República Democrática do Congo (RDC, denominada, entre 1971 e 1997, República do Zaire), também designada como RD Congo, Congo Democrático, Congo ou, por vezes, Congo-Quinxassa ou Congo-Kinshasa para diferenciá-la da vizinha República do Congo (também chamada Congo-Brazzavile ou Congo-Brazaville) é um país da África Central.
Após o Sudão do Sul se separar do Sudão em 2011, passou a ser o segundo maior país da África em área — superado apenas pela Argélia. Faz fronteira a norte com a República Centro-Africana e com o Sudão do Sul, a leste com Uganda, Ruanda, Burundi e a Tanzânia, a leste e a sul com a Zâmbia, a sul com Angola e a oeste com o oceano Atlântico, com o enclave de Cabinda e com o Congo. A capital e maior cidade é Quinxassa, também conhecida como Kinshasa.
Com estimativas populacional de cerca de 109 milhões de habitantes em 2024, a República Democrática do Congo é o quarto país mais populoso do continente africano, atrás apenas da Nigéria, da Etiópia e do Egito, e o décimo sexto do mundo. É também a mais populosa nação francófona do globo (que possuí a língua francesa como língua oficial), à frente da França. A população congolesa é composta, em sua maioria absoluta, por cerca de duzentos grupos étnicos, em especial da família banta (81% da população), sendo a etnia congolesa a mais comum (aproximadamente 1/3 dos quinxassa-congoleses, em 2011). Minorias étnicas importantes incluem mangbetu-azandes, mongos e lubas.
Tornou-se independente da Bélgica em 30 de junho de 1960, e é, desde então, considerado um dos mais pobres países do mundo, tendo um dos menores valores de PIB nominal per capita, em 2013 em penúltimo lugar, à frente apenas do Burundi. Seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) também está entre os mais baixos do mundo, no valor de 0,435 em 2015, o 176° entre 188° países avaliados no período.
No entanto, a República Democrática do Congo, de clima tipicamente equatorial e tropical, é considerado um dos países mais ricos do mundo em recursos naturais, sendo por vezes apontado como o segundo mais biodiversificado do mundo, atrás apenas do Brasil.
Anteriormente, a República Democrática do Congo já foi chamada, em ordem cronológica: Estado Livre do Congo, Congo Belga, República do Congo (Léopoldville), República Democrática do Congo e República do Zaire. A partir de 1997, recuperou a denominação República Democrática do Congo, que permanece desde então.
O país foi oficialmente conhecido como a "República Democrática do Congo" entre 1965 e 1971, quando teve o nome alterado para República do Zaire. Em 1992, a Conferência Nacional Soberana votou pela recuperação do nome anterior, República Democrática do Congo, mas a alteração não levada a efeito. O nome do país foi restaurado em 1997, pelo presidente Laurent-Désiré Kabila (1997-2001), após o fim da longa ditadura de Mobutu Sese Seko (1965-1997).
Antiguidade e Colonização belga
A região foi ocupada na antiguidade por bantos da África Oriental e povos do rio Nilo, que ali fundaram os reinos de Luba, Lunda e do Congo, entre outros. Em 1878, o explorador Henry Stanley fundou entrepostos comerciais no rio Congo, sob ordem do rei belga Leopoldo II. Na Conferência de Berlim, em 1885, que dividiu a África entre as potências europeias, Leopoldo II recebeu o território como possessão pessoal, chamando-o Estado Livre do Congo. Em 1908, o Estado Livre do Congo deixou de ser propriedade da Coroa, depois da brutalidade deste tipo de colonização ter sido exposta na imprensa ocidental e tornou-se colônia da Bélgica, chamada Congo Belga.
O nacionalismo quinxassa-congolês iniciou-se pelos povos congos em 1950 com fundação da "Associação dos Bacongos para a Unificação, a Conservação e o Desenvolvimento da Língua Congo" (Abako). Inicialmente como movimento cultural dos congos, o nacionalismo africano do pós-Segunda Guerra a influenciou a lançar um manifesto de ruptura radical baseada no federalismo no ano de 1956 em resposta ao então movimento dominante integracionista com a metrópole belga, vinculado ao manifesto La Conscience Africaine. Nas eleições distritais quinxassa-congolesas de 1957 a Abako vence na maior cidade da colónia, Léopoldville (atual Quinxassa), demonstrando a força do nacionalismo nascente.
O Movimento Nacional Congolês (MNC), organização de frente única nacionalista, teve início em 1958 sob liderança inicial de Patrice Lumumba, Cyrille Adoula e Joseph Iléo. Sua ação se baseava em mobilização sindical, motins e protestos (o maior deles em dezembro de 1958-janeiro de 1959) pela independência nacional, exercendo forte pressão sobre a Bélgica. Foi o primeiro movimento político amplo e de relevo que superou os regionalismos e as questões étnicas da então colónia. Porém, um ano antes da independência nacional o próprio MNC sofre uma cisão (motivada por disputas ideológicas entre a ala nacionalista radical lumumbista e a ala federalista) com a maioria do partido continuando sob comando de Lumumba, chamado informalmente de MNC-Lumumba (ou MNC-L), enquanto que uma fração menor é formada sob comando de Albert Kalonji, o MNC-Kalonji (ou MNC-K).
Nas eleições parlamentares de maio de 1960, que seriam definidoras do futuro governo do novo país independente, o MNC-L liderado por Lumumba recebeu a maioria dos votos, mas foi obrigado a formar uma coalizão governista que incluiu o Partido da Solidariedade Africana, o Centro de Reagrupamento Africano e a Abako, além de grupamentos políticos menores. Lumumba foi confirmado como primeiro-ministro. Enquanto isso, o Senado e a Assembléia Nacional, elegeram Joseph Kasa-Vubu do regionalista e conservador Abako como presidente do país. A maioria dos colonos europeus deixou o país após a eleição.
Em 30 de junho de 1960, o Congo conquistou a independência com o nome de República do Congo, assumindo os representantes eleitos em maio daquele ano. Também ficou conhecido naquele período como Congo-Léopoldville, para se diferenciar do antigo Congo Francês, que havia também adotado República do Congo como nome oficial. Para se diferenciar, em 1964 o antigo Congo Belga acrescentou o adjetivo Democrática. Em julho de 1960 eclodiu uma rebelião contra o primeiro-ministro Lumumba, liderada por Moïse Tshombe, líder separatista que insuflava a insurgência em Catanga, com o apoio da Bélgica, Estados Unidos e França. Antes do final do ano, Kasa-Vubu afastou Lumumba, eleito de forma democrática, do cargo de primeiro-ministro, num golpe de Estado. Lumumba alegou que o ato foi inconstitucional e deu-se início a Crise do Congo. As forças que apoiavam a volta do governo socialista de Lumumba eram formadas por guerrilheiros de vários países, como os rebeldes de Ruanda.
Com o apoio dos Estados Unidos, França e Bélgica, Lumumba é sequestrado e assassinado em janeiro de 1961, juntamente com um de seus ministros, Maurice Mpolo, e o vice-presidente do senado, Joseph Okito. Tropas de diversos países (incluindo o Brasil) foram enviadas para restabelecer a ordem sob supervisão da Operação das Nações Unidas no Congo, o que ocorreu em 1963, com a fuga de Tshombe, durante a rebelião Simba. As tropas da Organização das Nações Unidas (ONU) retiraram-se em junho de 1964.
Após diversos combates, Tshombe regressou e assumiu o governo (como primeiro-ministro) em 1964, com apoio da Bélgica e dos Estados Unidos. Em novembro de 1965, ele foi derrubado num golpe liderado pelo futuro ditador Mobuto Sese Seko.
No bojo de tal crise política estava a Guerra Fria com papel preponderante na política interna do Congo na década de 1960; o país foi vitimado pelo conflito. Em seu interior conflitos entre forças internacionais dos blocos capitalista e comunista marcaram a sua política e desenvolvimento pelas próximas décadas. A Crise do Congo, iniciada no processo de independência nacional, teve vários desdobramentos posteriores a 1965 (seu termo final). Suas consequências, porém, são tidas como a mais violenta e contínua guerra africana desde a Segunda Guerra Mundial.
Mobutu estabeleceu uma ditadura personalista com forte apoio militar dos governos dos Estados Unidos desde o golpe militar que levou ao poder, e por todos os 32 anos em que permaneceu como ditador único e soberano no Congo. A ajuda estadunidense foi encerrada com a queda do comunismo no leste europeu.[carece de fontes?]