Rinat Fayzrakhmanovich Dasayev ou Rinat Fäyzeraxman ulı Dasayev - respectivamente, em russo, Ринат Файзрахманович Дасаев e, em tártaro cirílico, Ринат Фәйзерахман улы Дасаев (Astracã, 13 de junho de 1957) é um ex-futebolista russo de origem tártara, considerado um dos maiores goleiros da história. Seu sobrenome Dasayev (no alfabeto latino da língua tártara) costuma ser grafado na mídia ocidental também como "Dasaev", "Dassaev" ou "Dassaiev", dentre outras variações.
Considerado o sucessor de Lev Yashin na antiga seleção soviética, com ela Dasayev foi medalha de bronze nas Olimpíadas de 1980, disputou três Copas do Mundo FIFA e a Eurocopa 1988, da qual foi vice-campeão e eleito o melhor goleiro da competição. Nas Copas, sobressaiu-se em especial na de 1982, com sua atuação contra o Brasil continuando relembrada décadas depois como um "pesadelo" para o adversário, na expressão usada em 2002 pela revista Placar. A conclusão de que os brasileiros teriam evitado a Tragédia do Sarriá e sido campeões daquela edição caso tivessem Dasayev no gol foi opinada já na época pela imprensa, inclusive em avaliações de Alfredo Di Stéfano, João Saldanha e de Helenio Herrera, e repassada até mesmo pelo treinador Telê Santana ao próprio Dasayev.
O russo foi eleito o goleiro do time ideal da década de 1980 pelo Jornal do Brasil, período no qual chegou a ser usado até como metáfora em debate político, em que deputado amazonense reclamou sobre opositor que este teria "tanta capacidade de liderança quanto eu de fazer um gol no Dasayev". O impacto daquela exibição entre os brasileiros também fez Dasayev ser mencionado anos mais tarde como o goleiro preferido de adversários como Júnior, em 1993 e em 1994, e Sócrates, em 1995; também ser eleito o goleiro do time ideal escalado em 2008 por Leonardo, e mencionado reiteradamente como referência principal de goleiros vencedores da Copa como Taffarel, em 1990 e em 2018, e Dida - em declarações que este deu em 1993, 1994, 2003 e 2006. Elogiado publicamente também por Zizinho e Raul Plassmann, o goleiro russo também inspirou no Brasil a escolha de nomes de cavalo de corrida; empresas (em 1998); e de cidadãos brasileiros, alguns dos quais, também futebolistas, em clubes como Náutico (Dasaev, também goleiro) ou Ceará (Dassayev, volante).
Mencionado seguidamente entre 1982 a 1988 na Bola de Ouro pela revista France Football, Dasayev foi eleito o melhor goleiro do mundo em 1988 pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol. A nível de clubes, desempenhou-se por Volgar Astracã e Spartak Moscou enquanto a Guerra Fria impedia-o de transferir-se ao mundo ocidental, apesar de propostas do Flamengo em 1982, na qual até o embaixador soviético no Brasil pronunciou-se, e em 1986; ou do Manchester United em 1987, em uma das primeiras negociações solicitadas por Alex Ferguson. Entre 1987 e 1988, com a Perestroika lhe permitindo escolha, também teve ofertas de Internazionale, Juventus, Milan, Sampdoria, Atlético de Madrid, Tottenham Hotspur, Bordeaux e Hamburgo até optar pelo Sevilla. Encerrou a carreira nesse clube espanhol, em 1991, recusando proposta de estende-la no Internacional, que buscava repor a saída precisamente de Taffarel, após já ter tentado contratar o russo ainda em 1983.
Dasayev é cidadão russo do povo tártaro, nascido no litoral do Mar Cáspio. O pai, Faizrakhman Salimovich Dasayev (ou Fäyzraxman Sälim ulı Dasayev, na língua tártara), trabalhava na feira de peixes e a mãe, Shafika Khusainovna Dasayeva (ou Şäfiqä Xösäyen qızı Dasayeva), era despachante do porto fluvial. O casal também teve outro filho, Rafik, que por sua vez dedicou-se à construção civil.
Os Dasayev foram criados no islamismo, e o jogador sempre se afirmou devoto dessa religião. Chegava a usar o alcorão como amuleto, incluindo-o dentro da bolsa em que guardava rente a trave um par extra de luvas. Seria presente de um mulá, que o havia orientado a sempre carregar o livro consigo, conforme explicou em 2008 - em entrevista na qual também relembrou como seu treinador Konstantin Beskov e o dirigente Nikolay Starostin respeitavam sua fé: "Beskov me liberou por um dia antes de me preparar para os feriados muçulmanos para que eu pudesse ir à mesquita". Em outra declaração, reconheceu que todos os colegas sabiam dos hábitos do goleiro embora religiões não fossem bem recebidas na União Soviética, chegando a ser orientado por alguém do alto escalão da KGB a ser mais discreto; o interlocutor, embora falasse gentilmente, justificava-se que ele mesmo teria mais liberdade na vida religiosa particular por não ser uma figura tão famosa quanto Dasayev, que seria alguém "à vista e aos olhos de todos".
Sua cidade natal de Astracã situa-se também nas margens do Rio Volga e próxima ao Cazaquistão, terra da ginasta Nelli Gaas (Нелли Гаас, no alfabeto cirílico), descendente de alemães do Volga. Conheceram-se em 1983 e casaram-se em janeiro de 1985, na capital da República Socialista Soviética Cazaque, a cidade então nomeada Alma-Ata. Primeira filha do casal, Elmira Dassaeva Gaas nasceu em 4 de abril de 1986, em Moscou. O casal também teve Cristina Dassaeva Gaas, nascida em 1990 na Espanha. O casamento terminou pouco depois e elas três radicaram-se nesse país, criadas pela mãe em Zaragoza, onde ela passou a dar aulas de ginástica, ainda sendo à altura de 2006 técnica do Club Deportivo Zaragozano de Gimnasia. Elmira veio a naturalizar-se, competindo como espanhola nas competições de ginástica aeróbica, na qual chegou a ser líder do ranking mundial em 2007.
O casamento teria se abalado por Dasayev ceder a tentações de outras mulheres, do álcool e do ganho financeiro obtido no futebol espanhol, segundo seu agente, a contextualizar que "vocês, jovens, não entendem muito bem o que são 300 mil dólares em 1991. Um apartamento de três quartos no centro de Moscou custava três mil. Uma datcha em Rublyovka, no máximo dez mil!". O vício no álcool teria se adquirido com a decadência da carreira em 1990 e o estopim do divórcio, um acidente automobilístico que causara embriagado em julho de 1991. O goleiro, inicialmente, também radicou-se na Espanha, como proprietário de loja esportiva em Sevilha, a ponto de também ajudar como intérprete em excursões feitas na cidade pelas seleções independentes da Letônia (em 1992) e da Lituânia (em 1993).
A tentativa empresarial não prosperou, mas Dasayev seguiu na cidade reempregado pelo Sevilla como treinador de goleiros, inicialmente na comissão técnica formada em 1994 por Luis Aragonés. Naquele ano, iniciou relação com sua segunda esposa, a espanhola María del Mar, então garçonete do bar sevilhano que mais frequentava e a quem credita a superação da crise pessoal que vivia. Adotou o filho que ela já tinha, Miguel. Com a nova família, voltou em 1998 a morar na Rússia, ao ser contratado como treinador de goleiros do Spartak Moscou. Deixou esse trabalho já em 1999, mas seguiu no país natal, inicialmente na federação de automobilismo. Em agosto de 2003, voltou a ser treinador de goleiros, dessa vez na seleção russa, inicialmente na comissão técnica de Georgiy Yartsev. Esteve na delegação presente na Eurocopa 2004. Deixou o cargo em abril de 2005, mas o reocupou em agosto de 2006, já na comissão técnica liderada por Guus Hiddink. Entre 2007 e 2008, também exerceu a função no Torpedo Moscou, novamente com Yartsev.
Casou-se civilmente em 2002 com María, com quem teve mais três filhos: a nascida na Espanha recebeu o nome nativo de Beatriz assim como os nascidos em Moscou receberam os nomes tártaros de Aliya e Salim, em um lar bilíngue entre castelhano e o idioma russo aprendido por María e por Miguel; o filho adotivo, registrado como Miguel Ángel Dasaev Moreno, viria a ser intérprete para treinadores russos em trabalhos na Espanha. Por outro lado, a relação com as primeiras filhas tornou-se distante, sem que Elmira e Cristina ainda houvessem à altura de 2007 conhecido os meios-irmãos. Em 2021, noticiou-se que elas e o pai têm contato "periódico" por chamadas.