Neste Dia

Ricardo Bochini

Futebolista argentino

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Ricardo Enrique Bochini (Zárate, 25 de janeiro de 1954) é um ex-futebolista argentino. É considerado por críticos como um dos maiores jogadores de seu país em todos os tempos e o maior ídolo da história do Independiente, o único clube em que atuou em sua carreira de dezenove anos, entre 1972 e 1991. Ganhou treze títulos oficiais pela instituição — dentre os quais, cinco das sete Taças Libertadores da América e as duas Copas Intercontinentais da equipe, onde obteve mais títulos internacionais do que locais (que foram quatro). Desde 17 de julho de 2007, um trecho da rua Cordero, que passa pelo estádio do Independiente, foi batizado com o nome do ex-jogador.

Por seu time, marcou 107 gols em 740 jogos oficiais, e pela seleção argentina, nenhum em suas 28 partidas por ela. Se notabilizou pela visão de jogo, por seus passes, que tornaram alguns de seus colegas goleadores, em jogadas precisas que ficaram conhecidas como bochinescas. Ele mesmo admitiu que sentia mais prazer em entregar a bola para um companheiro fazer um gol do que simplesmente empurrá-la para as redes, a não ser que o lance lhe obrigasse a driblar marcadores.

Não fez tantos gols, porém alguns deles foram decisivos e se tornaram bastante lembrados: um, em seu segundo ano de carreira, valeu o título da Taça Intercontinental de 1973 - sobre a Juventus e na Itália. No ano seguinte, marcou um na decisão da Taça Libertadores da América do ano, contra o São Paulo.[carece de fontes?] Outro foi quando fez o clube de Avellaneda sagrar-se campeão argentino de 1977 com oito jogadores em campo, a quatro minutos do fim de uma dura final fora de casa, contra o Talleres de Córdoba. E, em 1978, fez os dois gols de novo título argentino, sobre o River Plate.

Foi, pelo Independiente, o jogador que mais jogou (com mais de 200 partidas à frente do segundo) e mais títulos conquistou, além de sétimo maior artilheiro. Chegou a passar brevemente pela equipe também como treinador, sem o mesmo sucesso. "Como jogador nunca saí do Independiente, que foi o clube que me deu tudo. Cheguei lá com 15 anos e estreei no time principal com 18. Depois fiquei até me aposentar. Isso é amor.", declarou certa vez. Foi ainda um raro jogador prestigiado por outras torcidas na Argentina que não apenas a de seu clube, mesmo não tendo feito tanto sucesso na seleção: defendeu a Argentina durante treze anos, sendo campeão mundial em 1986, mas sem ter sido protagonista.

Começou no futebol em um pequeno clube de sua cidade natal, o Belgrano de Zárate. Posteriormente, tentou ingressar numa equipe não muito maior, o Villa Dálmine, da cidade vizinha de Campana. O Dálmine quis ficar com ele, mas Bochini teve de voltar à Zárate após seu pai, Antonio, que precisava sustentar oito filhos além de si e da esposa, ter um pedido de trabalho junto ao clube negado. Bochini, torcedor do San Lorenzo — alguns de seus maiores ídolos da infância eram personalidades sanlorencistas, como José Sanfilippo, Carlos Veglio e Alberto Rendo —, aos quinze anos aproveitou o fato de um conhecido seu ter relações com este outro clube e foi à capital federal fazer um teste nele. Porém, veio a se decepcionar enormemente com a desorganização estrutural da equipe e com certo descaso para consigo: passou um dia lá, mas não conseguiu sequer ser observado.

Meses depois, procurou o Boca Juniors. Mesmo com indicação do próprio Alberto Jacinto Armando, o presidente boquense, que conhecia distantes familiares de Bochini, o jovem foi testado por apenas vinte minutos e logo mandado embora para que outro pudesse também ser avaliado; consideraram-no magro demais e apenas razoável. Na quarta tentativa, já no Independiente, finalmente teve sucesso. Afirma-se que Nito Veiga, histórico nome do clube de Avellaneda e que foi o responsável por observar o teste de Bochini, se convenceu do espantoso talento do menino em menos de cinco minutos. Veiga é considerado por ele o melhor técnico que teve, ao lado de Roberto Ferreiro e José Omar Pastoriza.

Após ser aprovado, o garoto teve de conviver com cinco horas diárias por ônibus, trem e metrô para ir, e depois para voltar, pelo trajeto Zárate-Avellaneda, por vezes ficando sem comer. Houve um momento em que a falta de dinheiro fez com que deixasse de poder ir aos treinamentos por alguns meses. Bochini teve então de ficar trabalhando junto com o pai em alvenaria, até um delegado do Independiente ir pessoalmente à Zárate saber as razões do sumiço do jovem promissor. Depois da informação sobre as razões de Bochini chegar à direção, o clube passou a lhe custear três despesas semanais de transporte.

Bochini aguentou tal situação por um ano, quando enfim pediu que a ajuda de custo fosse direcionada para que ele se mantivesse em algum lugar mais próximo. Concordaram, arranjaram-lhe um lugar nas instalações da instituição e conseguiram-lhe um trabalho em um curtume para que tivesse alguma renda própria. Ele só deixou a pensão no clube já depois de ter estreado no time profissional, quando foi então acolhido na casa dos pais do colega Daniel Bertoni, com quem formou uma dupla das mais celebradas do futebol argentino.

Quando Bochini chegou ao Independiente, a equipe havia passado por sua década mais vitoriosa até então. Até os anos 60, havia sido três vezes campeã argentina profissional, sendo o menos vitorioso nacionalmente dos cinco grandes clubes argentinos. Naquele decênio, então, os Diablos Rojos, como são conhecidos seus jogadores, haviam logrado outros três títulos nacionais e, mais além, tornando-se os primeiros argentinos a conseguirem a Taça Libertadores da América, alcançando um bicampeonato seguido em 1964 e 1965.[carece de fontes?] Na época em que Bochini estava prestes a ascender à equipe principal, alguns dos principais nomes daquela década haviam se aposentado ou saído do clube. Eram os casos de Roberto Ferreiro, Raúl Savoy, Raúl Bernao, Tomás Rolán, Luis Artime, Rubén Navarro, Héctor Yazalde, Luis Suárez, Jorge Maldonado, Idalino Monges, David Acevedo, Vicente de la Mata, Mario Rodríguez, Osvaldo Mura e Aníbal Tarabini. No ano anterior ao ingresso de Bochini entre os profissionais, o clube faturara novo título argentino, o que lhe deu o direito de participar da Taça Libertadores da América de 1972.[carece de fontes?]

Bochini ingressou no time principal em 1972. O Independiente foi campeão da Libertadores com ele já no plantel, mas ainda sem ter sido utilizado. Sua estreia veio exatamente um mês depois do título,[carece de fontes?] em partida de 25 de junho de 1972, encerrada em derrota de 1 a 0 para o River Plate no Monumental de Núñez, em jogo das últimas rodadas do campeonato metropolitano daquele ano[carece de fontes?] (entre 1967 e 1985, o campeonato argentino foi dividido em dois torneios anuais distintos, Nacional e Metropolitano, que, apesar do nome, era mais valorizado ). Entrou no decorrer da partida, no lugar de Hugo Saggioratto. Saggioratto, posteriormente, tornou-se justamente um ídolo marcado por ser ofuscado pelo concorrente Bochini, retirando-se do Independiente em 1977. Outro dado curioso está relacionado ao técnico que fez o jovem debutar, que foi Pedro Dellacha. O personagem mais venerado da história do Independiente foi colocado pela primeira vez em campo por um treinador que, como jogador, fora um dos maiores ídolos do maior arquirrival do Independiente, o Racing.

Ainda novato, Bochini não atuou também na Copa Intercontinental, perdida em setembro para o Ajax de Johan Cruijff.[carece de fontes?] Em 19 de novembro, marcou seu primeiro gol, justamente em um clássico de Avellaneda, em derrota por 2 a 1 para o Racing.[carece de fontes?] Além de ter sido o primeiro de seus 107 gols pelo único clube que defendeu profissionalmente, foi também o primeiro dos nove que fez no arquirrival, que, até então, tinha retrospecto mais favorável no dérbi. Quando Bochini parou de jogar, cerca de 20 anos depois, sua equipe já possuía onze vitórias a mais que as do rival no histórico do confronto.

Como campeão da Libertadores de 1972, o Independiente pôde entrar na edição seguinte do torneio já na fase semifinal, disputada em dois grupos de três times. Bochini ainda não havia se firmado totalmente, vendo do banco de reservas sua equipe, a exemplo do que conseguira na década anterior, sagrar-se bicampeã seguida.[carece de fontes?] Ali, o clube ultrapassou o também argentino Estudiantes de La Plata e o Peñarol como o maior vencedor da competição.[carece de fontes?] Faltava à equipe vermelha apenas a Copa Intercontinental, perdida em todas as três ocasiões anteriores; e era uma conquista já obtida pelo Racing na única oportunidade que este tivera.[carece de fontes?] Bochini entrou subitamente para a galeria de grandes ídolos do Independiente já ali, pois fez o gol da partida única travada entre os argentinos e a Juventus, em jogo disputado justamente na Itália, ainda que não em Turim (a cidade do adversário) e sim em Roma.

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Ricardo Bochini | World in Stories