Sir Ridley Leighton Scott, Kt (South Shields, 30 de novembro de 1937) é um renomado diretor e produtor de cinema britânico, notório por realizar grandes produções de ficção científica, suspense e épico mesclando ocasionalmente os três gêneros em uma mesma obra. Ao longo de uma extensa e aclamada carreira cinematográfica, Scott dirigiu alguns dos filmes mais bem-sucedidos de sua geração, como o suspense Alien (1979), o distópico Blade Runner (1982), o filme de aventura Thelma and Louise (1991) e os épicos Gladiator (2000), Black Hawk Down (2001) e Kingdom of Heaven (2005). É irmão do também cineasta Tony Scott.
Tendo iniciado sua carreira no mercado de anúncios televisivos, onde aprimorou suas habilidades criativas ao realizar curta-metragens para comerciais de televisão, o trabalho de Scott é conhecido por seu estilo visual impactante, altamente concentrado e atmosférico. A maioria de seus filmes se desenrolam em períodos de tempo fixos que o permitem intensamente e detalhadamente o respectivo cenário social, como a sociedade romana em Gladiator, o período das Cruzadas em Kingdom of Heaven e a Inglaterra medieval em Robin Hood. Alguns de seus filmes também se destacaram pela inserção de personagens femininos de destaque na trama.
Scott foi indicado por três vezes ao Óscar de Melhor Diretor pela realização de Thelma & Louise, Gladiator e Black Hawk Down, respectivamente. Gladiator venceu o Óscar de Melhor Filme, categoria a qual seria indicado o ficção científica The Martian (2015). Em 1995, Scott recebeu um BAFTA honorário por "sua contribuição ao cinema britânico". Em 2003, o diretor foi condecorado cavaleiro pela Rainha Isabel II por seus destacados serviços à cultura inglesa.
Scott nasceu em 30 de novembro de 1937 em South Shields, no condado inglês de Durham; sendo filho de Elizabeth Williams e Francis Percy Scott. Seu tio-avô Dixon Scott foi um pioneiro da cadeia de cinemas locais e possuía diversas salas de cinema nos arredores de Tyneside. Um de seus cinemas, o Tyneside Cinema, ainda está em funcionamento em Newcastle e é um dos cinejornais remanescentes no país. Nascido pouco antes da Segunda Guerra Mundial, Scott cresceu em família militar. Seu pai era oficial na Royal Engineers e esteve ausente por serviço durante a maior parte de sua infância. Seu irmão mais velho, Frank, ingressou na Marinha mercante britânica e acabou afastando-se do convívio familiar. Neste período, a família mudou-se diversas vezes; viveram em Cumberland, País de Gales e até na Alemanha. Seu irmão mais novo, Tony, também ingressou na carreira cinematográfica. Após a guerra, a família retornou a Durham e estabeleceu-se em Hartburn, uma área intensamente industrial que mais tarde seria citada por Scott como sua inspiração para os cenários de Blade Runner. Seu interesse por ficção científica teve início com suas leituras dos romances de H. G. Wells. Também foi influenciado por filmes de ficção científica como It! The Terror from Beyond Space, The Day the Earth Stood Still e Them! Scott afirmou anos mais tarde que tais filmes "o levaram a fazer um pouco do mesmo", mas cita como sua grande inspiração o clássico 2001: A Space Odyssey. "Assim que eu vi aquilo, soube que poderia fazer igual", disse Scott sobre o filme de Stanley Kubrick.
Na juventude, Scott ingressou no Royal College of Art de Londres, onde colaborou com a revista universitária ARK e ajudou a fundar o departamento de cinema da instituição. Nos anos finais, Scott realizou um curta-metragem em preto e branco intitulado Boy and Bicyle estrelando seu pai e seu irmão Tony. Em fevereiro de 1963, Scott figurou como "Designer" nos créditos finais do programa televisivo Tonight. Após sua graduação no mesmo ano, conseguiu uma vaga como estagiário de cenários na BBC, culminando em seu trabalho na popular série televisiva Z-Cars e na série de ficção centífica Out of the Unknown. Scott também seria um dos produtores de The Daleks, participando da parte criativa dos monstros da série. Contudo, um conflito de agendas levou a sua substituição por Raymond Cusick. Em 1968, Scott fundou a Ridley Scott Associates (RSA), sua primeira companha produtora ao lado do irmão Tony. Colaborando com Alan Parker, Hugh Hudson e Hugh Johnson, Scott realizou diversos comerciais de televisão ao longo da década de 1970, incluindo comerciais.
Anos 70: The Duellists e Alien
The Duellists, lançado em 1977, marcou o primeiro grande filme de Scott como diretor. Rodado na Europa das Guerras Napoleônicas, o filme foi indicado ao prêmio principal do Festival de Cannes e recebeu um prêmio de Melhor Estreia. The Duellists teve um limitado impacto comercial, no entanto. O filme narra os oficiais hussardos D'Hubert e Feraud (Keith Carradine e Harvey Keitel, respectivamente) cuja discordância sobre um pequeno incidente se torna uma forte disputa por mais de quinze anos. O filme foi aclamado por sua fidelidade histórica aos cenários e figurino da época retratada. Em 2013, o filme foi relançado em Blu-ray e recebeu uma nota dissertativa sobre sua realização.
Nos anos seguintes, Scott havia planejado adaptar uma versão de Tristão e Isolda, mas mudou de ideia e se convenceu do potencial dos efeitos visuais em grandes produções de cinema após assistir Star Wars (1977). Dois anos mais tarde, Scott aceitou assumir a direção da ação de ficção científica Alien, produção considerada um divisor de águas em sua carreira e nos filmes do gênero que envolvem monstros e criaturas originais. Scott decidiu também inverter a trama e transformar a personagem Ellen Ripley em heroína única do filme. Ripley, interpretada por Sigourney Weaver), figurou nos quatro primeiros filmes da subsequente franquia Alien e tornou-se um ícone da cultura popular. A cena final do personagem de John Hurt foi referenciada diversas vezes, sendo um dos momentos mais memoráveis da história do cinema internacional. Com a maior parte das cenas rodadas nos Shepperton Studios, em Londres, Alien foi uma das seis maiores bilheterias de 1979, arrecadando 104 milhões de dólares em todo o mundo. Décadas mais tarde, Scott liderou o processo de restauração digital do filme e declarou estar planejando a realização de um eventual quinto título da franquia. Contudo, durante uma entrevista em 2006, o diretor afirmou sua decepção com a edição especial de Alien, afirmando que o filme original sem edições ou cortes era "muito mais perfeito" e que tais adições seriam "apenas uma peça de marketing". Entretanto, Scott retomaria o enredo na realização de Alien: Covenant e Promotheus na década de 2010.
Anos 80: O sucesso de Blade Runner
Após um ano trabalhando na adaptação cinematográfica de Dune e após a morte precoce de seu irmão Frank, Scott fechou contrato para dirigir a versão do romance de ficção científica Do Androids Dream of Electric Sheep?, de Philip K. Dick. O projeto rebatizado como Blade Runner e estrelado por Harrison Ford (que encontrava-se no auge de seu reconhecimento internacional após sua performance bem-sucedida nos dois primeiros filmes da franquia Star Wars) foi uma decepção comercial na época de seu lançamento, porém nos anos recentes têm sido considerado uma das maiores realizações do cinema do gênero e da carreira de Scott. Em 1991, comentários de Scott foram utilizados pela Warner Bros. para criar uma versão especial com cortes do diretor que removeu as vozes dos personagens originais e inseriu uma série de outras mudanças, incluindo no desfecho da trama. Posteriormente, Scott liderou pessoalmente uma restauração digital do filme e lançou-o como Blade Runner: The Final Cut em Los Angeles, Nova Iorque e Toronto em 5 de outubro de 2007.
Atualmente, Blade Runner é citado pela crítica como um dos mais importantes e influentes filmes de ficção científica já produzidos, devido especialmente aos cenários que retratam uma cidade futurística. O filme é alavancado ao lado do romance Neuromancer, de William Gibson, como um dos iniciadores do gênero cyberpunk. Stephen Minger, biólogo celular do King's College, afirma que o filme "estava muito a frente de seu tempo e de toda a premissa da história - o que é ser humano e o que somos, de onde viemos? São perguntas longínquas." Scott descreve o filme como seu "mais completo e pessoal trabalho".