Neste Dia

René Simões

Treinador de futebol brasileiro

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René Rodrigues Simões ORB OD (Rio de Janeiro, 17 de dezembro de 1952) é um ex-treinador de futebol brasileiro. Atualmente exerce o cargo de coordenador técnico do Zinzane Futebol Clube SAF, clube do futebol carioca.

Parou de comandar equipes em 2017, após quase 40 anos como treinador, que incluíram trabalhos de destaque em grandes clubes nacionais e exteriores e em Seleções, como a Seleção Brasileira Feminina medalhista olímpica em 2004, e a Seleção Jamaicana classificada para a Copa do Mundo FIFA de 1998.

Simões chegou a jogar pelos juniores de São Cristóvão, Flamengo e Bonsucesso, mas preferiu estudar a continuar a carreira de jogador.

Formado em educação física, é membro do painel de instrutores da FIFA. É o único treinador do mundo que já dirigiu seleções masculinas e femininas em competições oficiais da FIFA e que já comandou todas as categorias de Seleções em Copas do Mundo da FIFA. René também já comandou os selecionados Sub-17 com Trinidad e Tobago e Sub-20 com o Brasil, além da Seleção principal da Jamaica na Copa do Mundo FIFA de 1998.

Após passagens por Olaria, Serrano e Mesquita, além dos times juvenis do Vasco e Fluminense, em 8 de julho de 1986 foi contratado pela Portuguesa.

Em 1989, comandou a Seleção Brasileira de juniores no Mundial da categoria, que aconteceu entre fevereiro e março na Arábia Saudita.

René assumiu a Seleção Jamaicana em 1994, com o objetivo de classificar o time para a Copa do Mundo de 1998. Além de dirigir a seleção, Simões era encarregado de todo o futebol do país, incluindo categorias de base, torneios e seleção feminina. Para começar, procurou seus jogadores, e descobriu que muitos trabalhavam em hotéis (Warren Barrett carregava malas, Theodore Whitmore era barman). Foi para a Inglaterra e achou seis ingleses, filhos de jamaicanos, nos times de lá, jogadores que, não sendo lembrados para a Seleção Inglesa, se valeram da ascendência jamaicana para integrar a seleção daquele país e poder tentar disputar uma Copa. Depois arranjou financiamento, e pediu ajuda à Federação Jamaicana, criando o projeto "Adote um Jogador", que consistia em uma empresa patrocinar um jogador específico, o que atraiu grandes empresas, como Shell, Citibank e Burger King. E organizou o esquema tático para criar um time que que acabaria conquistando uma das vagas da Copa realizada na França. Em 2008, René voltou a dirigir a Jamaica, sem conseguir levá-la à Copa do Mundo FIFA de 2010.

Em 2000, René foi contratado pelo Flamengo (gestão Edmundo dos Santos Silva) como dirigente profissional, não alcançando o sucesso imaginado, demitido pouco menos de três meses após sua contratação. Anos depois exerceu a função de dirigente profissional do Vasco da Gama.

Em Sydney 2000, a Seleção Brasileira Feminina acabara em quarto lugar. Quando René Simões foi contratado, com vistas às Olimpíadas de 2004, investiu especialmente no psicológico: contratou palestrantes, colocou frases motivacionais e, especialmente, deu uma bola de tênis para cada jogadora, para que elas materializassem na bolinha o desejo pela medalha. No plano físico, concentrou totalmente as jogadoras e pediu a elas para fazer um caderno para especificarem o que tinham de melhorar. Como resultado, o time foi vice-campeão olímpico com quatro vitórias (1–0 sobre a Austrália, 7–0 sobre a Grécia, 5–0 sobre o México e 1–0 sobre a Suécia) e duas derrotas para as norte-americanas que mostraram algum progresso: na primeira fase, derrota por 2–0, mas dominando o primeiro tempo, e, na final, derrota por 2–1 na prorrogação, jogando melhor. Depois das Olimpíadas, Simões recebeu diversas propostas (ele aceitou a do Vitória), e o futebol feminino começou a mover dirigentes para criar um campeonato (antes dos jogos, as jogadoras que não atuavam no exterior viviam exclusivamente da Seleção).

Em 2007, Simões lançou um livro sobre sua experiência na seleção feminina, O Dia em que as Mulheres Viraram a Cabeça dos Homens, que valeu-lhe o prêmio literário do sindicato dos jogadores naquele ano.

Depois do sucesso com a Seleção Feminina, René recebeu diversas propostas de clubes brasileiros e do exterior, e acabou aceitando a do time baiano, que acabara de cair para a Série B do Campeonato Brasileiro. Com discursos cheios de otimismo e conteúdo e com sua experiência internacional, ganhou a confiança da torcida e da imprensa local. No Campeonato Baiano daquele ano, foi campeão invicto, aumentando ainda mais as expectativas para a disputa do campeonato nacional, embora eliminado da Copa do Brasil logo na segunda fase para o Baraúnas.

O começo foi modesto, tendo o time baiano disputando apenas uma vaga para a próxima fase do certame. Com quatro rodadas para o término do campeonato, o Vitória, na oitava posição, garantindo assim a vaga para a fase seguinte, sofreu três derrotas, deixando o clube a um ponto da zona de rebaixamento. Ainda assim, empatando na última rodada, eram necessários que acontecessem, no mínimo, quatro resultados para que o Leão caísse. O que era impossível aconteceu e o Vitória caiu para a Série C, fato inédito na sua história. A diretoria foi trocada antes mesmo de René ser demitido, o que também não demorou mais de um dia para acontecer.

Em 6 de junho de 2007, René assumiu o comando do Coritiba. O Coxa estava em seu segundo ano na Série B do Campeonato Brasileiro, e o retorno à Primeira Divisão era o grande desafio do técnico. Após a apresentação oficial, com intervalo de algumas horas, Simões seguiu viagem com a delegação para Belém do Pará, onde acompanharia ainda fora dos gramados o jogo contra o Remo, mas já orientando tecnicamente a equipe. Foi a primeira vez que ele comandou uma equipe do Sul do Brasil. Em 24 de novembro sagrou-se campeão brasileiro da Série B, conseguindo o acesso com cinco rodadas de antecedência.

Com a conquista do título e toda a saga para o clube retornar à elite do futebol brasileiro, Simões editou a sua segunda obra literária Do Caos ao Topo: Uma Odisseia Coxa-Branca, que bateu recorde de venda numa rede de livrarias da capital paranaense durante os três dias de lançamento do livro no ano posterior ao retorno à elite, em 2008. Além do destaque como treinador, com esta obra conquistou o Troféu Literário 2008 do Sindicato de Treinadores Profissionais do Rio de Janeiro.

René Simões fez uma campanha de recuperação pelo Tricolor Carioca no Campeonato Brasileiro de 2008, conseguiu evitar o rebaixamento e ainda classificou a equipe para a Copa Sul-Americana.

Em 2009, como todos os treinadores de futebol brasileiros, René passou por alguns altos e baixos pelo comando técnico do tricolor. Além da eliminação nas semifinais da Taça Guanabara para o Botafogo por 1–0, o treinador estava ameaçado de sair do comando tricolor, caso não conseguisse ganhar o jogo contra o Nacional-PB pela Copa do Brasil. Porém, mesmo com a vitória de 1–0 no jogo de ida e 3–0 no jogo de volta, foi demitido dois dias antes do jogo contra o Mesquita pelo segundo turno (Taça Rio) do Campeonato Carioca, tendo comandado o time em 21 jogos, com 60,32% de aproveitamento no total.

Após ser demitido do Fluminense, René voltou ao Coritiba em 2009 (justamente no ano de centenário do clube), sendo anunciado em abril. Seu primeiro jogo depois da volta ao Coxa foi pela penúltima rodada do Campeonato Paranaense, contra o rival Atlético, uma vitória por 4–2 que manteve as chances de título do time. René conduziu ainda o clube às semifinais da Copa do Brasil, onde foi eliminado pelo Internacional. Com os maus resultados, que fizeram o time figurar constantemente na zona de rebaixamento, o técnico acabou demitido no dia 9 de agosto.

No dia 12 de agosto, apenas três dias depois de ser demitido pelo Coritiba, assinou com o Portuguesa. Acabou pedindo demissão da Lusa após a derrota em casa para o Vila Nova. Mas a principal razão do pedido foi o fato ocorrido depois do jogo, em que conselheiros do clube entraram no vestiário com seus seguranças e ameaçaram jogadores e membros da comissão técnica para que o time voltasse a obter bons resultados.

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