Renata Souto Maior Arruda (João Pessoa, 23 de dezembro de 1967) é uma cantora, compositora e poetisa brasileira.
1967 - Nasce, em 23 de dezembro, na Maternidade Roberto Granville, em João Pessoa, Paraíba, Renata Souto Maior Arruda.
1984 - Começa a cantar no Coral Universitário da Paraíba.
"(...) todas as noites ia a todos os bares de lá, queria ver o que estava acontecendo em matéria de música."
Inicia a carreira profissional aos 19 anos, após participar de um show de Altamiro Carrilho e Elizeth Cardoso.
"(...) o Altamiro Carrilho era padrasto de um colega meu (...). Fiz uma feijoada em minha casa e pedi para esse meu colega que levasse o Altamiro até lá para me ouvir cantar. (...) depois do almoço peguei o violão, fechei os olhos e cantei tudo o que sabia até então. De Nunca, do Lupicínio, à Marina, do Caymmi, de Chico a Caetano. O Altamiro ficou estático, não movia um músculo. E eu, em pânico, sem saber se ele estava gostando ou detestando. Mas ele bateu palmas e disse que uma cantora precisa de quatro coisas: afinação, intimidade com as palavras, interpretação e equilíbrio, saber dosar a altura da voz: altíssimo e pianíssimo (dinâmica da música), exatamente isso, achava que eu não tinha, mas (...) com o tempo, com a prática, eu teria. E fez o diagnóstico: Pode entrar no estúdio que você está pronta. (...) Na hora da despedida me perguntou: Que tal você cantar com a gente hoje à noite? (...) naquela noite Altamiro Carrilho tocou dois números e, ao microfone, pediu licença ao destinto púbico para fazer um convite: Hoje à tarde tive o prazer de ouvir uma menina cantar e não queria que esse prazer fosse só meu. Eu procurava as minhas próprias pernas, tremia igual uma doida. Ora, mas era exatamente aquilo que eu queria. Pois eu tinha até entrado numa de ser Miss Paraíba, só porque ia ter um número artístico, eu ia cantar e alguém que me ouvisse poderia me ajudar. Pois tinha chegado a hora, não tinha? Então subi no palco, fechei os olhos mais uma vez e repeti o Nunca do Lupicínio."
A participação rende um elogio de Elizeth Cardoso:
"Quando acabei, a Elizeth Cardoso pegou o microfone e disse: Essa menina interpretou essa música como todas as cantoras deveriam cantar. Porque ela cantou com a voz, com o corpo e com a alma."
1989/1990 - Ganha o prêmio Cantora Revelação de Brasília.
1991 - Muda-se para o Rio de Janeiro.
"Em Brasília conheci Cássia Eller (...). Cássia e eu éramos quem dominava o cenário musical de Brasília. Éramos as duas mulheres que cantavam em Brasília. (...) E foi com a Cássia também que eu saí de Brasília e fui para o Rio de Janeiro."
Conhece o produtor musical Marco Mazzola.
"Fui apresentado a Tom Capone, guitarrista da banda que juntamente com Ricardo me ajudou muito nesse trabalho. Fizemos uma seleção de repertório e pedi ao Ney Matogrosso que desse uma dirigida na artista no palco. Montamos uma banda bem ensaiada com Ricardo Leão nos arranjos e teclados, Mac Willian na bateria, Mauro Moura no baixo e Tom Capone na guitarra. (...) Após os ensaios, fizemos quatro apresentações no Mistura Fina na Lagoa, no Rio (...). Eram diretores da TV Globo, radialistas, presidentes de gravadoras e artistas. O sucesso foi total. As gravadoras tentavam disputar a contratação de uma artista paraibana, bonita, envolvente e com muito carisma. Todos que assistiram à performance no palco saíam impressionados com sua energia, a voz rouca, que rasgava o ouvido da gente".
1993 - Lança o álbum "Traficante de ilusões".
"O carro-chefe era a música Festa, na qual pedi ao rap americano Justin Worfield, da gravadora de Quincy Jones, para mandar umas palavras na contramão da música. Para faixa Declaração nacional, convidamos Greg Phillinganes, tecladista de Michael Jackson. Para a faixa Quero você, chamamos Jerry Hey, um dos maiores arranjadores americanos de sopro (...). Claude Nobs, diretor do Festival de Montreux, tocou harmônica na faixa Tem gente, durante uma passagem no Brasil. O disco ficou pronto (...), com uma capa maliciosa, exibindo parte da sensualidade da artista, recheado de belas canções, algumas ingênuas, outras bem-humoradas, como Só de sacanagem, A resposta é não e Copacabana Blues. (...) As rádios começaram a tocar o primeiro single, Festa. Marcamos novas apresentações no Mistura Fina, com a casa cheia todas as noites."
"Sangue latino", de João Ricardo e Paulinho Mendonça, é incluída na trilha sonora da novela "Fera ferida" (TV Globo), de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares, tema de Linda Inês (Giulia Gam).
Participa do álbum "Songbook Vinícius de Moraes - Volume 3" cantando "O que tinha de ser", de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.
Grava "Modinha para Gabriela", de Dorival Caymmi, especialmente para o álbum "Songbook Dorival Caymmi - Volume 3".