A Restauração da monarquia inglesa teve seu início em 1660 quando as monarquias inglesa, escocesa e irlandesa foram todas restauradas sob o domínio de Carlos II, após o Interregno (1649-1660) que se seguiu à Guerra Civil Inglesa (1642-1651).
A Restauração da Monarquia Stuart nos reinos da Inglaterra, Escócia e Irlanda ocorreu em 1660, quando Carlos Stuart, filho mais velho de Carlos I (executado em 30 de janeiro de 1649), retornou de seu exílio na França, após receber um convite do Parlamento Inglês para assumir o trono. Antes disso, de 1653 a 1659, a Inglaterra viveu um período que ficou conhecido como Protetorado, com Oliver Cromwell à frente do governo, sendo sucedido por seu filho Richard Cromwell.
O termo "Restauração" é utilizado para definir os anos em que Carlos II (de 1660 a 1685) e seu irmão Jaime II (de 1685 a 1688) reinaram. O período teve fim com a invasão do príncipe holandês Guilherme de Orange, que iniciou a chamada Revolução Gloriosa, a convite de líderes do Parlamento. Maria, filha de Jaime II e esposa de Guilherme, assume o trono dando continuidade à Dinastia, entretanto, com um novo sistema de governo.
Nascido em 4 de outubro de 1626 e casado com Dorothy Major, filha de um escudeiro de Hampshire, Richard Cromwell era o filho vivo mais velho de Oliver Cromwell, líder político inglês e Lorde Protetor da Inglaterra, Escócia, Irlanda e dos respectivos domínios. Por este motivo, ocupou lugar no Parlamento enquanto seu pai estava no poder, entre 1654 e 1656, onde se tornou membro do comitê de navegação e comércio, adquirindo conhecimento sobre as aspirações econômicas da Inglaterra. Com a morte de Oliver, em 1658, Richard foi declarado seu sucessor, como provável desejo de seu pai antes de morte e com o apoio do Conselho, em sincronia com o Lord Mayor e os cidadãos de Londres.
Além desse posto, também sucedeu seu pai como Chanceler na Universidade de Oxford, em 1657, além de ser nomeado membro do conselho do Estado e da Câmara dos Lordes no mesmo ano. Esses fatos demonstram que sua aceitação foi alta, apesar de algumas manifestações contrárias, como a que ocorreu durante sua nomeação, em Oxford, onde alguns estudantes protestaram.
A inexperiência de Richard em ocupar cargos de tamanha responsabilidade se fez brevemente presente, demonstrando não ser tão hábil como seu pai, Oliver Cromwell, em conciliar grupos opostos. Seus inimigos, porém, tornavam-se cada vez mais hostis em um momento em que a manutenção do Protetorado exigia firmeza e coesão em seu apoio. O Partido dos Levellers e Commonwealthsmen se colocavam cada vez mais contrários às políticas adotadas, aumentando as tensões entre os apoiadores do Protetorado e aqueles que não o eram. As questões religiosas também se mostravam cada vez mais inflamadas, polarizando alguns grupos anglicanos e presbiterianos, os últimos se colocando quase inteiramente contra o Protetorado. De fato, Richard e seu conselho não obtiveram sucesso em solucionar os problemas religiosos.
Além desses fatores, o déficit financeiro se acumulava, chegando a alarmantes 2 milhões anuais - na moeda da época. Aumentavam as demissões e o exército perdia controle gradualmente. Richard não acreditava que a ordem armada reconheceria sua liderança, ao mesmo tempo em que o Parlamento denunciava as arbitrariedades do Protetorado. Assim, Cromwell se viu em um dilema: apoiar o exército contra o Parlamento ou o Parlamento contra o exército. Sua incapacidade de se manter firme no poder fez sua imagem frente ao exército entrar em declínio, aumentando as críticas a seu governo.
Então, no início do ano 1659, Richard autorizou a convenção de oficiais, a fim de formular uma petição ao Parlamento. Provavelmente, seu intuito era o de pressionar os parlamentares, porém, os oficiais subalternos elegeram rapidamente os membros mais suspeitos do governo para o comitê da petição, demonstrando seu temperamento. Tais descompassos culminaram na revogação de seu mandato, no mesmo ano, após o Parlamento lhe propor aposentadoria, vivendo em paz e com o pagamento de uma pensão. No início de julho, partiu junto com seu irmão para o interior da Inglaterra. Desse modo, o Parlamento inglês decidiu que estaria findado o Protetorado.
Havia na Inglaterra do século XVII uma tensão política por conta do novo regime parlamentar instaurado. O Parlamento adotou as funções legislativas e jurídicas, assim como a função do Protetor e o encargo, que até então pertencia ao monarca, de elaborar políticas. Impedindo a maioria dos representantes do povo, esse regime era lembrado, pela população, pela alta taxação em impostos, bem como na arbitrariedade e centralização de decisões.
De modo a aplacar os ânimos, um comitê de segurança, que tinha o objetivo de administrar o governo atual e elaborar os planos para os seguintes, foi criado. Após o Conselho de Estado elaborar a comissão para esse novo comitê, em 25 de outubro de 1653, o general Monck envia uma carta da Escócia repugnando a ação do Conselho de Estado juntamente com o nome de uma grande parte dos deputados que estavam sendo expulsos. Uma desordem começa a se instaurar pela falta de remuneração dos soldados.
O ponto alto da crise foi atingido quando a Câmara ordena a republicação da Liga Solene e Pacto de 1643, de instaurar uma Igreja nacional sem bispos. À beira da quarta guerra civil, o Longo Parlamento era finalmente dissolvido após uma manobra militar. Em meio a diversas disputas políticas, a possibilidade de uma restauração “constitucional” se foi.
Após o golpe, a ordem precisava ser restaurada e esse trabalho foi confiado às seitas. Os sectários foram substituídos por soldados regulares, enquanto os grandes líderes propuseram um acordo que traria a unidade e a preservação da Igreja nacional. As milícias se fortaleciam, enquanto os soldados, nesse tempo, se tornavam cada vez menos populares e, com a falta de pagamento das tropas, tudo se tornava ainda pior.
A resistência do exército se tornava cada vez menos eficiente. A marcha do general Monck, vitoriosa até então, transferiu a Hesilrige e seu partido o controle do exército da Inglaterra após dez anos.
Em 1º de junho de 1660, um ato dissolveu o Longo Parlamento e declarou existente um parlamento legal. Esse, reunido em 1661, durou dezoito anos e ficou conhecido como Parlamento dos Cavaleiros. O Ato Trienal, de 1664, por sua vez, previa sua convocação de três em três anos.
Sob suspeitas de uma conspiração papista, o Parlamento trama para excluir Jaime, que era católico, da linha sucessória. Esse período ficou marcado pelo receio de uma invasão francesa e papista.
No ano de 1679, o Parlamento é dissolvido por Carlos II. Logo em seguida, formam-se mais três parlamentos, que rapidamente também se dissolvem. O Parlamento, durante o governo de Jaime II, foi bastante receptivo à Coroa. Apesar disso, foi definitivamente suspenso após uma discordância sobre um exército permanente, vontade real, e a reorganização das milícias.
Houve algumas razões principais que desencadearam a Restauração, entre elas: a falta de popularidade, a reforma religiosa, a segmentação de alguns líderes republicanos, a crescente descrença entre os soldados, a ausência de comunicação entre os reformadores, a morte de Cromwell e o “puritanismo” e sua corrupção.
Nesta segunda fase da Dinastia Stuart, a monarquia foi restabelecida sob Carlos II, que aceitou o retorno ao poder após convite do Parlamento. Os Commons decidiram sobre o restabelecimento da monarquia hereditária. Ao assumir o trono, embora tenha perdoado algumas manifestações contrárias a seu pai (Carlos I, morto durante a Revolução Inglesa), ainda assim executou 57 pessoas, em grande parte regicidas.