Região Sul do Brasil é a menor em extensão territorial entre as cinco regiões do país. Sua superfície terrestre é de 576 774,31 km², sendo maior que a superfície da França metropolitana e menor que o estado brasileiro de Minas Gerais. Está subordinada à Região Centro-Sul do Brasil. Tem três unidades federativas: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Possui como limites: ao sul, com o Uruguai; a oeste, com a Argentina e o Paraguai; a noroeste e ao norte, com Mato Grosso do Sul e São Paulo. É a única região brasileira fora da zona tropical, com oscilações visíveis no que diz respeito às estações do ano. No inverno, caem geadas e, ocasionalmente, neve. A topografia é pouco escarpada, com prevalência de um grande planalto, genericamente pouco alto.
Mas o que mais define a região sul é o modo como foi povoada e o perfil de imigrantes que acolheu. Sua colonização apenas começou nos séculos XVII e XVIII. A mais antiga vila, Paranaguá, foi criada em 1648. Acolheu poucos escravos negros, porém, vários imigrantes uruguaios, argentinos, açorianos, espanhóis, alemães, italianos, poloneses, ucranianos e outros. Os europeus legaram para a sociedade a predominância dos caucasianos, colocaram na paisagem características das nações de procedência (uso do solo, casas, transportes) e difundiram o sistema de médias e pequenas fazendas. Traziam da Europa a viticultura, que ajustaram à Serra Gaúcha.
A população urbana da região sul tem crescido nos últimos anos. Existem duas grandes cidades: Curitiba e Porto Alegre. O setor fabril passou a se expandir nas últimas décadas, especialmente no Rio Grande do Sul, nordeste catarinense e região de Curitiba. Na região de Criciúma–SC, situam-se quase todas as jazidas de carvão extraídas no Brasil. O potencial energético, constituído pelas muitas quedas d'água dos rios das bacias do Uruguai e do Paraná, também é pouco utilizado.
A região sul, propriamente dita, é um grande polo turístico, econômico e cultural, abrangendo grande influência europeia, principalmente de origem italiana e germânica. A região sul apresenta índices sociais acima da média brasileira e das demais regiões em vários aspectos: possui o maior IDH do Brasil, 0,824, e o terceiro maior PIB per capita do país. A região é também a mais alfabetizada, 95,2% da população, e a com menor incidência de pobreza. Sua história é marcada pela grande imigração europeia, pela Guerra dos Farrapos, e mais recentemente pela Revolução Federalista, com seu principal evento o Cerco da Lapa. Outra revolta ocorrida na história da região foi a Guerra do Contestado, entre os anos de 1912 e 1916.
Povos originários, vinda dos jesuítas e bandeirantes
Os primeiros moradores da região sul do Brasil eram os povos indígenas, especialmente os guaranis (mbyás), os kaingangs e os carijós. Depois, chegaram os padres jesuítas espanhóis para instruir os indígenas. Eles criaram aldeias denominadas missões ou reduções. Os indígenas, que habitavam as missões, produziam gado, dedicavam-se à agricultura e estudavam ofícios.
Os bandeirantes paulistas invadiram as missões para escravizar os indígenas. Com isso, o local foi desocupado pelos indígenas e pelos jesuítas e o rebanho ficou desgarrado pelos campos. Pouco a pouco, vários paulistas foram se estabelecendo na costa catarinense. Eles criaram as vilas mais antigas do litoral, como Paranaguá, Florianópolis, Laguna e São Francisco do Sul, por exemplo.
Ciclo das tropas, lutas territoriais e acordos internacionais
Os paulistas também tinham curiosidade pela comercialização de gado. Os tropeiros, ou seja, os vendedores de gado, juntavam os animais criados soltos pelos campos. Eles conduziam os animais para comercializar nas feiras de gado, em Sorocaba. Na estrada por onde transitavam os tropeiros, nasceram povoados. Os tropeiros também fundaram as mais antigas estâncias, ou seja, propriedades de produção de animais. Os condutores de tropa foram os mais antigos devotos de Nossa Senhora das Brotas do século XVIII ao XIX.
Para proteger as estâncias que haviam sido fundadas, fortalezas militares na região foram mandadas erguer pelo rei de Portugal. Nos arredores dos fortes, nasceram povoados. No decorrer de vários anos, Portugal e Espanha combateram pela conquista das terras meridionais. Os conflitos armados prosseguiram e apenas foram solucionados com a promulgação de tratados como, por exemplo, de Madri (1750), Santo Ildefonso (1777) e Badajoz (1801). Esses tratados estabeleceram as fronteiras das terras situadas na parte meridional do Brasil.
Vinda dos imigrantes, colonização recente e expansão agropecuária
A colonização cresceu grandemente com a vinda dos imigrantes. Os primeiros imigrantes eram os açorianos. Em seguida, chegaram especialmente imigrantes alemães (1824, São Leopoldo–RS) e italianos (1875, Caxias do Sul). Outros grupos buscavam a região para morar. Os imigrantes criaram colônias que se transformaram em cidades muito populosas como, por exemplo, Caxias do Sul.
Os solos de terra roxa do norte do Paraná e do oeste de Santa Catarina eram as últimas regiões a serem colonizadas. O norte do Paraná foi ocupado com a fundação de colônias agrícolas. Migrantes de outros estados brasileiros e países chegaram à região para exercer a função de agricultores no cultivo de café e de cereais. No oeste catarinense, expandiram-se a pecuária e a extração da erva-mate e da madeira.
O Sul constitui a menor região do Brasil em área. Ele abrange as unidades federativas do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, os quais, reunidos, somam 576.774 km², superfície maior que a da França Metropolitana, por exemplo, o segundo maior país da Europa em área.
Constituem aspectos característicos da região Sul:
Aspectos físicos: o sul é a região mais fria do Brasil, tem um clima subtropical. Suas mais importantes formações vegetais são a Mata Atlântica, as matas de araucárias e e matas ciliares. Entre as formações de relevo incluem planícies, depressões, com planaltos meridionais e atlântico. No que diz respeito à hidrografia, existem quatro rios e três bacias, sendo bom o suficiente para a geração de energia.
Muitos moradores em pequena superfície: a região compreende 6,8% do território do país, entretanto, possui uma população enorme. Seus 29,7 milhões de habitantes representam uma densidade demográfica de 49,9 hab./km². Com um progresso pouco variável em setores como agropecuário, industrial e de serviços, essa sociedade possui os maiores índices de alfabetização/literacia segundo registros realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que torna mais evidente o aspecto cultural e socialmente desenvolvido da região.
Situado na posição meridional em relação ao Trópico de Capricórnio: única região do Brasil quase totalmente localizada em clima subtropical, o sul constitui a região mais gelada do Brasil, subordinada a geadas e até mesmo, em determinados lugares, a quedas de neve. As estações do ano são bem determinadas e as chuvas, geralmente, dividem-se de maneira uniforme no decorrer do ano.