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Rita Blanco

Atriz de cinema portuguesa

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Rita Gouveia Blanco (Oeiras, 11 de janeiro de 1963) é uma atriz portuguesa.

Rita Gouveia Blanco, nasceu em Oeiras, no dia 11 de janeiro de 1963.

Uma das mais bem sucedidas atrizes portuguesas, cresceu num ambiente aberto a cultura. A familia paterna, espanhola galega, chegou a explorar o Cafe Royal, na Praça Duque da Terceira, frequentado por homens de letras e artistas. A mãe esteve ligada a associação do Movimento da Escola Moderna. Os pais foram ambos elementos do Coro Lopes Graça.

Realizou todo o seu percurso escolar no Liceu Francês Charles Lepierre e, em 1985, concluiu o Curso de Teatro (Formação de Atores e Encenadores) da Escola Superior de Teatro e Cinema (ex-Conservatório Nacional).

A estreia como atriz profissional ocorreu antes do fim do Conservatório, em 1983, no Teatro da Cornucópia. Tratava-se da peça Mariana Espera Casamento, de Jean-Paul Wenzel, encenada por Luís Miguel Cintra. Voltaria à companhia fundada por Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo em peças como Perversões de David Mamet, dirigida por Miguel Guilherme e José Pedro Gomes; Antes que a Noite Venha de Eduarda Dionísio, com Adriano Luz; Sangue no Pescoço do Gato de Fassbinder, de novo com Luís Miguel Cintra.

A ultima colaboração com a companhia foi um dos trabalhos que a atriz reconheceria como um dos mais significativos da sua carreira: Miserere, uma revisitação do Auto da Alma e de outras peças de Gil Vicente, onde Cintra procurava refletir, enquanto católico, sobre uma moral dominada pela culpa.

Outras participações no teatro incluem — em 1989 Como é Diferente o Amor em Portugal, adaptação da obra de Júlio Dantas, dirigida por Fernando Gomes; em 1991 Nunca Nada de Ninguém de Luísa Costa Gomes, encenado por Ana Tamen, que lhe valeu uma nomeação para o Prémio Garrett, da Secretaria de Estado da Cultura, para a Melhor Interpretação Feminina, do mesmo ano; em 1997 Peter Pan de James Barrie, encenado por António Pires, no São Luiz.

Com desempenhos assinaláveis no cinema, tem destaque no seu percurso a colaboração com o realizador João Canijo — com quem teve igualmente um relacionamento amoroso e de quem é considerada "atriz fetiche" — e também com o realizador João Botelho.

Com Canijo participou nos seguintes filmes: 1988 — Três Menos Eu (Festival Les Stars De Demain); 1990 — Filha da Mãe; 2001 — Ganhar a Vida (estreia na seccao Un certain regard do Festival de Cannes de 2001); 2004 — Noite Escura, filme português candidato (designado pelo Instituto de Cinema, Audiovisual e Multimédia) às nomeações para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro; 2012 - Sangue do meu Sangue; 2017 - Fatima; 2023 - Mal Viver e Viver Mal (Urso de Prata/ Premio do Júri na Berlinale de 2023).

Como referido, vários filmes de Canijo chegarão aos grandes festivais internacionais, alcançando Mal Viver e Viver Mal o Urso de Prata na Berlinale. A nível nacional, por duas vezes, a participação em projetos cinematográficos deste realizador levaram Rita Blanco a ser distinguida nos Globos de Ouro (prêmios da SIC e da revista Caras), na categoria de Melhor Atriz de Cinema (Ganhar a Vida e Sangue do meu Sangue).

Com o mesmo realizador viria igualmente a trabalhar em projetos teatrais (1988 — Crimes do Coração de Beth Henley; 1987 — Jogos de Praia de Whitehead; 1994 — Confissões ao Luar de Eugene O'Neill; 2002 — Sete Vidas de Rosa Lobato de Faria), e televisivos (1990 — Alentejo sem Lei; 1996 — Sai da Minha Vida; 2023 - Hotel do Rio).

Com Botelho trabalhou nos seguintes filmes: 2014 — Os Maias; 1994 — Três Palmeiras; 1999 Tráfico; 2003 — A Mulher que Acreditava Ser Presidente dos Estados Unidos da América; 2005 — O Fatalista.

De resto, participou em filmes de João Mário Grilo (1998 — Longe da Vista; 2002 — A Falha; 2000 — 451 Forte), José Nascimento (2000 — Tarde Demais), Teresa Villaverde (1998 — Os Mutantes), Manoel de Oliveira (1998 — Inquietude), João César Monteiro (1992 — O Último Mergulho) ou Jorge Silva Melo (1987 — Agosto; 1985 — Ninguém duas Vezes).

Em 2013 a sua participação em Amour, do realizador austríaco Michael Haneke, um drama sobre as relações familiares numa casa invadida pela doença de Alzheimer, dar-lhe-a grata experiencia (e também rara, entre atrizes de nacionalidade portuguesa), a participar num filme galardoado com o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro da Academia de Hollywood (2013) e com uma Palma de Ouro do Festival de Cannes (2012).

Na televisão, surgiu em fainais dos anos 1980 como protagonista de uma serie juvenil — A Tribo dos Penas Brancas, emitida em 1989. Pela mesma altura participou no conhecido programa destinado a criancas da RTP Rua Sésamo, e em A Mala de Cartão, uma co-producao internacional, que recriava a vida da cantora emigrante Linda de Suza, contando com a participação de nomes como Irene Papas ou Maurice Barrier, 1988). Integraria em seguida o coletivo humorístico de Herman José, junto de quem participou em Casino Royal (1989) e Crime na Pensão Estrelinha (1990), este ultimo considerado um dos melhores trabalhos do humorista. Voltaria a colaborar com Herman cerca de dez anos depois, num telefilme dedicado ao personagem Serafim Saudade, Serafim Saudade — o regresso do Herói (2001).

Entretanto, ainda na década de 1990 integrou o painel de comentadores do polemico programa A Noite da Má Língua (1994-1997) e foi coapresentadora, com Henrique Mendes e Catarina Furtado, do concurso Caça ao Tesouro (1994), ambos para a SIC.

A atriz foi participando em diversos outros projetos que a aproximaram do grande publico — Alentejo sem Lei e Sai da Minha Vida, de Joao Canijo (esta ultima como co-protagonista junto de Miguel Guilherme); Médico de Família (1998/2000); A Minha Sogra é uma Bruxa (2003). Com Tempo de Viver (2006) de Rui Vilhena, faria a sua estreia na TVI e em telenovelas.

Com Conta-me como Foi (2007–2009), uma série de época que recriava a Lisboa dos anos 1960, em pleno Estado Novo e na qual voltou a fazer par com Miguel Guilherme a atriz experimentou provavelmente o seu maior êxito de televisão, tanto para o público como na opinião da crítica.

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