Um Reino da Commonwealth ou Reino da Comunidade das Nações (em inglês: Commonwealth Realm) é um Estado soberano na Comunidade das Nações (Commonwealth) cujo monarca e chefe de estado é compartilhado entre os outros reinos. Cada reino funciona como um Estado independente de forma semelhante aos demais Estados-membros da Comunidade das Nações. O Rei Carlos III é o atual monarca de cada um dos Reinos da Comunidade das Nações, após suceder sua mãe, Isabel II, em 8 de setembro de 2022.
Diferencia-se da Comunidade das Nações, essa, uma associação política de 56 estados membros, a grande maioria dos quais são antigos territórios do Império Britânico. Que dizer: a Comunidade das Nações trata-se de um grupo de países historicamente ligados a partir da dissolução do Império Britânico e a maior parte de seus membros não tem, necessariamente, por Chefe de Estado o soberano do Reino Unido, possuem outras formas de governo, além da monarquia constitucional. O Reino da Comunidade das Nações, ao contrário, possui como forma de governo a Monarquia Constitucional e tem por chefe-de-estado, o monarca do Reino Unido.
Em sua ascensão em 1952, a Rainha Isabel II era a monarca e chefe de estado de sete estados independentes: Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Paquistão e Ceilão (agora Sri Lanka). Desde então, novos reinos foram criados através da independência de antigas colônias e dependências, e alguns reinos se tornaram repúblicas. Barbados é o reino mais recente a se tornar uma república; fez isso em 30 de novembro de 2021.
Em 2022, existem 15 reinos da Commonwealth: Antígua e Barbuda, Austrália, Bahamas, Belize, Canadá, Granada, Ilhas Salomão, Jamaica, Nova Zelândia, Papua-Nova Guiné, Santa Lúcia, São Cristóvão e Neves, São Vicente e Granadinas, Tuvalu e o próprio Reino Unido. Todos são membros da Commonwealth (Comunidade das Nações), uma organização intergovernamental de 56 estados membros independentes, 52 dos quais faziam parte do Império Britânico. Todos os membros da Commonwealth são estados soberanos independentes, independentemente de serem Reinos da Commonwealth.
No entanto, isso não significa que os governos destas nações estejam unidos. Mesmo com o chefe de estado compartilhado, os países e seus governos são separados e independentes. Em cada país, à exceção do Reino Unido, o monarca é representado por um governador-geral que geralmente é um cidadão possuidor de um histórico distinto de serviço público à nação e de reconhecimento público sendo indicado ao posto pelo primeiro-ministro do país. Entretanto, a sua nomeação formal é efetuada pelo monarca britânico.
O atual rei e chefe de estado desses países é o Rei Carlos III do Reino Unido.
Todos os 15 Reinos da Commonwealth (Comunidade das Nações) estão espalhados por três continentes (9 na América do Norte, América Central e Caribe, 5 na Oceania e 1 na Europa), com uma área combinada (excluindo as reivindicações da Antártida) de 18,7 milhões de km2 (7,2 milhões de mi2) e uma população de cerca de 151 milhões de habitantes, dos quais quase 2,5 milhões vivem nos seis mais populosos: Austrália, Canadá, Jamaica, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné e Reino Unido.
A ascensão do Rei Carlos III ao trono do Reino Unido em 2022, trouxe uma série de debates sobre a possibilidade de alguns dos atuais membros saírem do Reino da Comunidade de Nações, tais como, Jamaica, Santa Lúcia e São Vicente e Granadinas. A questão, todavia, depende de referendo e aprovação popular nesses países e acredita-se que não acontecerão em curto prazo, sendo mais possível ocorrer em países que possuem uma visão negativa da colonização britânica.
Atualmente, 15 reinos compõem a Comunidade de Nações.
Os Reinos da Comunidade das Nações são Estados soberanos e estão unidos apenas em sua associação voluntária com a instituição da monarquia, a sucessão ao trono e o próprio Rei; sendo que a pessoa do Soberano e a Coroa foram descritas em 1936 como "o elo mais importante e vital" entre os Domínios. O cientista político Peter Boyce classificou esse agrupamento de países associados de "uma conquista sem paralelo na história das relações internacionais ou do direito constitucional". Termos como "união pessoal", uma '"forma de união pessoal" e "monarquia compartilhada" , entre outros, foram todos apresentados como definições desde o início da própria Commonwealth, embora não tenha havido acordo sobre qual termo é mais preciso, ou mesmo se "a união pessoal" é aplicável.
Sob a Declaração Balfour de 1926, os Domínios foram proclamados como considerados "iguais em status, de forma alguma subordinados uns aos outros em qualquer aspecto de seus assuntos internos ou externos, embora unidos por uma lealdade comum à Coroa" e o monarca como "igualmente, oficialmente e explicitamente [monarca] de reinos separados e autônomos". Andrew Michie escreveu em 1952 que "Elizabeth II encarna em sua própria pessoa muitas monarquias: ela é a Rainha da Grã-Bretanha, mas ela é igualmente Rainha do Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Paquistão, África do Sul e Ceilão... possível para Isabel II ser, na prática e na teoria, igualmente Rainha em todos os seus reinos." Ainda assim, Boyce mantém a opinião contrária de que as coroas de todos os reinos não britânicos são "derivadas, se não subordinadas" à coroa do Reino Unido.
Uma vez que cada reino tem a mesma pessoa que seu monarca, a prática diplomática de trocar embaixadores com cartas de credencial e mudança de um chefe de estado para outro não se aplica. As relações diplomáticas entre os reinos da Commonwealth são, portanto, apenas em nível de gabinete e os altos comissários são trocados entre os reinos,embora todos os outros países da Comunidade das Nações também sigam essa mesma prática, por razões tradicionais. O título completo de um alto comissário será, portanto, Alto Comissário para o Governo de Sua Majestade em [País]. Para certas cerimónias, a ordem de precedência dos altos comissários dos reinos ou das bandeiras nacionais é definida de acordo com a ordem cronológica de, primeiro, quando o país se tornou um domínio e depois a data em que o país conquistou a independência.
O Alto Comissário de Belize para o Reino Unido se reúne com o Ministro de Estado Britânico para Assuntos Estrangeiros e da Comunidade das Nações (Commonwealth). Altos comissários atuam como ligações entre os governos dos reinos da Comunidade das Nações. Conflitos de interesse surgiram dessa relação entre estados independentes. Alguns foram assuntos diplomáticos menores, como o monarca expressando a conselho de um de seus gabinetes pontos de vista que contrariam os de outro de seus gabinetes. Questões mais sérias surgiram com relação ao conflito armado, onde o monarca, como chefe de estado de dois reinos diferentes, pode estar simultaneamente em guerra e em paz com um terceiro país, ou mesmo em guerra consigo mesmo como chefe de duas nações hostis.
A Coroa nos Reinos da Commonwealth
A evolução dos domínios em reinos resultou na Coroa (Poder Real) tendo um caráter compartilhado e separado, com um indivíduo sendo igualmente monarca de cada Estado e agindo como tal em direito de um reino particular como uma pessoa jurídica distinta guiada apenas pelo conselho do gabinete dessa jurisdição. Isso significa que em diferentes contextos, o termo Coroa pode se referir à instituição extranacional que associa todos os 15 países ou à Coroa em cada reino considerado separadamente. A monarquia não é mais uma instituição exclusivamente britânica, tendo se tornado adaptado em cada um dos reinos.
Do ponto de vista cultural, o nome e a imagem do soberano e outros símbolos reais exclusivos de cada nação são visíveis nos emblemas e insígnias das instituições governamentais e dos militares. A efígie da rainha, por exemplo, aparece em moedas e notas em alguns países, e um juramento de fidelidade ao rei geralmente é exigido de políticos, juízes, militares e novos cidadãos. Em 1959, estava sendo afirmado pelos funcionários do Palácio de Buckingham que a rainha estava "igualmente à vontade em todos os seus reinos".