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Rita Lee

Cantora, compositora, escritora, atriz e apresentadora de televisão brasileira (1947–2023)

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Rita Lee Jones de Carvalho OMC · ORB (nascida Rita Lee Jones; São Paulo, 31 de dezembro de 1947 – São Paulo, 8 de maio de 2023) foi uma cantora, compositora, escritora, atriz e apresentadora brasileira. Conhecida como a "Rainha do Rock Brasileiro", destacou-se como uma das figuras de maior influência na música popular do país. Reconhecida por sua constante reinvenção e versatilidade na produção musical e audiovisual, foi pioneira tanto do rock quanto da música pop no Brasil, explorando diversos gêneros e promovendo um hibridismo entre estilos internacionais e nacionais. Suas composições e interpretações celebravam o prazer e o protagonismo feminino, tornando-a um pilar da resistência artística durante a ditadura militar. Rita Lee é frequentemente citada como influência para várias gerações de artistas, especialmente mulheres.

Nascida e criada em São Paulo, iniciou sua trajetória musical em 1963, integrando o Tulio's Trio e, posteriormente, o Teenage Singers — que viria a se tornar Os Seis. Projetou-se nacionalmente como vocalista e instrumentista do grupo tropicalista Os Mutantes e alcançou o estrelato solo com o disco Fruto Proibido (1975), gravado com a banda Tutti Frutti e considerado um marco do rock brasileiro. Sua popularidade continuou a crescer com o lançamento de uma série de álbuns de sucesso que popularizaram a música pop no país, a maioria em parceria com o marido Roberto de Carvalho, com quem coescreveu grande parte de seu repertório. Entre eles estão Rita Lee (1979), Rita Lee (1980), Saúde (1981) e Rita Lee e Roberto de Carvalho (1982), este último um dos discos mais vendidos da história da música brasileira. Suas canções tornaram-se presença constante nas paradas de sucesso.

Sua visibilidade foi ampliada por meio de especiais de fim de ano na TV Globo — Rita Lee Jones (1980), Rita Lee Jones (1981), O Circo (1982), Rita Lee e Roberto de Carvalho (1985) e Rita Lee Especial (1995) — e por seu trabalho como apresentadora em programas como TVLeezão (1991), Saia Justa (2002) e Madame Lee (2005). Como escritora, publicou 11 livros em vida e dois póstumos, com destaque para sua primeira autobiografia, que vendeu 70 vezes a tiragem média de um livro no Brasil em seu primeiro ano. Atuou ainda em filmes e séries, além de realizar programas de rádio, tendo recebido prêmios como Melhor Intérprete Masculino no Rio Cine Festival e o Troféu Calunga de Melhor Atriz Coadjuvante. Vegana convicta, defendeu os direitos dos animais, das mulheres e da comunidade LGBT.

Com mais de 55 milhões de obras musicais comercializadas, Rita Lee é a cantora brasileira que mais vendeu discos na história. Pioneira em turnês nacionais de grande porte, tornou-se a primeira artista brasileira a realizar uma excursão por ginásios e estádios, reunindo 500 mil espectadores na bem-sucedida Tour Brasil 83, enquanto a Tour 87/88 obteve sucesso semelhante. Entre suas distinções estão 12 Prêmios da Música Brasileira, quatro Prêmios APCA, três Troféus Imprensa, dois Grammys Latinos, o Prêmio Shell de Música e o prêmio honorário da União Brasileira de Compositores (UBC). Foi ainda listada pela Rolling Stone Brasil entre as melhores vozes e artistas brasileiros de todos os tempos.

1947–66: Infância e início na música

Nascida na véspera de Ano-Novo, em uma família de classe média paulistana, Rita é a filha mais nova do dentista Charles Fenley Jones (1904–1983), paulista descendente de imigrantes norte-americanos confederados do Alabama e do Tennessee, estabelecidos em Santa Bárbara d'Oeste, e de Romilda Padula, apelidada Chesa (1904–1986), também paulista, filha de imigrantes italianos da região do Molise, no sul da Itália. Seus pais tinham outras duas filhas: Mary Lee Jones e Virgínia Lee Jones. Lee é um nome composto com que o pai quis registrar todas as filhas, em homenagem ao general Robert E. Lee, do exército confederado norte-americano. Originalmente, seu primeiro nome era planejado para ser Bárbara, em homenagem à santa, mas na hora do batizado resolveram homenagear a avó materna, que se chamava Clorinda, mas tinha o apelido de Rita.

Ela nasceu e cresceu no bairro da Vila Mariana, onde viveu até o nascimento de seu primeiro filho. Em entrevistas, revelou que esse bairro lhe era especial, já que lá tem uma grande parte de todas as melhores lembranças de sua vida. A artista foi educada no colégio franco-brasileiro Liceu Pasteur; era poliglota e falava fluentemente português, inglês, francês, castelhano e italiano. Chegou a ingressar no curso de Comunicação Social na Universidade de São Paulo, em 1968, na mesma turma da atriz Regina Duarte. Assim como Regina, abandonou o curso no ano seguinte.

Durante a infância teve aulas de piano com a musicista clássica Magda Tagliaferro. Não pensava em ser cantora de rock, mas em ser atriz de cinema, veterinária ou a profissão que seu pai queria, dentista. Suas primeiras influências musicais foram Elvis Presley, Neil Sedaka, Paul Anka, Peter, Paul and Mary, Beatles, Rolling Stones, mas também escutava música brasileira como Cauby Peixoto, Angela Maria, Tito Madi, João Gilberto, Emilinha Borba, Carmen Miranda, Dalva de Oliveira e Maysa por influência dos pais.

Na adolescência passou a se interessar por música e compôs suas primeiras canções. Junto de alguns amigos começou a se apresentar em clubes da região como componente do Tulio's Trio. Em 1963 formou um conjunto musical com mais duas garotas, as Teenage Singers, que faziam pequenos shows em festas colegiais. No ano seguinte elas conheceram o trio masculino Wooden Faces. Nesse mesmo ano, fez sua primeira gravação nos vocais para um álbum de Prini Lorez. Teenage Singers e Wooden Faces juntaram-se, formando o Six Sided Rockers, banda que depois passou a se chamar "Os Seis" e que chegou a gravar um disco compacto, com duas músicas.

Depois da saída de três componentes, sobraram Rita e os irmãos Arnaldo e Sérgio Dias Baptista. O trio passou a se chamar Os Bruxos. Entretanto, o trio não estava satisfeito com esse nome e queriam mudá-lo, antes da apresentação do grupo, na estreia do programa O Pequeno Mundo de Ronnie Von, da TV Record (1966). Segundo Carlos Calado, a ideia do nome "Os Mutantes" veio de uma brincadeira irônica de Alberto Helena Júnior, produtor do programa, com Ronnie Von, que, na época, estava lendo O Império dos Mutantes, de Stefan Wul, e não falava de outro assunto. "Vocês ainda estão procurando um nome para o conjunto dos meninos? Por que não Os Mutantes?" Ronnie Von gostou da ideia de Alberto Helena e levou-a ao grupo, que a aprovou imediatamente.

1966–72: Os Mutantes e primeiros álbuns solo

Por um período de seis anos, Lee foi, com Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, integrante da banda Os Mutantes, cantando, tocando flauta e percussão, além de performances bissextas no sintetizador, no banjo e manipulando bizarrices como um gravador portátil (como na música "Caminhante Noturno"), uma bomba de dedetização (em "Le Premier Bonheur du Jour") e sendo letrista. Em 1967, a banda acompanhou Gilberto Gil no III Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, na apresentação da canção "Domingo no Parque".

Foram gravados seis álbuns, tendo o primeiro, de 1968, como uns dos mais importantes da história da música brasileira e que deram origem a sucessos como "A Minha Menina", "Dom Quixote", "Balada do Louco", "2001 (Dois Mil e Um)" e "Ando Meio Desligado". De 1968 e 1972 foi casada com o companheiro de banda, Arnaldo. Ela declararia que ambos já não namoravam juntos há muito tempo, mas se uniram no cartório para acalmar relatos a respeito dela sempre estar indo para a casa dos Baptista na Serra da Cantareira. O divórcio foi assinado somente em 1977.

Acompanhada dos componentes dos Mutantes, gravou dois discos solo. O primeiro foi Build Up (1970) — contendo algumas canções em parceria com Arnaldo — que, originalmente, era o repertório de um show feito exclusivamente para um evento empresarial (a Fenit, em São Paulo). Desse disco saiu seu primeiro compacto, "José" (uma versão de Nara Leão para a canção francesa "Joseph", de Georges Moustaki). O segundo disco, Hoje é o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida (1972), foi gravado com o seu nome, pois a banda já havia lançado um álbum naquele ano e, nos termos do contrato com a gravadora, não lhe era permitido outro lançamento. Com isso, Os Mutantes gravaram, mas só Lee aparece nos créditos.

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