A Revolução Russa de 1905, também conhecida como Primeira Revolução Russa, foi uma revolução no Império Russo que começou em 22 de janeiro de 1905 e levou ao estabelecimento de uma monarquia constitucional sob a constituição russa de 1906, a primeira do país. A revolução foi caracterizada por agitação política e social em massa, incluindo greves de trabalhadores, revoltas camponesas e motins militares dirigidos contra o czar Nicolau II e a autocracia, que foram forçados a estabelecer o parlamento da Duma Estatal e conceder certos direitos, embora ambos tenham sido posteriormente minados.
Geralmente é considerada como o marco inicial das mudanças sociais que culminaram com a Revolução de 1917.
Já antes de 1905, o Império Russo passava por uma grave crise política. Desde a emancipação dos servos (1861), o país vivia uma rápida transição do feudalismo para o capitalismo. Os servos haviam sido libertados e passaram a ter o direito de comprar as terras onde trabalhavam. Entretanto, o ressarcimento devido aos seus senhores, como compensação dos direitos recém-adquiridos, os levaram, na prática, a permanecer na mesma situação de miséria.
A construção da Ferrovia Transiberiana e as mudanças econômicas levadas adiante por Sergei Witte atraíram o capital estrangeiro e estimularam uma rápida industrialização nas regiões de Moscou, São Petersburgo, Baku, bem como na Ucrânia, suscitando a formação de um operariado urbano e o crescimento da classe média. Essas classes eram favoráveis a reformas democráticas no sistema político. Entretanto, a nobreza feudal e o próprio czar procuraram manter o absolutismo russo e sua autocracia intactos a qualquer custo.
Além disso, circulavam entre estudantes e círculos radicais obras de forte impacto político, como o romance Que fazer?, de Nikolai Tchernichevski, que alimentou o imaginário revolucionário das décadas seguintes, como a obra homônima de Lênin.
Finalmente, o desempenho desastroso das forças armadas russas na Guerra Russo-Japonesa (1904 - 1905) intensificou essas contradições e precipitou os acontecimentos, sendo essa derrota considerada como causa imediata da Revolução de 1905.
No domingo do dia 22 de janeiro de 1905 (9 de janeiro, segundo o calendário juliano, vigente no país, na época), foi organizada uma manifestação pacífica e em marcha lenta de um milhão e meio de pessoas, liderada pelo padre ortodoxo e membro da Okhrana, Gregori Gapone, com destino ao Palácio de Inverno do czar Nicolau II, em São Petersburgo, com o objetivo de entregar uma petição, assinada por cerca de 135 mil trabalhadores, reivindicando direitos ao povo, como reforma agrária, tolerância religiosa, fim da censura , a presença de representantes do povo no governo e melhores condições de vida. Segundo algumas fontes, durante a caminhada, eram cantadas músicas religiosas, e também a canção nacional “Deus Salve o Czar”.
O grão-duque Sergei Alexandrovitch ordenou à guarda do czar que não permitisse que povo se aproximasse do palácio e que dispersasse a manifestação. Entretanto a massa não recuou. A guarda, então, disparou contra a multidão. A manifestação rapidamente se dispersou, foi um massacre e apesar de não se saber quantos haviam sido mortos, sabia-se, por certo, “que uma época da história russa havia concluído abruptamente e uma revolução começara”.
A população indignou-se com a atitude do czar, que, até então, era bem-visto por seus súditos. O episódio ficou conhecido como "Domingo Sangrento" e foi o estopim para o início do movimento revolucionário.
Os vários grupos sociais descontentes com a situação da Rússia se mobilizaram para protestar. Cada grupo tinha seus próprios objetivos, e mesmo dentro de uma mesma classe social, não havia direção geral. Os principais grupos descontentes eram os camponeses, por motivos econômicos; os trabalhadores urbanos, também por motivos econômicos e contra a desigualdade; os intelectuais e liberais, que reivindicavam direitos civis; as forças armadas (economia) e as nacionalidades minoritárias, que reivindicavam liberdade cultural e política.
Os distúrbios se estenderam por todo o ano, atingindo picos de agitação no início do verão e no outono, culminando em novembro. Arrendatários queriam aluguéis mais baixos; trabalhadores contratados exigiam melhores salários; pequenos proprietários queriam mais terras.
As atividades variaram desde ocupações de terra, algumas vezes seguidas de violência e incêndio, pilhagem das grandes propriedades e caça e desmatamento em áreas proibidas. Na região de Samara os camponeses criaram sua própria república, que foi sufocada por tropas do governo. O nível de animosidade de cada região era diretamente proporcional às condições dos camponeses. Os com-terra de Livland e Kurland atacaram e queimaram, enquanto outros, que viviam nos distúrbios de Grodno, Kovno e Minsk, com melhores condições de vida, foram menos violentos. No total, 3 228 distúrbios necessitaram de intervenção militar para restaurar a ordem, e os proprietários sofreram prejuízos de aproximadamente 29 milhões de rublos.
Os trabalhadores urbanos usaram a greve como instrumento de luta. Houve imensas greves em São Petersburgo, imediatamente após o Domingo Sangrento. Mais de 400 000 trabalhadores estavam parados ao final de janeiro.
A ação rapidamente se alastrou para outros centros industriais na Polônia, Finlândia e na costa báltica. Em Riga, 80 militantes foram mortos em 13 de janeiro e alguns dias depois, em Varsóvia, 100 grevistas foram alvejados nas ruas. Em fevereiro havia greves no Cáucaso e, em abril, nos Urais e mesmo além. Em março, todas as instituições acadêmicas foram obrigadas a fechar as portas pelo resto do ano, fazendo com que muitos estudantes radicais se juntassem aos trabalhadores grevistas. Uma greve dos ferroviários, no dia 8 de outubro, rapidamente se transformou em greve geral, em São Petersburgo e em Moscou. A 13 de outubro, mais de 2 milhões de trabalhadores estavam em greve e praticamente não havia mais estradas de ferro em funcionamento.
Os soviéticos de São Petersburgo
A ideia de se criar conselhos operários como forma de coordenar as várias greves, nasceu durante as reuniões de trabalhadores, no apartamento de Voline, no início do movimento de 1905. Dessas reuniões nasceu o primeiro soviete de São Petersburgo, cujo primeiro presidente foi Khrustalyov-Nosar, também conhecido como Georgy Nosar ou Pyotr Khrustalyov (1877-1918). Entretanto, suas atividades foram rapidamente paralisadas pela repressão do governo.
Mas durante a greve geral, o soviete voltou a funcionar e passou a ser conhecido como o "Soviete de Representantes Operários". A reunião constituinte aconteceu em 13 de outubro no prédio do Instituto Tecnológico de São Petersburgo e contou com quarenta representantes. O soviete chegou a ter de 400 a 500 membros, eleitos por aproximadamente 200 000 trabalhadores e representando cinco sindicatos e 96 fábricas da região.
Inicialmente, seus membros eram trabalhadores politicamente conscientes, mas, rapidamente, o soviete foi dominado por grupos radicais. Os bolcheviques foram os mais influentes, enquanto os mencheviques permaneceram em minoria.