O rio Níger é o terceiro rio mais longo da África (depois do Nilo e do Congo) e o principal da África Ocidental, com cerca de 4 184 km de comprimento, sendo a área da bacia hidrográfica de aproximadamente 2 118 000 km². Nasce perto da fronteira entre a Guiné e a Serra Leoa e atravessa cinco países: Guiné, Mali, Níger, Benim e Nigéria.
Nasce nas montanhas dos Planaltos da Guiné, perto da fronteira entre a Guiné e a Serra Leoa, dirige-se para norte e depois para nordeste, passando por Bamaco, capital do Mali, e depois por Tombuctu, também no Mali. No meio do deserto do Saara, faz uma apertada curva para sueste, passando por Niamei, a capital do Níger. Serve de fronteira entre este país e o Benim e conflui no Golfo da Guiné, num enorme delta no sul da Nigéria. O seu principal afluente é o rio Benué.
Esta estranha forma em arco parece ser devida a este rio ter sido originado pela junção de dois rios: o que segue para nordeste desaguaria num lago interior, antes de o Saara se ter tornado um deserto (há cerca de 6 000 anos) e o que segue para sudeste teria origem nas montanhas próximas da atual curva. Por esta razão, o Níger tem uma grande importância histórica, uma vez que propiciava o abastecimento das caravanas que atravessavam o continente, e deu origem a cidades importantes, como as atuais capitais e ainda Tombuctu, património da humanidade, que já foi um grande centro urbano.
O Rio Níger é chamado, em língua mandinga, de Jeliba ("grande rio"); em língua ibo, de Orimiri ("água grande"); em línguas tuaregues, de Egerew n-Igerewen ("rio dos rios"); em songai, de Isa Ber ("rio grande") ou simplesmente de Isa ("rio") em zarma; em hauçá, de Cuara; e em língua iorubá, de Oiá. A origem do nome Níger, que originalmente só se aplicava ao meio do rio, é incerta. Pensa-se que o nome do rio Níger provém da expressão das línguas tuaregues gher n gherem, "rio dos rios". A possibilidade mais provável é uma alteração por influência do termo latino niger ("negro"), que é usado quando o rio passa por Tombuctu.
Os mapas europeus chamavam o rio de Níger quando ele chegava no meio de seu trajeto, e de Cuorra em seu curso inferior, uma vez que estes não foram reconhecidos como sendo o mesmo rio. Quando os colonos europeus começaram a enviar navios ao longo da costa ocidental da África nos séculos XVI e XVII, o rio Senegal foi, muitas vezes, tido como o final do Níger. A Nigéria e o Níger devem os seus nomes ao rio, marcando as reivindicações nacionais por potências coloniais da "Alta", "Baixa" e "Média" bacia do rio durante a partilha da África no final do século XIX.
O rio nasce em Tembacunda, em Futa Jalom, na Guiné. Uma característica incomum do rio é o delta interior do Níger, no qual a sua inclinação diminui. O resultado é uma região de correntes trançadas, pântanos e lagos do tamanho da Bélgica; as inundações sazonais fazem o Delta ser extremamente produtivo, tanto para pesca quanto para a agricultura.
O rio 'perde' quase dois terços de seu fluxo no Delta do Interior entre Segu e Tombuctu, devido a infiltração e evaporação. Toda a água do rio Bani, que desemboca no Delta em Mopti, não compensa as "perdas". A "perda" média é estimada em 31 quilômetros por ano, mas varia consideravelmente entre os anos. A quantidade de água que entra na Nigéria foi estimada em 25 quilômetros cúbicos por ano antes da década de 1980 e em 13,5 quilômetros cúbicos por ano durante a década de 1980. O mais importante afluente do Níger na Nigéria é o rio Benué, que se funde com o rio em Lokoja, na Nigéria. O volume total de afluentes na Nigéria é seis vezes maior do que o influxo para a Nigéria, com um fluxo perto da foz do rio situando-se em 177,0 quilômetros por ano antes da década de 1980 e 147,3 quilômetros cúbicos por ano durante a década de 1980.
O Níger tem uma das rotas mais incomuns dos grandes rios, uma forma de bumerangue que confundiu geógrafos europeus por dois milênios. A sua fonte localiza-se a apenas 240 quilômetros de distância do oceano Atlântico, mas o rio vai até ao deserto do Saara, então fazendo uma curva acentuada à direita, perto da antiga cidade de Tombuctu, e vai até o Golfo da Guiné. Essa geografia diferente, aparentemente, se deverá ao facto de o rio Níger ser um dos rios mais antigos do mundo. A parte norte do rio, conhecido como a curva do Níger, é uma área importante porque é a fonte de água que abastece o deserto do Saara. Isso o tornou um ponto importante do comércio no oeste do Saara, e o centro dos reinos do Sael, Mali e Gao.
A origem do nome do rio é obscura. O que está certo é que "Níger" foi uma denominação aplicada na era clássica, quando os europeus já conheciam a região. Um estudo cuidadoso dos escritos clássicos sobre o interior do Saara começa com Ptolomeu, que menciona dois rios no deserto: o "Gir" e, mais ao sul, o "Ni-Gir". O primeiro tem sido identificado como o Ghir Wadi na borda noroeste do Tuat, ao longo das fronteiras do Marrocos e da Argélia. Relatos indicam que romanos viajaram para o "Ger", embora, nos relatos, nenhum rio tenha seu nome derivado da língua berbere, na qual "gher" significa "curso de água". Caio Plínio Segundo relatou estes dois rios como um curso de água que fluiu muito tempo no Nilo, uma impressão que árabes e europeus tinham até ao século XIX. A conexão com o rio Nilo foi feita não apenas porque este era, então, conhecido como o grande rio de "Etiópia" (nome pelo qual todas as terras ao sul do deserto do Saara foram chamados por escritores clássicos), mas porque o Nilo inundava todos os verões. Na Europa e na Ásia Ocidental, as inundações são esperados na primavera, depois de a neve derreter. Os comentários de Leão Africano e de ibne Batuta fizeram o mito que liga o Níger ao Nilo persistir.
Os antigos romanos, como Plínio, pensavam que o rio, perto de Tombuctu, fazia parte do rio Nilo, enquanto os primeiros exploradores europeus pensavam que este fluía a oeste e juntava-se ao rio Senegal.
Muitas expedições europeias foram feitas no rio. Em 1788, a Associação Africana foi formado na Inglaterra, para promover a exploração da África na esperança de localizar o Níger, e em junho de 1796 o explorador escocês Mungo Park foi o primeiro europeu a chegar no rio. O verdadeiro curso do rio foi citado em seu livro Viagens no Interior da África, que foi publicado em 1799.
No século XIX, o primeiro navio a vapor navegou no rio. O navio fora construído pelo estaleiro Laird em 1832. Macgregor Laird projetou um navio a vapor de rodas, o Alburca, que fez a expedição até a África Ocidental. Macgregor Laird assumiu o comando pessoal da expedição. O navio Alburca foi saiu de Milford Haven, no País de Gales, em julho de 1832 com 48 pessoas a bordo, atingindo a foz do Níger três meses mais tarde, e entrando na história como o primeiro navio de ferro a navegar no rio. Depois de fazer seu caminho até uma das muitas correntes do delta do Níger, o Alburca progrediu ao rio principal. A expedição tinha, como propósito, mostrar que o Níger oferecia uma rota de navegação. Quando o Alburca voltou para Liverpool em 1834, apenas nove da tripulação original de 48 pessoas estavam vivos. Macgregor Laird chegou à cidade com a saúde debilitada.
Em 24 de outubro de 1946, três franceses, Jean Sauvy, Pierre Ponty e o cineasta Jean Rouch, foram os primeiros a viajar por toda a extensão do rio. Eles viajaram desde o início do rio perto de Cissidugu na Guiné, andando primeiramente em uma balsa. Dois deles atingiram o oceano em 25 de março de 1947ː Pierre Ponty tinha abandonado a expedição em Niamey, um pouco além da metade do rio. Eles levaram uma câmera e filmaram a expedição. As imagens deram, a Jean Rouch, seus dois primeiros documentários etnográficos: Au Pays des mages noirs (No país dos magos negros) e La chasse à l'hippopotame (A caça ao hipopótamo). As imagens foram usadas para escrever o livro Le Níger En Pirogue (O Níger em piroga) (de Fernand Nathan, 1954), e também o livro Descente du Niger (Descida do Níger) (L'Harmattan, 2001). Uma máquina de escrever foi levadaː assim, Pierre Ponty fez artigos para um jornal, que ele enviava sempre que podia.