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Raymond Abellio

Transformações mais revolucionarias que surgiram na pintura durante o renascimento

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Raymond Abellio, pseudónimo de Georges Raymond Soulès, (Toulouse, 11 de novembro de 1907 — Nice, 26 de agosto de 1986) foi um escritor e filósofo francês.

A sua obra de ficção, de inspiração e essência metafísicas, inicia-se com um primeiro romance (Heureux Les Pacifiques), e desenvolve-se em seguida através da construção de uma Trilogia (Les yeux d’Ézéchiel sont ouverts, La fosse de Babel e Visages immobiles) que ocupará o resto de sua vida. Ao longo destes quatro romances, o narrador (inicialmente chamado Saveilhan e depois Pierre Dupastre) irá evoluindo no sentido da descoberta do “Homem Interior”, ao mesmo tempo que assiste ao desenrolar dos sobressaltos da História Contemporânea mundial, na qual é chamado a “tomar parte sem tomar partido”.

A sua obra filosófica, por sua vez, desenvolve-se através de vários ensaios e numerosos artigos e conferências, onde o autor apoiando-se no estudo da fenomenologia transcendental de Edmund Husserl e no conhecimento da Tradição esotérica ocidental e oriental, que lhe viria a ser transmitida pelo seu “mestre” espiritual Pierre de Combas, acaba por se orientar no sentido da construção de uma “gnose moderna”, que questiona e expande o significado e as implicações do conhecimento contemporâneo. Finalmente, Raymond Abellio também escreveu memórias, coligidas numa outra Trilogia “Ma Dernière Mémoire”, em três volumes (Un Faubourg de Toulouse, Les Militants, Sol Invictus) que se referem aos primeiros quarenta anos da sua vida.

Nascido numa família pobre do subúrbio de Minimes de Toulouse, Georges Raymond Soulès ingressou em 1927 na Escola Politécnica de Paris donde saiu para o Departamento de Pontes e Estradas. Após aderir ao grupo parisiense de estudantes socialistas e depois à Juventude Socialista do XIVº bairro, Soulès "converteu-se" ao marxismo em 1928, e ingressou, em 1932, na Section Française de l’Internacional Ouvrière (SFIO), aderindo em seguida ao Centro Politécnico de Estudos Económicos (X-Crise). O romance o Grand Slam, entretanto escrito, nunca será publicado, e acabará por ser destruído durante um bombardeamento, em 1940. Após o encontro, em 1932, com o surrealismo e a escrita automática, Soulès rompeu, em 1935, com o Partido Comunista. No ano seguinte, sob o governo de Léon Blum, o futuro escritor é encarregado de missão no Ministério da Economia Nacional. Primeiro servindo como engenheiro na Drôme e depois em Paris e em Versalhes, Soulès militou na oposição de esquerda do Partido Socialista, representando-a no comité de direção do partido em 1937 e 1939. Em 24 de agosto de 1939, Soulès foi mobilizado para o 6º regimento de engenharia em Angers, e foi feito prisioneiro em 26 de maio de 1940, em Calais, tendo permanecido no Offlag IV D, durante oito meses. Após o regresso do cativeiro, em 1941, o militante ingressa no Movimento Social Revolucionário (MSR) de Eugène Deloncle (onde segundo algumas vozes terá cedido à "tentação totalitária"). Com outros membros, no entanto, Soulès participou numa fração clandestina. Dessa forma, após a exclusão de Eugène Deloncle, em 1942, o MSR é renovado e assegura a ligação com a Resistência Francesa, como testemunhou Jean Gemaehling.

Em 1943, ele era membro da Frente Nacional Revolucionária, criada por Marcel Déat, que incluía a maioria dos partidos colaboracionistas, com exceção do Partido Popular Francês. Chefe de fila da FRN, Georges Soulès esteve na origem da fundação, em 1943, do grupo clandestino "Os Unitários" que publicou o boletim Força Livre. 1943 foi, para Soulès, o ano decisivo do seu encontro com Jane L. e com Pierre de Combas, que será o seu “mestre espiritual” até à partida de Soulès para o exílio. Forçado a esconder-se, Soulès mudou várias vezes de domicílio, entre 1944 e 1947, ano em que decide refugiar-se na Suíça, onde se tornará o tutor dos filhos de Jean Jardin, ex-diretor do gabinete de Pierre Laval. Durante este período de clandestinidade, escreveu os seus primeiros livros. Publicado, já sob o nome de Raymond Abellio, em 1947, o seu primeiro romance Heureux les Pacifiques, em Abril desse ano o mesmo obteve o prémio de Sainte Beuve. Durante este período, Georges Soulès abandonou o campo da ação política, para "renascer", definitivamente, como Raymond Abellio.

Em 1948, porque havia sido confundido com um homónimo, gerente de propriedade judia durante a ocupação, Georges Soulès foi condenado à revelia a dez anos de trabalhos forçados. Perdoado em 1952, através da intervenção de elementos ligados à Resistência (em especial o depoimento do general Pierre Guillain de Bénouville), Abellio regressou a Paris em 1953. Tendo abandonado a política, este ex-ativista dirigiu, para ganhar a vida, uma empresa de engenheiros consultores sem nunca, paralelamente, deixar de se dedicar à busca do conhecimento, através da literatura, da filosofia e do esoterismo. Regularmente convidado a apresentar as suas ideias em emissões audiovisuais e de rádio, foi no entanto através da sua obra literária e ensaística que Raymond Abellio se empenhou na transmissão do conhecimento gnóstico que viria a constituir e a aperfeiçoar. Morreu em 1986. Um Cahier de L’Herne foi-lhe dedicado em 1979.

Sobre a personalidade do autor, registe-se o seguinte testemunho:

"Esta personalidade excecional, no bom e mau sentido do termo, é um composto de qualidades raramente reunidas: Abellio é ao mesmo tempo um científico, um ativista, um filósofo, um gnóstico, um romancista, um amoroso, um artista - e esta lista não é exclusiva. Ele mesmo é uma imagem viva da Totalidade. E isso deve-se ao encontro raro de uma vitalidade e de uma intelectualidade particularmente fortes, as quais em vez de se prejudicarem uma à outra, se aplicam mutuamente num movimento ascendente."

Do compromisso político ao despertar fenomenológico

A adolescência de Georges Soulès foi atravessada por "crises místicas" que, em intervalos irregulares, davam ritmo a uma existência solitária, interior e estudiosa. Exprimindo-se espontaneamente por uma religiosidade vivida à margem dos outros por meio de uma liturgia muito pessoal, esta mística "do interno", se era já um anseio pelo absoluto, no entanto, permanecia sem estrutura definida, sem finalidade específica, sem qualquer motivo consciente, como uma predisposição mística difusa e espontânea. Em 1928, durante um encontro com o capelão da Escola Politécnica, Padre Pupey-Girard, realizado a pedido deste, o jovem politécnico foi convidado para evangelizar as massas socialistas, ao mesmo tempo que ouviu falar sobre a dimensão do homem interior, a que se referia S. Paulo. Sendo esta entrevista um dos aspetos mais marcantes de sua vida, ela esteve na origem de uma experiência interior decisiva: Soulès encetou a sua “conversão” marxista. A sua mística encontrou, naquilo que Abellio designará mais tarde de "física social", simultaneamente, um objetivo (a revolução socialista) e um campo de intervenção (o ativismo político), mas sobretudo um sistema rigoroso capaz de canalizar, ordenar e polarizar os seus entusiasmos, e dar-lhes um sentido. O marxismo foi, portanto, para Soulès, o primeiro contacto genuíno com o mundo das ideias e da racionalidade. O tema do confronto dialético da alma e do espírito, do calor e da luz, tomou aí corpo pela primeira vez, na sua vida útil. Ao longo do seu comprometimento marxista, que durou até 1938, mas também durante o período que se estende de 1939-1943, Soulès procurou conciliar a "vontade de poder" com um "ideal de pureza", combinando assim o mundo das ideias com o domínio do poder. Mas a partir das suas experiências políticas fracassadas, o militante gradualmente consciencializa-se da impossibilidade de conciliar as questões do indivíduo e da espécie e, finalmente, uma apetência cada vez mais intensa para o conhecimento, levou-o a rejeitar as suas ilusões. Dar-se-á então um novo encontro, melhor um duplo encontro, que terminou por resgatá-lo da esfera da intervenção sociopolítica, e que o fez entrar no mundo dos mistérios do conhecimento. Na verdade, quase ao mesmo tempo (março de 1943), aquele que era conhecido como George Soulès conheceu tanto aquela que o faria entrar "nos domínios enigmáticos do amor que são a razão de ser do próprio amor": Jane L., como conheceu também aquele que viria a tornar-se o seu mestre espiritual: Pierre de Combas. Soules, portanto, viu-se envolvido em seu "segundo nascimento", que o faria renascer com o nome de Raymond Abellio

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Raymond Abellio | World in Stories