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Rio de Contas (Bahia)

Município do Estado da Bahia, Brasil

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Rio de Contas é um município brasileiro do estado da Bahia. Com uma sede situada a uma altitude de pouco mais de 1000 metros, possui um dos maiores conjuntos arquitetônicos coloniais do estado e algumas das montanhas mais altas da Região Nordeste do Brasil, motivos pelos quais é um dos principais pontos turísticos do interior da Bahia e integra o polo de turismo ecológico da Chapada Diamantina, além de possuir povoados históricos originados dos antigos garimpos e quilombos. Seu nome deriva da antiga denominação do rio Brumado, em cujas margens surgiu o embrião da cidade ainda no século XVII: Rio de Contas Pequeno.

Rio de Contas foi uma das primeiras cidades planejadas do Brasil, quando então colônia de Portugal. A Vila de Nossa Senhora do Livramento das Minas do Rio de Contas foi criada em 1723 e teve sua sede transferida em 1745 para um local planejado por ordem do então vice-rei Conde de Sabugosa, no lugar chamado Pouso dos Crioulos, já existente desde o século XVII e próximo ao povoado de Mato Grosso, surgido em torno de 1710.

Rio de Contas foi habitado por vários índios primitivos habitantes da região, que são citados pelo etnólogo Curt Nimuendajú

A região de Rio de Contas foi originalmente habitada por povos indígenas, entre eles os Pataxó, conforme registros etnográficos e históricos. Estudos como os do etnólogo Curt Nimuendajú documentam a presença de grupos indígenas entre os rios Pardo e Contas, área que incluía o atual território de Rio de Contas. Há também referências à presença de aldeias Pataxó nas margens do rio de Contas durante os séculos XVIII e XIX, com impacto da colonização e deslocamento territorial ao longo do tempo.

A ocupação e povamento do território onde se encontra o município, bem como todo alto sertão baiano, se deu a partir do século XVII, com o sertanista baiano Antônio Guedes de Brito, por meio da pecuária, junto com seus vaqueiros. Ainda em meados do século XVII, escravos africanos alforriados e fugidos se fixaram na região de Rio de Contas, fundando o Pouso dos Crioulos, atual sede municipal.

Em 1690, a expedição de Manoel Oliveira Porto, Cônego Domingos Oliveira Lima, Francisco Ramos e o Padre Antônio Gonçalves Filgueiras descobriu o Pouso dos Crioulos, o qual, em poucos anos, se transformou em um ponto de pouso de viajantes vindos de Minas Gerais e Goiás que seguiam rumo a Salvador. Foi erguida, nestes tempos, uma capela em louvor a Senhora Santana.

Em 1710, o bandeirante paulista Sebastião Pinheiro Raposo descobriu ouro no leito do Rio Brumado, em seus afluentes e serras circunvizinhas. Com isso, houve um grande afluxo de portugueses, que lá se misturaram com baianos, posteriormente atraindo baianos de outras regioes, paulistas, mineiros, e pernambucanos para a região de Rio de Contas e surgiu o primeiro povoado nessa área, Mato Grosso (a uma altitude de 1.450 m), no qual jesuítas que acompanhavam os bandeirantes ergueram uma igreja em louvor a Santo Antônio.

Em 1715, logo após a descoberta de ouro pelos bandeirantes paulistas a jusante do Rio Brumado, 12 km abaixo do Pouso dos Crioulos, jesuítas ergueram uma capela em louvor a Nossa Senhora do Livramento, em torno da qual forma-se o povoado de Nossa Senhora do Livramento, que é o embrião da atual cidade de Livramento de Nossa Senhora.

Por meio de alvará de 11 de abril de 1718, Mato Grosso foi elevado à categoria de freguesia, com o topônimo de Santo Antônio do Mato Grosso, a primeira do Alto Sertão Baiano.

Em 1722, o então vice-rei do Brasil, Vasco Fernandes César de Meneses, em correspondência ao rei de Portugal D. João V, propôs a criação de uma vila em Rio de Contas, cuja criação foi determinada pelo Conselho Ultramarino.

A Carta Régia de 27 de novembro de 1723 determinou a criação da Vila de Nossa Senhora do Livramento das Minas do Rio de Contas, sediada no Arraial de Nossa Senhora do Livramento, sendo instalada no ano seguinte pelo sertanista baiano Pedro Barbosa Leal, que, em 1725, construiu uma estrada real ligando as vilas de Minas do Rio de Contas e Santo Antônio de Jacobina.

Em 13 de maio de 1726, uma provisão do Conselho Ultramarino determinou que se estabelecessem casas de fundição nas vilas de Nossa Senhora do Livramento das Minas do Rio de Contas e Jacobina para evitar a evasão do quinto do ouro.

Por causa de epidemias de malária e febres disentéricas na sede da vila de Minas de Contas na época da cheia do Rio Brumado, uma resolução de 2 de outubro de 1745, do vice-rei André de Melo e Castro, Conde das Galveias, autorizava a transferência da sede da vila para o antigo Pouso dos Crioulos, sendo a nova sede da vila instalada em 28 de julho do ano seguinte. A vila teve seu nome alterado para Vila Nova de Nossa Senhora do Livramento das Minas do Rio de Contas e o Arraial de Nossa Senhora do Livramento, antiga sede, passou a ser conhecido como Vila Velha.

Rica em ouro de aluvião, a vila viveu, na segunda metade do século XVIII, uma época de grande prosperidade econômica. As famílias mais ricas importavam da Europa peças de uso pessoal e de decoração e, numa celebração à abundância, pó de ouro era lançado nos Imperadores e Rainhas durante as procissões da festa do Divino Espírito Santo. Também são desta época os casarões em estilo colonial, hoje tombados pelo IPHAN. A sociedade da época era escravista e o africano escravizado era a mão-de-obra predominante na mineração.

O esgotamento do ouro, no início do século XIX, trouxe decadência econômica. Mesmo assim, Rio de Contas continuou sendo uma parada obrigatória no Caminho Real. Durante o século XIX, todo o tráfego para o sudoeste da bacia do Rio São Francisco era feito por esse caminho. Além disso, a Casa de Fundição trouxe à vila a técnica da joalheira, gerando uma metalurgia artesanal que se transformou na base econômica local. Desenvolveu-se também a agricultura, baseada no cultivo de café, cana, cereais e tubérculos.

Em 1840, a Vila Nova de Nossa Senhora do Livramento das Minas do Rio de Contas teve seu topônimo simplificado para Minas do Rio de Contas. Poucos anos depois, foram descobertas jazidas de diamantes em Mucugê e Lençóis e muitos habitantes de Rio de Contas migraram para lá.

Originalmente com um vasto território, a vila de Minas do Rio de Contas foi perdendo-o ao longo do século XIX e início do XX, com as seguintes emancipações: Caetité (1810), Mucugê (1847), Água Quente (atual Paramirim, 1878, alcançando sua emancipação definitiva em 1890), Bom Jesus do Rio de Contas (atual Piatã, 1878) e Vila Velha (atual Livramento de Nossa Senhora, 1921).

A Resolução Provincial n° 2.544, de 28 de agosto de 1885, concedeu à vila de Minas do Rio de Contas o título de cidade.

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