peso-pesado de Boxe. Seu gosto era pela literatura, e tinha intenção de se formar em jornalismo.
Mas chegava o ano de 1929, o fatídico ano da Grande Depressão, com a queda da bolsa de valores de Nova Iorque. Ryan se recusava a entrar para a área comercial de seu pai, por isso, ele engrenou em vários trabalhos, como folguista de navios, Guarda-Costa, vaqueiro, modelo fotográfico, e até cobrador de dívidas. Um amigo de sua mãe lhe deu uma nomeação no Serviço Público Municipal de Chicago, mas um investimento de sorte com petróleo permitiu Bob Ryan a procurar treinamento profissional em arte dramática. Ryan decidira ser ator quando um fotógrafo, que havia feito algumas fotos de Bob como modelo fotográfico, achou que ele era fotogênico e que correspondia bem as câmeras, e que ele poderia, influenciado por seu porte atlético graças aos anos dedicados ao Boxe, conseguir fazer carreira no cinema. Robert Ryan media 1m93 de altura, e quando jovem, era bem musculoso e torneado.
Decidido a ser ator, mesmo a contragosto de sua mãe, que queria vê-lo no ramo de comércio como seu finado pai, Ryan foi para a Califórnia matricular-se no Playhouse de Pasadena, mas preferiu a Oficina Teatral de Max Reinhardt, uma das mais respeitadas em Hollywood. Lá, conheceu a aluna Jessica Cadwalader, com quem se casou em 1939, e que se tornaria sua companheira até o falecimento dela, em 1972. Jessica fez poucos trabalhos como atriz de cinema, preferindo ingressar na área de pedagogia e ensino, publicando livros infantis, e até histórias de mistério.
Após sua graduação, começou a trabalhar já como ator profissional, em filmes musicais, mas eram papéis pequenos, ganhando $75 dólares por semana. Começou a fazer algumas películas na Paramount, mas esta não se impressionou com o jovem ator de 30 anos, que ao contrário do que diria aquele fotógrafo que recomendou Ryan para o mundo do cinema por possuir fotogênia - a Paramount não o achou nada fotogênico, e que não se enquadrava as câmeras.
Logo, Bob Ryan viu oportunidade no teatro. Sua primeira peça intitulou-se Um beijo de Cinderela, contracenando com Luise Rainer. O ex-marido dela, Clifford Odets, vendo-o na peça, viu nele uma presença viril que poderia atrair o público feminino, e lhe ofereceu o papel de um jovem amante em Só a Mulher Peca(Clash By Night), na Broadway, e logo, foi visto nela por Peter Lorents, executivo da RKO. Feitos os primeiros testes neste estúdio, Bob foi aceito, e logo assinou um contrato, ganhando inicialmente, 600 dólares por semana.
Seus primeiros trabalhos na RKO foram películas de guerra, que serviam praticamente como propaganda americana durante a II Guerra Mundial. Bombardeio(1943), foi um destes trabalhos, como um jovem estudante da força aérea, contracenando com Randolph Scott. Ginger Rogers sugeriu Bob Ryan para ser seu galã para o primeiro papel principal dele, em Mulheres de Ninguém/Lady in the Dark, em 1944, mas só porque ele havia aberto mão de seu cachê entre os trabalhadores do estúdio, devido uma manipulação diplomática da própria Ginger.
Em 1944, Robert Ryan se juntou ao serviço de guerra, alistando-se nos fuzileiros navais. Sua carreira em Hollywood foi ligeiramente interrompida pela Segunda Guerra Mundial. Por dois anos , Bob trabalhou como um instrutor no Corpo de Fuzileiros Navais, no acampamento do Capitão Pendleton. Testemunhou os efeitos psicológicos daqueles que combateram no Pacífico, e o difícil retorno daqueles que tentavam voltar a vida cívil. Prestou auxílio aos feridos e aleijados, e viu o horror atrás do olhar assombrado dos que tinham vivido os eventos e a crueldade da Guerra, deixando seus camaradas, mortos em batalha, para trás.
Finda a Guerra, retornou a RKO, como um xerife que ajuda o delegado Randolph Scott no filme Sem Deus e Sem lei, em 1947, um faroeste B de rotina. Logo, chegaria ao ápice de sua atuação, onde teve seu melhor desempenho e papel até então, como um policial da Guarda Costeira que se apaixona por Joan Bennett, e ambos combinam matar o marido cego desta, no clássico A Mulher Desejada/The Woman on The Beach, de Jean Renoir, também 1947. A partir deste momento, eletrizou plateias com a claustrofobia noir que muito identificou o ator, que se seguiria como o psicopata assassino e antissemita procurado pela polícia em Rancor/Crossfire, de Edward Dmytryk, que lhe deu sua única indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante, em 1947. Depois, veio o herói trágico em Punhos de Campeão/ The Set-Up, de Robert Wise, em 1949, interpretando Bill "Stocker" Thompson, um veterano boxeador que quer largar o Boxe, mas para isso, ele quer vencer sua última luta. Depois de várias derrotas consecutivas, sua esposa, Julie, apela para que ele desista do campeonato, mas ele não atende. Seus promotores foram corrompidos pela Máfia do Boxe, e Thompson ignora, ser seu dever, perder a luta para um lutador mais jovem, patrocinado pelos mafiosos. Seguido em sua determinação de vencer, depois de muitos assaltos, Thompson finalmente ganha a luta, mas ignora o envolvimento de seus patrocinadores com os mafiosos até o último momento, quando eles combinaram entre si que Thompson deveria perder a luta, sem com isso, sequer avisá-lo. Na saída, Thompson é cercado pelos mafiosos, e tem suas mãos esmagadas por eles. Mesmo ferido e alquebrado, Thompson volta para casa, onde sua esposa o aguarda ansiosa, mas mal conseguindo ele caminhar em direção à porta, e cambaleante, cai em plena calçada. Da janela, Julie o vê, e sai em sua direção, acudindo-o. No fim, Thompson diz a esposa: Eu venci, Julie...eu venci. E ela responde:Sim, querido, nós vencemos esta noite...nós vencemos. Um dos melhores filmes de Boxe da história do Cinema. Aqui, Bob Ryan usou, sem o recurso de dublê, sua experiência como boxeador, sem precisar de aulas de Boxe, e segundo seu diretor, Robert Wise, foi um de seus filmes que menos deu trabalho a ele, justamente pelo ator principal saber lutar Boxe, e de ele ter sido, na vida real, campeão peso-pesado de Boxe Amador.
Seu currículo de heróis e vilões continuou em: Nascida para o Mal, em 1951, contracenando com Joan Fontaine; O Melhor dos Homens Maus/The Best of the Badmen, no mesmo ano, com Claire Trevor; Horizonte de Glória/Flying Leathernecks, ainda em 1951, sua primeira parceria com o diretor Nicholas Ray, e antagonizando com John Wayne, como um oficial americano humanista da Força Aérea Americana; Cinzas que Queimam/On Dangerous Ground, de 1952, outro filme da parceria Ryan/Ray, onde Bob, novamente em seu estilo noir, oferece o melhor de sua atuação, na pele de um amargo policial que perde a noção de justiça, mas se rende ao amor da cega Ida Lupino.
Em 1952, seu contrato com a RKO chegava ao fim, fechando com chave de ouro em um papel que ele havia desempenhado cerca de dez anos antes na Broadway: o de um amante cínico em Só a Mulher Peca/Clash By Night, atuando com Barbara Stanwyck e Paul Douglas, e a então iniciante Marilyn Monroe.