Neste Dia

Reino de Portugal

Reino no sudoeste da Europa (1139–1910)

Anúncio

Reino de Portugal e dos Algarves foi uma monarquia que existiu na península Ibérica ocidental, no sul da Europa, antecessora da atual República Portuguesa. O Reino de Portugal e dos Algarves existiu entre 1139 e 1910 (771 anos), com 35 monarcas, distribuídos ao longo de quatro dinastias: Afonsina ou de Borgonha (9), Joanina ou de Avis (9), Filipina ou de Habsburgo (3) e Brigantina ou de Bragança (14).

O núcleo do estado português foi o Condado Portucalense, estabelecido no século IX como parte da Reconquista, por Vímara Peres, um vassalo do rei de Astúrias. O condado tornou-se parte do Reino de Leão em 1097, e os Condes de Portugal estabeleceram-se como governantes de um reino independente no século XII, após a Batalha de São Mamede. O reino foi governado pela Dinastia de Avis até a crise de 1383–85, após a qual a monarquia passou para a Casa de Bragança.

Durante os séculos XV e XVI, as explorações portuguesas estabeleceram um vasto império colonial. De 1580 a 1640, o Reino de Portugal esteve em união pessoal com a Espanha dos Habsburgos.

Após a Guerra da Restauração Portuguesa de 1640–1668, o reino passou para a Casa de Bragança e, posteriormente, para a Casa de Bragança-Saxe-Coburgo e Gota. A partir desse período, a influência de Portugal declinou, mas permaneceu uma potência devido à sua colónia mais valiosa, o Brasil. Após a independência do Brasil, Portugal buscou se estabelecer em África, mas foi forçado a interromper sua expansão devido ao ultimato britânico de 1890, o que eventualmente levou ao colapso da monarquia na revolução de 5 de outubro de 1910 e consequente implantação da República Portuguesa.

O Reino de Portugal era uma monarquia absoluta antes de 1822. Alternou entre monarquia absoluta e semi-constitucional de 1822 até 1834, quando permaneceu como uma monarquia constitucional até sua queda.

O Condado Portucalense (868–1143) foi um condado que surge ao longo do processo de reconquista da Península Ibérica pelos cristãos e que é dissolvido com a assinatura do Tratado de Zamora. Deste nome provém o atual Portugal, pois durante a Alta Idade Média a atual Região Norte portuguesa foi denominada como Condado Portucalense, para diferenciá-la do Reino da Galiza. Houve, no atual território de Portugal, ao longo do processo de reconquista, duas entidades denominadas de Condado Portucalense ou Condado de Portucale. Em documentos coevos, o território denominava-se Portugália, sendo o condado fundado por Vímara Peres em 868, após a presúria de Portucale (o Porto). A partir de finais do século X e com Gonçalo Mendes, os condes portugueses passaram a usar o título de duques, o que poderia indicar maior importância e maior extensão territorial.

A província portucalense que correspondia sensivelmente ao Entre-Douro-e-Minho tinha inicialmente o Porto como capital, mas dada a revelia e poder dos condes de Portugal, agora duques, que ingeriam na monarquia leonesa, um deles acabou por ser regente do reino entre 999 e 1008.

O Condado Portucalense reemergiu, em 1096 pela mão de Henrique de Borgonha como oferta do rei Afonso VI de Leão pelo auxílio na reconquista de terras aos mouros, a quem deveria prestar vassalagem, tendo também recebido a mão de sua filha, a infanta Teresa de Leão. A "Terra de Portugal" foi concedida como dote hereditário de D. Teresa. Este último condado era maior em extensão e abarcava também os territórios do antigo condado de Coimbra, suprimido em 1091, partes de Trás-os-Montes e ainda do sul da Galiza, a diocese de Tui. De notar que Condado é um termo genérico para designar o território português, já que os seus chefes eram alternativamente intitulados comite (conde), dux (duque), princeps (príncipe) e até regina (rainha). O condado, embora gozando de autonomia significativa, era vassalo do Reino de Leão (910-1230).

O procedimento da sua independência deu-se em três momentos fulcrais:

O primeiro, em 26 de julho de 1139, quando Afonso Henriques de Borgonha, então conde de Portucale, foi aclamado Rei de Portugal internamente;

O segundo, com o Tratado de Zamora, em 5 de outubro de 1143, pelo qual o Reino de Leão reconhece Afonso Henriques como Rei;

Mas só com a bula Manifestis Probatum de 1179 é que é definitivamente reconhecida a independência de Portugal pelo Papado, a autoridade máxima nas relações internacionais na época. Por essa bula, o Papa reconhece o Rei de Portugal como seu vassalo direto.

Esse foi o início da dinastia Afonsina (ou de Borgonha), essa, por sua vez, originária da família ducal de Borgonha e ascendente da última família real portuguesa, a Casa de Bragança.

Considera-se que foi em 1211, reinado de D. Afonso II de Portugal, a primeira vez que foram reunidas cortes em Coimbra, no primeiro ano do seu governo, com representantes do clero e nobreza. Foram publicadas importantes leis para proteger os bens da Coroa, garantir as liberdades e proibir os abusos dos funcionários régios. D. Afonso II, com esta Cúria, pretenderia demonstrar que queria governar com o apoio da nobreza e do clero, mas defendendo um programa político de afirmação do poder real.

No mesmo ano em que foi conquistada Mértola, é conquistada Alcoutim, já no actual território algarvio, e também Aiamonte, a leste do rio Guadiana, pelo rei Sancho II.

As agrestes serras algarvias constituíam um obstáculo sério ao avanço das hostes portuguesas para sul e sudoeste. Logrou o comendador Paio Peres Correia transpô-las ainda em 1238 com o apoio do cavaleiro Garcia Rodrigues, que conhecia bem todos os seus caminhos e acessos devido à sua anterior ocupação como mercador, o que permitiu aos cavaleiros espadatários contornar os principais castelos muçulmanos que vigiavam os caminhos montanheses, marchando de noite e acampando de dia, ocultos entre os montes.

Os primeiros castelos a serem tomados foram os de Alvor e Estômbar, na região de Silves e de lá eram lançadas algaras aos ricos campos em redor desta importante cidade. Mediante acordo com o emir do Algarve Aben Mafom foram trocados pelo castelo de Cacela Velha.

Falhado um ataque surpresa ao castelo de Paderne, foi depois tomada a importante vila de Tavira. Seguiu-se Salir, castelo posicionado numa das poucas vias que atravessava longitudinalmente o Algarve e dava acesso ao Alentejo. Silves foi então tomada mediante logro: enviado um pequeno destacamento de cavaleiros a atacar o castelo de Estômbar e divulgada a falsa informação de que Paio Peres seguia à testa dos seus cavaleiros, foi a cidade escalada depois de ter o emir saído com as suas tropas na direcção de Estômbar. Paderne foi conquistado pouco depois, tendo toda a sua guarnição sido chacinada, sendo provável que depois se tenham rendido os castelos serranos de Monchique, Montagudo, Marachique, Ourique e Messines.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Reino de Portugal | World in Stories