Renato Becker Borghetti, mais conhecido como Borghettinho (Porto Alegre, 23 de julho de 1963), é um músico instrumentista e gaiteiro brasileiro. É mais conhecido pelo seu trabalho com a gaita-ponto.
Renato Borghetti começou na música aos 12 anos, tocando uma gaita-ponto que ganhou do pai em Barra do Ribeiro. Em pouco tempo, já era atração no Centro de Tradições Gaúchas comandado por seu pai e, aos 16 anos, se apresentou pela primeira vez, na 9ª Califórnia da Canção Nativa, em 1979, com a canção Retorno, onde chamou atenção tanto por sua música quanto por sua performance no palco: usava cabelos compridos, chapéu sobre os olhos, bombacha de campo e alpargatas.
Em 1984, alugou um estúdio de gravação para o que seria seu primeiro disco, Gaita-Ponto, um trabalho independente com tiragem projetada de duas mil cópias, para o qual contou com a colaboração dos músicos Ênio Rodrigues, Oscar Soares e Francisco Castilhos. Antes de seu lançamento, o produtor Ayrton dos Anjos apresentou a gravação ao selo RBS Discos, que decidiu lançar o disco por conta própria.
Em três semanas, foram vendidas sessenta mil cópias, um recorde de vendas no Rio Grande do Sul. Pouco depois, o número chegou a cem mil, rendendo-lhe um disco de ouro — o primeiro para um álbum instrumental e para a música nativista gaúcha no Brasil. O álbum ultrapassou 250 mil cópias vendidas em CD, valendo-lhe o disco de platina. Entre as interpretações mais destacadas desse disco estão Milonga para as Missões, de Gilberto Monteiro; Minuano, de Sadi Cabral; e Tio Bilia na gaita de oito baixos, de Tio Bilia.
No ano seguinte, o selo Som Livre lançou seu segundo disco, intitulado Renato Borghetti. Em 1987, a RCA Victor apresentou o terceiro, também homônimo, que incluía, entre outras faixas autorais e em coautoria, uma versão de Negrinho do Pastoreio, de Barbosa Lessa. Apresentou-se na Alemanha em 1987, e em 1988 participou do Free Jazz Festival de São Paulo e do Projeto Pixinguinha, no Rio de Janeiro.
Além da música nativista gaúcha, Borghettinho incursionou em outros gêneros musicais, como o jazz e a música clássica. Na década de 1990, apresentou-se no Sounds of Brazil (S.O.B.) de Nova York, junto com a Orquestra de Câmara do Teatro São Pedro. Realizou também apresentações com outras orquestras brasileiras, entre elas a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA), a orquestra da Unisinos e as orquestras de câmara de Blumenau e Curitiba.
Em 1991, a Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) concedeu-lhe o prêmio de melhor disco de música regional do ano, e ele gravou o álbum Borghetti, que incluía as faixas São Jorge, de Hermeto Pascoal, e Fantasia para gaita de ponto e orquestra de câmara, sob regência de Fred Guerling. A partir desse ano, passou a integrar o Projeto Asa Branca, que organizava espetáculos em todo o Brasil com artistas como Sivuca, Dominguinhos, Elba Ramalho e Alceu Valença, entre outros.
Em seus discos, além de composições próprias e em parceria, gravou versões de temas tradicionais e de importantes músicos brasileiros, como Lupicínio Rodrigues, Hermeto Pascoal, Sivuca, Glorinha Gadelha, Sadi Cardoso, Barbosa Lessa e Kleiton & Kledir, entre outros. Em 1994, o selo Prestige Records, da Inglaterra, lançou o LP Accordionist, que inclui uma versão das Bachianas Brasileiras nº 5, de Heitor Villa-Lobos. Em 1995, lançou Instrumental no CCBB, gravado no Centro Cultural Banco do Brasil (Rio de Janeiro), junto a Hermeto Pascoal, e em 1996, Gaúcho, que inclui faixas em colaboração com Paulo Silveira e Hilton Vaccari.
Entre 1995 e 1996, como representante do sul do Brasil, percorreu o país com o projeto Brasil Musical, ao lado de Paulo Moura, Hermeto Pascoal, Wagner Tiso, Egberto Gismonti, entre outros. Participou de trabalhos conjuntos com artistas argentinos, uruguaios e europeus, realizou turnês pela Europa e voltou a se apresentar no Free Jazz Festival de São Paulo em 1997. Em 1998, interpretou vários clássicos gaúchos em um álbum dedicado a Barbosa Lessa, intitulado Gauderiando, no qual destacou-se Prenda Minha, com participação de Milton Nascimento, e o Hino Rio-Grandense, com a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre.
Participou em 2001 do primeiro Festival de Acordeão do Maranhão (Festival da Sanfona), ao lado de Dominguinhos, Sivuca, Waldonys, do argentino Antonio Tarragó Ros e dos norte-americanos Geno Delafose e Mingo Saldivar. Também participou do Encontro de Gerações e Raízes, parte do Projeto Rio Sesc Instrumental, realizado no Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro. Lançou três álbuns em 2002: Renato Borghetti ao vivo em Viena; Umberto Petrin e Renato Borghetti – Reunião (com o pianista italiano Umberto Petrin); e A Música Brasileira Deste Século por Seus Autores e Intérpretes. Em 2007, lançou FandangoI, seu primeiro DVD, posteriormente também lançado em CD. Em 2010, realizou uma turnê europeia, com apresentações na Áustria, Bélgica, Finlândia, Hungria, Inglaterra, Itália e Portugal. Dois de seus álbuns foram indicados ao Grammy Latino, na categoria “Melhor Álbum de Música Regional Tradicional ou de Raízes Brasileiras” — em 2005, por Gaitapontocom, e em 2008, por Fandango!.
1984 - Gaita Ponto - RBS Discos
1985 - Renato Borghetti - Som Livre
1987 - Renato Borghetti - RCA Victor
1988 - Esse tal de Borghettinho - RCA/BMG-Ariola
1989 - Renato Borghetti - Chantecler/Continental
1990 - O Melhor de Renato Borghetti - Som Livre
1991 - Borghetti - Continental
1992 - Pensa que Berimbau é Gaita? - RBS Discos