A Rebelião Racial de Omaha foi um motim que ocorreu em Omaha, Nebraska, entre 28 e 29 de setembro de 1919. A rebelião racial resultou no brutal linchamento de Will Brown, um operário negro; a morte de dois homens brancos, a tentativa de enforcamento do prefeito da cidade, e um incidente onde várias pessoas atearam fogo no tribunal jurídico da cidade. Foi seguido por mais de 20 rebeliões raciais que ocorreram nos Estados Unidos durante o Verão Vermelho de 1919.
Três semanas antes do motim, os investigadores federais observaram que "um confronto era iminente devido ao mal-estar entre trabalhadores brancos e negros na Omaha Stockyards, uma concentração de compras e vendas". O número de negros em Omaha havia dobrado durante a década 1910-1920, e eram recrutados para trabalhar na indústria frigorífica, o que estava sendo notado pelos trabalhadores concorrentes. Em 1910 Omaha tinha a terceira maior população negra entre as cidades ocidentais. Em 1920 a população negra mais do que duplicou para mais de 10 000, perdendo apenas para Los Angeles com quase 16 000. Ela estava à frente de São Francisco, Oakland, Topeka e Denver.
Os maiores frigoríficos passaram a contratar um grande número de negros em 1917. Hostilidades contra eles foram altas entre os brancos da classe trabalhadora da cidade, que eram em sua maioria imigrantes católicos do sul e do leste da Europa, ou descendentes de imigrantes, vivendo principalmente no sul da cidade. A etnia irlandesa estava entre o grupo mais antigo e maior de imigrantes, tendo estabelecido sua própria base de poder na cidade. Vários anos antes, após a morte de um policial irlandês, a etnia irlandesa realizou uma rebelião em Greektown, o que fizeram, levou a comunidade grega a sair de Omaha.
Com a administração moralista do primeiro mandato do prefeito reformista Edward Parsons Smith, a polícia da cidade começou a desafiar a Omaha Business Men's Association, que detinha grande poder na cidade. Smith realizava mudanças que tinham pouco apoio da câmara municipal da cidade e dos sindicatos dos trabalhadores. Junto das várias greves ao longo do ano anterior, em 11 de setembro, dois detetives do departamento de Polícia de Omaha mataram a tiros um operário negro da cidade.
A violência associada com o linchamento de Will Brown foi desencadeada por reportagens em jornais da cidade, supondo de forma sensacionalista o estupro de Agnes Loebeck, de 19 anos, em 25 de setembro de 1919. No dia seguinte, a polícia prendeu Will Brown, até então com 40 anos, como suspeito. Loebeck identificou Brown como seu estuprador, embora os relatórios posteriores por parte do Departamento de Polícia de Omaha e do Exército dos Estados Unidos relatem que ela não tinha feito uma identificação positiva do suspeito. Houve uma tentativa frustrada de linchamento de Brown no dia de sua prisão.
O Omaha Bee divulgou o incidente como um de uma série de ataques de mulheres brancas por homens negros. O jornal publicou uma série de artigos sensacionalistas sobre crimes feitos pela população negra da cidade. O Bee era controlado pelo grupo político opositor do prefeito Smith, que usava os incidentes da "criminalidade preta" para constranger a nova administração.
Por volta das 14:00 do domingo de 28 de setembro de 1919, um grande grupo de jovens brancos se reuniram perto de uma Escola no sul da cidade e se puseram em marcha até o tribunal do condado de Douglas, onde Brown estava preso. A marcha foi interceptado por John T. Dunn, chefe da polícia de Omaha, e por seus subordinados. Dunn tentou dispersar a multidão, mas eles ignoraram sua advertência e marcharam adiante. Trinta policiais estavam vigiando a corte quando os manifestantes chegaram. Por volta de 16:00 a multidão tinha crescido em um número muito maior. Membros da multidão conversavam com os policiais, já que a polícia estava convencida de que a multidão não representava nenhuma ameaça séria. Um relatório sobre a multidão foi feita e enviada para a delegacia central, que enviou cerca de 50 oficiais para casa naquele dia.
Por volta de 05:00, uma multidão de cerca de 4.000 brancos tinham lotado a rua no lado sul do tribunal do condado de Douglas. Eles começaram a agredir os policiais, empurrando um através de um painel de vidro em uma porta e atacando outros dois que tentavam dispersar a multidão. Às 5:15, os policiais começaram a usar uma mangueira para dispersar a multidão, que respondeu com uma chuva de tijolos e paus. Quase todas as janelas no lado sul do tribunal foram quebradas. A multidão invadiu o local pelas portas inferiores do tribunal, e a polícia deu tiros de advertência em um poço de elevador numa tentativa de assustá-los, mas isso incitou ainda a multidão. Eles novamente tentaram ultrapassar pelos policiais que estavam de guarda do lado de fora do prédio, conseguindo entrar no tribunal por uma porta do porão quebrado.
Foi neste momento que o Marechal Eberstein, chefe da polícia, chegou. Ele pediu aos líderes da multidão uma chance para que ele pudesse falar para a multidão. Subiu em um dos peitoris da janela; ao lado dele estava um chefe reconhecido da multidão. A pedido de seu líder, a multidão acalmou seu clamor por alguns minutos. Chefe Eberstein tentou convencer a multidão que seria melhor que deixassem a justiça seguir o seu curso nas investigações. A multidão se recusou a ouvir. Seus membros começaram a uivar e a vaiar para que a voz do líder não pudesse ser ouvida além de alguns metros. Eberstein abandonou sua tentativa de dialogar e entrou no prédio sitiado.
Por volta das seis horas, a multidão invadiu o prédio por ambos os lados, tomando à força os revolveres e bonés dos policiais. Eles perseguiram e batiam em cada pessoa de cor que se aventurava na vizinhança. Homens brancos que tentaram resgatar os negros inocentes de castigo imerecido foram submetidos a abuso físico. A polícia tinha perdido o controle da multidão.
Por volta das sete horas, a maioria dos policiais se retiraram para o interior do prédio da corte. Lá, eles juntaram forças com Michael Clark, xerife do condado de Douglas, que convocou seus policiais para prevenir a tentativa de captura de Brown. Os policiais e xerifes formaram sua última linha de resistência no quarto andar do edifício da corte.
A polícia não foi bem-sucedida em seus esforços. Antes das oito horas, eles descobriram que a multidão tinha colocado fogo no prédio do tribunal. Seus líderes tinham aproveitado uma estação de gasolina nas redondezas e havia espalhado o liquido nos andares mais baixos do edifício.
Tiros foram disparados quando a multidão começou a pilhar lojas de ferragens da região e a invadir lojas de penhores na procura de armas de fogo. Os registros policiais mostram que mais de 1 000 revólveres e espingardas foram roubadas naquela noite. A multidão atirava nos policiais; sete oficiais receberam ferimentos de bala, embora nenhum dos ferimentos fossem graves.
Louis Young, de 16 anos, foi morto com um tiro no estômago enquanto liderava uma gangue até o quarto andar do prédio. Testemunhas disseram que o jovem era o mais intrépido dos líderes da multidão.
Uma grande confusão ocorria no exterior do edifício. Nas ruas adjacentes, a uma quadra do tribunal, James Hiykel, um empresário de 34 anos de idade, foi baleado e morto.
A multidão continuava a atacar o tribunal com balas e pedras; espectadores foram baleados. Participantes infligiam ferimentos leves em si mesmos. As mulheres foram jogadas ao chão e pisoteadas. Os negros eram arrancados de bondes e espancados.
Por volta das 11 horas, quando o frenesi estava no seu auge, o prefeito Smith saiu da porta leste do tribunal na rua XVII. Ele estava dentro do prédio em chamas havia algum tempo. Quando saiu da porta, um tiro ecoou. "Ele atirou em mim. O prefeito Smith atirou em mim", um jovem com o uniforme de um soldado dos Estados Unidos gritou. A multidão subiu em direção ao prefeito. Ele lutou contra eles. Um homem bateu na cabeça do prefeito com um taco de beisebol. Outro deslizou um laço de uma corda em volta de seu pescoço. A multidão começou a arrastá-lo para longe.