Riga (em letão: Rīga, pronunciado: [ˈriːɡa] ()) é a capital e a maior cidade da Letônia. Está localizada no nordeste da Europa, sendo banhada pelo mar Báltico e situado-se no coração do golfo de Riga, na foz do rio Duína Ocidental. É a mais importante cidade da Letônia, principal centro político, cultural, populacional e econômico do país. Segundo dados de 2013, possuí uma população de 643 615 habitantes, ou aproximadamente um terço da população letã no mesmo período. É a mais populosa das capitais bálticas, e a segunda maior área metropolitana da região, depois da região metropolitana de Vilnius.
Para fins administrativos, Riga é uma cidade independente e está localizada no distrito de Riga.
O centro histórico de Riga foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, e a cidade é particularmente notável por sua arquitetura Art Nouveau (Jugendstil), comparável em importância a Viena, São Petersburgo e Barcelona.
As viagens de lazer e a negócios a Riga cresceram bastante nos últimos anos graças à melhoria da infraestrutura comercial e de transporte. Riga, como cidade portuária, é importante entroncamento de transporte, e é o centro do sistema de rodovias e ferrovias do país. A maioria dos turistas chega de avião pelo aeroporto internacional, que foi modernizado em 2001, coincidindo com os 800 anos da cidade. A cidade é ligada por ferry-boats com Estocolmo, Kiel e Lübeck. Riga também sediou duas bases aéreas durante a Guerra Fria: Rumbula e Spilve.
Quase todas as instituições financeiras importantes localizam-se em Riga, incluindo-se o Banco da Letônia, que também funciona como banco central. O comércio exterior através de Riga tem crescido nos últimos anos, e recebeu novo ímpeto após 1 de maio de 2004 quando a Letônia ingressou na União Europeia. Riga responde por cerca de metade da produção industrial letã, com ênfase no setor financeiro, serviços públicos, alimentos e bebidas, remédios, processamento de madeira, imprensa e publicações, têxteis, móveis e equipamentos de comunicação. O porto da cidade é importante centro de cargas.
Maior cidade dos países bálticos, tem sofrido entretanto um decréscimo populacional persistente. Este declínio tem se tornado particularmente evidente após 1991 como resultado primeiro de uma emigração de russos étnicos, e posteriormente tanto de russos quanto de letões, principalmente para o Reino Unido e a Irlanda, aliado a uma reduzida taxa de natalidade. Estima-se que a população cairá para metade da atual por volta de 2050. A estimativa de população em 2006 era de 727 578 habitantes. Os letões nativos são cerca de 43% da população, com percentagem quase idêntica de russos. Como comparação, os letões compõem cerca de 59% da população do país. Os russos são 28,5%, os bielorrussos 3,8%, os ucranianos 2,5%, os poloneses 2,4%, os lituanos 1,4% e os demais 2,4% são formados por outras nacionalidades (2006). A maioria dos letões são protestantes da Igreja Evangélica Luterana, ou são católicos romanos, enquanto a maioria dos russos pertence à Igreja Ortodoxa Russa. Após a independência da Letônia em 1991, todos os não-letões cujas famílias chegaram ao país após a anexação de 1940 perderam a sua cidadania. Como resultado, um grande número saiu do país, resultando em declínio populacional. Outro resultado deste êxodo é que a população das cidades sofreu ligeiro aumento.
A cidade está situada num antigo assentamento dos livônios, uma antiga tribo fínica, na confluência dos rios Duína Ocidental e Ridzene. Este último era antigamente conhecido como rio Riga no ponto onde existia um porto natural chamado lago Riga. Ambos desapareceram. Acredita-se que o nome do antigo rio tenha dado origem ao da cidade.
A fundação da moderna Riga é atribuída pelos historiadores à chegada de comerciantes germânicos, mercenários e cruzados na região, na segunda metade do século XII, atraídos pela região pouco povoada, pelo mercado potencial e pelas oportunidades missionárias de conversão religiosa da população local ao cristianismo. Mercadores alemães estabeleceram um entreposto para comércio com os povos bálticos, próximo ao assentamento Liv em Riga em 1158. O monge agostiniano Meinhard construiu um mosteiro por lá por volta de 1190.
O bispo Alberto de Buxhoeveden foi nomeado bispo da Livônia por seu tio Hartwig, Arcebispo de Bremen e Hamburgo, em 1199. Ele chegou a Riga em 1201 com 23 navios e mais de 1500 cruzados em armas, tornando Riga seu bispado. Ali estabeleceu a Ordem dos Irmãos Livônios da Espada (que posteriormente se tornou um ramo dos Cavaleiros Teutônicos) e garantiu foros de cidade a Riga no mesmo ano. Albert foi bem-sucedido na conversão de Kaupo de Turaida, rei dos Livônios, ao cristianismo. Apesar disso, tal como relatado em Heinrici Cronicon Lyvoniae, foram necessárias três décadas para obter-se o controle completo da Livônia (alemão: Livland). Riga, assim como a Livônia e a Prússia ficaram sob os auspícios do Sacro Império Romano-Germânico. Não muito depois, nos tempos de Martinho Lutero, estas três regiões se converteram ao protestantismo.
Riga serviu de porta para o comércio com as tribos bálticas e com o Império Russo. Em 1282, a cidade tornou-se membro da Liga Hanseática (alemão: Hanse). A liga desenvolveu-se a partir de uma associação mercantil e política frouxa entre cidades alemãs e bálticas. Graças ao seu protecionismo econômico que favoreceram seus membros germânicos, a liga foi muito bem-sucedida, porém suas políticas de exclusão produziram competidores. Sua última assembleia reuniu-se em 1669, apesar de seus poderes terem se enfraquecido bastante por volta do final do século XIV, quando as alianças políticas entre a Lituânia e a Polônia, e entre a Suécia, Dinamarca e Noruega limitaram sua influência. Apesar disso, a Hansa foi importante para dar à cidade estabilidade política e econômica, dando-lhe assim uma importância que resistiu às conflagrações políticas que ocorreram posteriormente.
À medida que a influência da Hansa decaía, Riga tornava-se objeto de interesses militares, políticos, religiosos e econômicos externos. Riga aceitou a Reforma protestante em 1522, pondo fim ao poder dos arcebispos. Em 1524, uma estátua venerada da Virgem Maria na catedral foi denunciada como bruxaria e submetida a um julgamento, sendo arremessada no rio Duína Ocidental. A estátua flutuou, e por isso foi denunciada como bruxaria e queimada em Kubsberg. Com o fim dos Cavaleiros Teutônicos, em 1561, Riga teve por 20 anos o status de Cidade Imperial Livre. Posteriormente, em 1581, a cidade passou à influência da República das Duas Nações. Tentativas de reinstituir o catolicismo romano em Riga e no sul da Livônia falharam pois, em 1621, Riga e a fortaleza de Daugavgriva que a cercava ficaram sob o governo de Gustavo Adolfo, rei da Suécia, que interveio na Guerra dos Trinta Anos não apenas para obter ganhos políticos e econômicos, mas também em favor dos protestantes luteranos. Durante a Guerra Russo-Sueca de 1656-1658, Riga resistiu ao cerco dos russos. Riga foi a segunda maior cidade sob domínio sueco até 1710, período no qual a cidade gozou de grande autonomia de governo. Naquele ano, durante a chamada Grande Guerra do Norte, a Rússia, sob o governo do czar Pedro o Grande invadiu Riga. A dominância sueca terminou, e a Rússia emergiu como a grande potência do norte, formalizada pelo Tratado de Nystad em 1721. Riga foi anexada à Rússia e se tornou uma cidade portuária industrializada do Império Russo, no qual permaneceu até a Primeira Guerra Mundial. Por volta de 1900, Riga era a terceira cidade da Rússia (atrás de Moscou e de São Petersburgo) em número de trabalhadores industriais.
Durante estes vários séculos de guerra e mudanças de poder no Báltico, os balto-alemães de Riga, sucessores dos mercadores e dos Cruzados de Alberto, mantiveram sua posição dominante apesar das mudanças demográficas. Riga até mesmo utilizou a língua alemã como oficial na administração até a imposição da língua russa em 1891 como oficial nas províncias bálticas. Todos os registros de nascimento, casamento e mortes foram mantidos em alemão até aquele ano. Entretanto, os letões suplantaram os alemães como maior grupo étnico na cidade em meados do século XIX, e por volta de 1897 a população era 45% letã (contra 23,6% em 1867), 23,8% alemã (contra 42,9% em 1867), 16,1% russa, 6% judia, 4,8% polonesa, 2,3% lituana e 1,3% estoniana. O surgimento de uma burguesia letã tornou Riga um centro do "despertar nacional letão" com a fundação da Associação Letã de Riga em 1868 e a organização do primeiro festival nacional da canção em 1873. O movimento nacionalista dos Jovens Letões foi seguido pelo socialista "Corrente Nova" durante a rápida industrialização da cidade, culminando na Revolução Russa de 1905, liderada pelo Partido Social Democrata dos Trabalhadores Letões.