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Robert F. Williams

Robert Franklin Williams (26 de fevereiro de 1925 — 15 de outubro de 1996) foi um líder do movimento por direitos civis

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Robert Franklin Williams (26 de fevereiro de 1925 — 15 de outubro de 1996) foi um líder do movimento por direitos civis e autor estadunidense mais conhecido por ter sido presidente do comitê da NAACP em Monroe, Carolina do Norte, entre os anos 1950 e 1961. Ele conseguiu integrar a biblioteca e a piscina pública locais em Monroe. Em um momento de alta tensão racial e abusos oficiais, Williams promoveu a autodefesa negra armada nos Estados Unidos. Além disso, ajudou a obter apoio para perdão governamental em 1959 para dois jovens garotos afro-americanos que haviam recebido longas sentenças reformatórias no que ficou conhecido como o Caso do Beijo de 1958 (os garotos foram condenados por estupro por terem sido beijados na bochecha por uma menina branca), o que gerou atenção nacional e internacional e críticas ao Estado.

Williams obteve um comitê da Associação Nacional de Rifles e montou um clube de tiro para defender os negros em Jonesboro da Ku Klux Klan ou outros agressores. O comitê local da NAACP apoiou os Viajantes da Liberdade que viajaram para Monroe no verão de 1961 em um teste de integração de ônibus interestaduais. Em agosto de 1961, ele e sua esposa deixaram os EUA para evitar acusações estaduais de sequestro relacionadas a ações durante a violência que se seguiu após os Viajantes chegarem em Monroe. Essas acusações foram retiradas pelo estados quando seu julgamento foi aberto em 1975, após seu retorno. Williams se identificava como nacionalista negro e morou tanto em Cuba quanto na República Popular da China durante seu exílio entre 1961 e 1969.

O livro de Williams Negroes with Guns (1962) foi reimpresso várias vezes, mais recentemente em 2013. Ele detalha sua experiência com o racismo violento e seu desentendimento com a ala não violenta do Movimento pelos Direitos Civis. O texto foi muito influente; o fundador do Partido dos Panteras Negras, Huey Newton citou-o como uma grande inspiração.

Robert Franklin Williams nasceu em Monroe, Carolina do Norte, em 26 de fevereiro de 1925, filho de Emma Carter e John L. Williams, que trabalhava como lavador de caldeiras ferroviárias. Ele tinha duas irmãs, Lorraine Garlington e Jessie Link; e dois irmãos, John H. Williams e Edward S. Williams. Williams ganhou o fuzil de seu avô, dado por sua vó, uma ex-escrava. Seu avô fora apoiador do Partido Republicano e editor do jornal The People's Voice durante os anos difíceis após a Reconstrução na Carolina do Norte. Aos 11 anos, Williams testemunhou uma mulher negra ser espancada e arrastada por um policial, Jesse Helms, Sr. Helms Sr., mais tarde o chefe da polícia, era o pai do futuro senador Jesse Helms.

Quando jovem Williams foi parte da Grande Migração, viajando para o norte para trabalhar nas indústrias durante a II Guerra. Ele testemunhou revoltas raciais em Detroit em 1943 motivadas por concorrência no mercado de trabalho entre brancos e negros. Alistado em 1944, serviu durante um ano e meio como soldado raso na então segregada Marinha antes de retornar para casa em Monroe.

Em 1947, Williams se casou com Mabel Ola Robinson, ativista dos direitos civis, então com 16 anos. Eles tiveram três filhos chamados John C. Williams, Robert F. Williams, Jr., and Franklin H. Williams.

Atividade no movimento pelos direitos civis

Após voltar para Monroe em 1945 após servir na Marinha, Williams entrou para o comitê local da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP), querendo mudar a cidade segregada para proteger os direitos civis dos negros. O comitê não tinha sido muito ativo e estava perdendo membros. Williams foi eleito presidente e Dr. Albert E. Perry vice-presidente; os dois geraram nova energia no grupo durante a década de 1950.

Primeiro eles trabalharam para integrar a biblioteca pública. Após obterem sucesso, em 1957, Williams também liderou os esforços para integrar as piscinas públicas, que eram financiadas e operadas com o dinheiro do contribuinte. Ele fez os seguidores formarem linhas de piquete ao redor da piscina. Os membros da NAACP organizaram manifestações pacíficas, mas os opositores atiraram em sua direção. Ninguém foi preso ou punido, apesar de policiais estarem presentes. Naquela época, Monroe tinha um grande comitê da Ku Klux Klan. A imprensa estimou que ele tinha 7.500 membros, quando a cidade tinha um total de 12.000 habitantes.

Alarmado com a ameaça aos ativistas, Williams pediu à Associação Nacional de Rifles uma escritura para um clube de tiro local. Ele chamou o comitê da ANR em Monroe de Guarda Negra Armada; era formado por cerca de 50–60 homens, incluindo alguns veteranos de guerra como ele. Eles estavam determinados a defender a comunidade negra local de ataques racistas, um objetivo semelhante ao dos Diáconos para a Defesa que formaram comitês na Luisiana, Mississippi e Alabama entre 1964 e 1965.

Newton era a área residencial negra de Monroe. No verão de 1957, houve rumores de que o KKK ia atacar a casa do Dr. Albert Perry, um médico praticante e vice-presidente do NAACP em Monroe. Williams e seus homens da Guarda Armada foram para a casa de Perry para defendê-la, fortificando-a com sacos de areia. Quando vários membros do Klan apareceram e atiraram dos seus carros, Williams e seus seguidores devolveram os tiros, afastando-os.

Após esse confronto, as mesmas autoridades da cidade que disseram que o Klan tinha o direito constitucional de se organizar, se reuniram em uma seção de emergência e aprovaram uma lei municipal banindo o Klan de Monroe sem uma permissão especial do chefe de polícia.

Williams insistiu que sua posição era defensiva, em vez de ser uma declaração de guerra. Ele contou com vários veteranos de guerra negros da área, assim como apoio financeiro de diversas partes do país. No Harlem, particularmente, campanhas de arrecadação de recursos foram realizadas frequentemente e os rendimentos dedicados à compra de armas de fogo para Williams e seus seguidores. Ele chamava isso de "autossuficiência armada" diante do terrorismo branco. Ameaças contra a vida de Williams e sua vida se tornaram frequentes.

Décadas depois, a analista política Mary King notou que "as metáforas patriarcais dos apelos de Williams à violência em resposta à violência em nome da defesa das mulheres curiosamente ecoava a rubrica paternalista que era usada hipocritamente para justificar a violência branca." O historiador Timothy Tyson observou que ambas as militâncias não violentas e armadas eram fortemente sexistas na era do movimento pelos direitos civis: "As contestações de uma noção de masculinidade que excluía os homens negros não começaram nem pararam com os nacionalistas negros (...) os soldados de infantaria dos exércitos não violentos de Martin Luther King frequentemente carregavam cartazes que diziam: 'Eu sou um HOMEM'" Escrevendo sobre Williams, King disse que ele trabalhou dentro da lei para alcançar a justiça; ele apelou às autoridades federais para combater o racismo de Monroe.

Em 1958, Williams, como chefe do comitê da NAACP, defendeu dois garotos negros, de sete e nove anos de idade, que foram presos em Monroe após uma menina branca beijar um dos dois. O incidente foi coberto internacionalmente e Williams se tornou conhecido através do mundo. Sua campanha de publicidade, convidando uma barragem de manchetes castigando Monroe e os EUA na imprensa global, foi fundamental para envergonhar as autoridades envolvidas. Os meninos eventualmente foram soltos. O governador da Carolina do Norte perdoou os meninos, mas o estado nunca se desculpou pela maneira como lhes tratou. A polêmica ficou conhecida na época como o caso do beijo.

Em 12 de maio de 1958, o Raleigh Eagle, um jornal da Carolina do Norte, disse que a companhia de seguros Nationwide Mutual Insurance Company estava cancelando a colisão e cobertura abrangente de Williams, a partir daquele dia. Primeiro cancelaram todos os seus seguros de automóveis, mas decidiram restabelecer sua cobertura de responsabilidade e pagamentos médicos, o suficiente para que Williams mantivesse sua licença de carro. A empresa disse que a afiliação da Williams com a NAACP não era um fator; eles notaram que "pedras foram jogadas em seu carro e casa várias vezes por pessoas dirigindo em sua rua à noite. Esses incidentes apenas nos forçaram a sair das porções abrangentes e de colisão de sua apólice".

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