Raimundo Carrero de Barros Filho (Salgueiro, 20 de dezembro de 1947 - Recife, 16 de junho de 2026) foi um jornalista e escritor brasileiro.
Antes de se iniciar na literatura, e ser conhecido como um grande escritor, Raimundo Carrero participou, ainda em Salgueiro, como saxofonista do grupo musical "Loving Black Ties", e depois, já no Recife, na época da Jovem Guarda, de um conjunto musical, Os Tártaros, como saxofonista.
A gente tinha um saxofonista meio fraquinho, aí um amigo, não me lembro mais quem (olha quanto tempo) disse que conhecia um rapaz de Salgueiro, que tocava as músicas muito bem. Foi através desse amigo que conhecemos Raimundo Carrero.
Formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Pernambuco.
Como jornalista, trabalhou no Diario de Pernambuco durante 25 anos, tendo exercido vários cargos, como os de crítico literário e editor chefe da redação.
Foi assessor de imprensa na Fundação Joaquim Nabuco e funcionário da Universidade Federal de Pernambuco. Integrou o Conselho Municipal (Recife) de Cultura durante oito anos e o Movimento de Cultura Popular.
Até 1998 foi presidente da Fundação de Patrimônio Artístico e Histórico de Pernambuco (Fundarpe).
Em sua atuação como jornalista, criou um personagem de ficção que ficou famoso em todo o estado, chamado "Perna Cabeluda", que perdurou e foi objeto de estudo e enredo de filme.
No início da década de 1970 participou ativamente, como romancista e contista, do Movimento Armorial, idealizado pelo escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, cuja principal orientação era e é a realização da uma obra erudita com base nos símbolos e insígnias da cultura popular, tendo também colaborado para sua formação os escritores Hermilo Borba Filho e Gilberto Freyre, de quem foi assessor.
Em 11 de outubro de 2004 foi eleito para a cadeira 3 da Academia Pernambucana de Letras, tomando posse em 20 de janeiro de 2005.
Seu livro Somos pedras que se consomem foi incluído entre os dez melhores livros de 1995, escolhidos pelo jornal O Globo (RJ), e entre as dez melhores obras de ficção de 1995, selecionadas pelo Jornal do Brasil (RJ).
Desde a década de 1990 ministrava a própria Oficina de Criação Literária, que revelou alguns escritores nacionalmente conhecidos e premiados, como Marcelino Freire. Depois de seu AVC, afastou-se por um tempo, depois voltou, mas não com a mesma frequência de antes. Nos últimos meses, já não ministrava.
No ano 2000 foi agraciado com o Prêmio Jabuti na categoria contos pelo livro As Sombras Ruínas da Alma. Em 2010, venceu o Prêmio São Paulo de Literatura pelo romance Minha Alma é Irmã de Deus.
Em 2018, a Cepe publicou o volume Condenados à Vida, que reúne sua tetralogia composta pelos livros Maçã agreste (1989), Somos pedras que se consomem (1995), O amor não tem bons sentimentos (2008) e Tangolomango (2013).
Em outubro de 2010, aos 62 anos, o escritor teve um acidente vascular cerebral (AVC) e, desde então, passou a apresentar várias comorbidades.
Raimundo Carrero morreu aos 78 anos, no Recife, na madrugada do dia 16 de junho de 2026. A causa da morte foi um câncer, de acordo com a família do escritor. Segundo sua família, Raimundo Carrero ficou uma semana internado no Hospital Esperança, na Ilha do Leite, no Centro do Recife. Ele foi à unidade de saúde após sentir dores e descobriu que estava com um câncer em estágio avançado próximo do pulmão.
No comunicado da morte, os parentes de Carrero disseram que, neste “momento de dor, a família agradece as manifestações de carinho, solidariedade e respeito recebidas de amigos, leitores, admiradores e de todos que tiveram suas vidas tocadas por sua trajetória”.
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