Real (plural réis) foi a unidade monetária utilizada no Brasil desde sua colonização até 5 de outubro de 1942, quando foi substituída pelo cruzeiro na razão de 1 cruzeiro por 1 mil-réis.
Como essa unidade monetária não era fracionável (diferente do Real adotado em 1994, que se fraciona em centavos) o uso do termo réis, no plural, era predominante. Um real na realidade seria equivalente a um centavo, 100 réis é que seria equivalente a 1 real (a moeda atual, lembrando que esta comparação não é no sentido de conversão de moeda). O réis funcionava de maneira similar ao iene, moeda moderna que não é fracionária. Além disso, como essa unidade monetária circulou por um longo período de tempo em cédulas múltiplas de 1000, à época, tornou-se comum o uso do termo "mil-réis" (comumente pronunciado "mirréis" ou até "merréis") como se fosse uma única palavra ou uma nova unidade monetária. "Mil-réis" seria o equivalente hoje de forma genérica a "dez reais".
Conto de réis foi uma expressão adotada no Brasil e em Portugal para indicar um milhão de réis (Rs 1:000$000). Por se tratar de uma moeda não fracionária, de forma genérica e simplista um conto de réis equivaleria a "dez mil reais" numa comparação com a moeda moderna (e se ignorarmos a conversão de moeda) "Conto" deriva do latim computus, a conta dez vezes cem mil. Um conto de réis correspondia a mil vezes a importância de um mil-réis (Rs 1$000), sendo assim o real 1/1 000.000 de um conto de réis em representação matemática decimal atual.
Um conto de réis era uma quantia de grande valor intrínseco: em 1833, 2$500 era representado por uma oitava (equivalente a aproximadamente 3,59 gramas) de ouro de vinte e dois quilates, sendo que um conto de réis corresponderia a 1,4 quilogramas do mesmo material.
O real, cujo plural é "réis", foi a primeira moeda oficial do Brasil, utilizada desde o período colonial pelos portugueses, até 1 de novembro de 1942. No entanto, durante grande parte do período colonial, o Brasil utilizava uma mistura de moedas, incluindo a moeda espanhola (o peso), e até mesmo o ouro em pó, como meio de troca. A história do real está profundamente entrelaçada com a evolução econômica e política do país.
Adoção pelo Brasil independente e consolidação
Com a independência do Brasil em 1822, o país continuou a utilizar o Real como sua unidade monetária oficial. Durante o século XIX, o governo brasileiro começou a cunhar suas próprias moedas em reais, consolidando a moeda como símbolo da soberania nacional. A moeda de mil-réis, que equivalia a 1 000 réis, tornou-se uma denominação comum e amplamente utilizada no comércio e nas transações diárias.
Desvalorização e reforma monetária
O Governo Provisório republicano permitiu que alguns bancos emitissem cédulas. Este período ficou conhecido como período da "Pluralidade Bancária". As emissões multiplicaram-se desordenadamente, gerando inflação, o que resultou no retorno à ideia de um único emissor que, de 1892 a 1896, foi o Banco da República do Brasil. O valor da cédula de 30 mil-réis, que surgiu neste período, é comparável a "300 reais" hoje.
No início do século XX, o Real passou por diversas crises inflacionárias, resultando em uma contínua desvalorização da moeda. O processo inflacionário foi exacerbado por fatores econômicos e políticos, incluindo as crises econômicas globais, como a Grande Depressão. Essa desvalorização levou à necessidade de uma reforma monetária.
Em 1 de novembro de 1942, o Real foi finalmente substituído pelo Cruzeiro, na razão de 1 Cruzeiro para cada 1 000 mil-réis. Esta mudança marcou o fim da longa história do Real como moeda oficial do Brasil.
O Real permaneceu como a moeda do Brasil por mais de quatro séculos, sendo testemunha de diversos períodos históricos importantes, desde o Brasil colonial, passando pela independência, o Império, e as várias fases da República. Apesar de ter sido substituído pelo Cruzeiro em 1942, o nome "Real" foi resgatado em 1994, quando uma nova moeda foi introduzida como parte do Plano Real, um programa de estabilização econômica que ajudou a controlar a hiperinflação no Brasil.
Tesouro Nacional, Caixa de Conversão, Caixa de Estabilização e Banco do Brasil
Após a crise causada pela "Pluralidade Bancária", as emissões foram centralizadas no Tesouro Nacional. Como o mil-réis já estava bastante desgastado pela inflação, surgiu a ideia de se adotar uma moeda lastreada no Ouro, que se chamaria Cruzeiro. Para preparar o país para esta mudança foram emitidas cédulas de Mil-réis em nome da "Caixa de Conversão" e em nome da "Caixa de Estabilização".
O projeto do Cruzeiro-Ouro foi abandonado e as Cédulas da Caixa de Conversão e Estabilização foram incorporadas às demais cédulas do Tesouro Nacional. Também houve uma tentativa, na década de 1920, de se padronizar as cédulas em emissões assinadas pelo Banco do Brasil.
Vintém - 20 réis (equivalente a "20 centavos")
Tostão - 80 réis (período Colonial e Imperial); 100 réis (em cuproníquel emitida entre 1917 a 1932). Equivalente a "80 centavos" ou "1 real" de hoje.
Pataca - 320 réis (equivalente hoje a "3 reais e 20 centavos)