Neste Dia

Raquel Lyra

Política e advogada brasileira, ex-prefeita de Caruaru e atual governadora do estado de Pernambuco

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Raquel Teixeira Lyra Lucena (Recife, 2 de dezembro de 1978) é uma advogada e política brasileira filiada ao Partido Social Democrático (PSD). Desde 1.º de janeiro de 2023, exerce o cargo de governadora do estado de Pernambuco. Representante da terceira via, iniciou sua carreira política alinhada à esquerda, sendo atualmente mais próxima das posições de centro-direita e centro-esquerda.

Membro de uma família com influência política em Pernambuco, Raquel é formada em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco e pós-graduada em Direito Econômico e de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas, tendo iniciado sua carreira como advogada do Banco do Nordeste, depois se tornando delegada da Polícia Federal e Procuradora-Geral do estado. Em 2010 foi eleita deputada estadual com a maior votação entre as mulheres e a mais votada em Caruaru. Foi secretária da Criança e da Juventude do estado de 2011 a 2012. Na Assembleia Legislativa de Pernambuco, foi presidente da Comissão de Constituição, Legislação e Justiça, vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente, membra titular da Comissão de Negócios Municipais e suplente da Comissão de Ética. Foi reeleita em 2014 com a terceira maior votação do estado.

Raquel foi filiada ao Partido Socialista Brasileiro de 2007 a 2016, ano em que não foi autorizada a concorrer à prefeitura de Caruaru; em resposta, ingressou no Partido da Social Democracia Brasileira. Na eleição municipal, foi para o segundo turno e elegeu-se com 53,15% dos votos válidos, sendo a primeira mulher escolhida para governar a cidade. Em 2020, foi reeleita no primeiro turno com 66,86% dos votos. Em 2022, Raquel concorreu à eleição para o governo de Pernambuco. No segundo turno, adotou uma postura de neutralidade na eleição presidencial, dando um foco maior na política local em seus posicionamentos. Venceu a eleição obtendo 58,70% dos votos válidos, tornando-se na primeira mulher eleita para o cargo, sendo próxima de setores de centro-direita a centro-esquerda.

Nascida no Recife em 2 de dezembro de 1978, Raquel Lyra é a caçula de três filhas de Mércia Teixeira Lyra e João Lyra Neto, ex-prefeito de Caruaru e ex-governador de Pernambuco. Em sua família, o avô João Lyra Filho trabalhou no ramo de transportes, sendo proprietário da rodoviária de Caruaru, município do qual também foi prefeito, e seu tio Fernando Lyra foi ministro da justiça. Por meio de seu avô, tem ascendência portuguesa, açoriana e de indígenas umãs. Por ser de uma família ligada à política, Raquel se interessou pela área desde cedo, participando aos nove anos de campanhas eleitorais, como a presidencial em 1989 de Leonel Brizola, cujo vice era seu tio. É viúva do empresário Fernando Lucena, com quem teve os filhos Fernando e João. Seu marido morreu no dia da realização do primeiro turno das eleições de 2022.

Raquel fez Direito na Universidade Federal de Pernambuco. Começou a exercer a advocacia aos 21 anos, foi advogada do Banco de Desenvolvimento Regional e do Banco do Nordeste. Foi delegada da Polícia Federal, atuando no Recife e no Rio de Janeiro, também sendo, em 2003, pós-graduada em Direito Econômico e de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas, e depois foi aprovada para a Procuradoria-Geral do estado. Foi chefe da Procuradoria de Apoio Jurídico e Legislativo do governo de Eduardo Campos em Pernambuco. Entre 2021 e 2022, participou de um curso de liderança e gestão pública promovido pela Bloomberg Center for Cities, da Universidade Harvard, sendo a única mulher e única prefeita do Brasil convidada entre quarenta pessoas.

Em 2010, Raquel foi eleita deputada estadual pelo Partido Socialista Brasileiro, com a maior votação entre as mulheres de Pernambuco e como a mais votada em Caruaru, com 49 610 votos. Em sua campanha prometeu trabalhar para diminuir as desigualdades sociais no estado. Foi reeleita em 2014, com pouco mais de 80 mil votos, a terceira maior votação do pleito. Entre os projetos de lei que apresentou e foram promulgados pela Assembleia Legislativa de Pernambuco, estão o que estabelece a obrigatoriedade de detectores de metais em concursos públicos, o que cria a reserva de 10% das vagas nos contratos de aprendizagem em órgãos públicos estaduais para pessoas com deficiência e o que determina a disponibilização de leitos para estas ou pessoas com mobilidade reduzida em estabelecimentos como hotéis e pousadas.

Em 6 de fevereiro de 2013, Raquel foi eleita a primeira mulher presidente da Comissão de Constituição, Legislação e Justiça da ALEPE, exercendo o cargo nos biênios 2013–2015 e 2015–2017. Nas comissões permanentes, também foi vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente, titular da Comissão de Negócios Municipais e suplente da Comissão de Ética; nas especiais, foi membra de uma para elaborar o plano de assistência estudantil de Pernambuco e relatora de uma relacionada com a mobilidade urbana. Integrou também da Frente Parlamentar de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa e da Frente Parlamentar da Primeira Infância. Raquel foi uma dos sete deputados estaduais que encerrou o mandato na ALEPE após serem eleitos prefeitos em 2016.

Secretária da Criança e da Juventude de Pernambuco

Em fevereiro de 2011, Raquel assumiu a Secretaria da Criança e da Juventude de Pernambuco. Durante a sua gestão, criou os projetos Minha Certidão, Casas da Juventude e Esporte Educacional Seguro e Inclusivo. Em 10 de fevereiro de 2012, foi eleita presidente do Fórum Nacional de Secretários e Gestores de Juventude para o biênio 2012–2014, tomando posse em 31 de maio. Deixou a secretaria e retornou ao seu mandato na ALEPE em 18 de dezembro de 2012.

Candidatura a prefeita de Caruaru em 2016

Desde agosto de 2015, Raquel revelava a intenção de ser candidata a prefeita de Caruaru. Porém, o PSB era aliado do então prefeito José Queiroz, rompido politicamente com a família Lyra. Apesar de ela ter assumido a presidência do partido em Caruaru em novembro de 2015, o PSB recusou sua candidatura à prefeitura, situação que resultou no saída de sua família do partido. Tanto Raquel como João Lyra Neto afirmaram que foram expulsos, e em discurso na ALEPE ela acusou o PSB de ter feito um acordo com o PDT, partido de José Queiroz, em troca do apoio à releição do prefeito Geraldo Júlio no Recife. Em 17 de março de 2016, Raquel e Lyra Neto filiaram-se ao Partido da Social Democracia Brasileira. Em 5 de agosto, a convenção do partido lançou a candidatura dela em uma chapa com o empresário Rodrigo Pinheiro, também do partido. O principal tema de sua campanha foi a segurança pública, adotado devido aos elevados índices de violência de Caruaru.

Os principais adversários de Raquel no primeiro turno foram o ex-prefeito Tony Gel e o estreante na política Erick Lessa, com quem disputava o segundo lugar nas pesquisas de opinião. Tony venceu o primeiro turno com 63 697 votos (37,1%) e Raquel ficou em segundo com 44 776 (26,08%), passando em uma margem apertada de Lessa, que obteve 41 102 (23,94%); a disputa foi para o segundo turno, o primeiro realizado na cidade. Nesta fase da campanha, houve um acirramento com pouca diferença percentual entre os dois candidatos na maioria das pesquisas. Raquel venceu o segundo turno com 93 803 votos (53,15%), uma pouco mais de 11 mil sobre Tony, tornando-se a primeira mulher eleita prefeita de Caruaru e a única a ter vencido no segundo turno em 2016.

Após ser eleita, Raquel anunciou seus secretários de governo em 28 de dezembro, reduzindo de 18 para 13 a quantidade de secretarias municipais. Assumiu o cargo em cerimônia na Prefeitura de Caruaru em 1.º de janeiro de 2017, tornando-se a primeira mulher chefe do executivo municipal; em seu discurso de posse prometeu uma gestão de vanguarda e participativa.

Em 2017, Raquel implementou o programa Juntos pela Segurança, que reduziu o número de homicídios em 50% e o de crimes violentos contra o patrimônio em 70%. Durante sua gestão, Caruaru passou a ficar em 6.º lugar no levantamento do projeto Cidade Pacífica, do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que também deu um certificado e o selo de cidade pacífica para o município. Porém, em 2022, adversários de Raquel deram crédito à melhoria da situação de Caruaru na área da segurança pública para ações do governo estadual e para o trabalho das polícias civil e militar de Pernambuco.

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