O racismo no Brasil tem sido um grande problema desde a era colonial e escravocrata. Uma pesquisa publicada em 2011 indica que 63,7% dos brasileiros considera que a raça interfere na qualidade de vida dos cidadãos. Para a maioria dos 15 mil entrevistados, a diferença entre a vida dos brancos e de não brancos é evidente no trabalho (71%), em questões relacionadas à justiça e à polícia (68,3%) e em relações sociais (65%). O termo apartheid social tem sido utilizado para descrever diversos aspectos da desigualdade econômica, entre outros no Brasil, traçando um paralelo com a separação de brancos e negros na sociedade sul-africana, sob o regime do apartheid.
De acordo com dados da Pesquisa Mensal do Emprego de 2015, os trabalhadores negros ganharam, em média, 59,2% do rendimento que os brancos ganham, o que também pode ser explicado pela diferença de educação entre esses dois grupos. Além disso, de acordo com um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o percentual de negros assassinados no país é 132% maior que o de brancos. Apesar de comporem metade da população brasileira, os negros e pardos elegeram pouco mais do que 24% dos 513 representantes escolhidos nas eleições parlamentares no Brasil em 2018.
Dentre aqueles que ganham menos de um salário mínimo, 63% são negros/pardos e 34% são brancos. Dos brasileiros mais ricos, 11% são negros/pardos e 85% são brancos. Em uma pesquisa realizada em 2000, 93% dos entrevistados reconheceram que existe preconceito racial no Brasil, mas 87% dos entrevistados afirmaram que mesmo assim nunca sentiram tal discriminação. Isto indica que os brasileiros reconhecem que há desigualdade racial, mas que o preconceito não é uma questão atual, mas algo remanescente da escravidão, apesar da ordem institucional e estrutural também serem partícipes nesta questão. De acordo com Ivanir dos Santos (ex-especialista do Ministério da Justiça para assuntos raciais), "há uma hierarquia de cor da pele onde os negros parecem saber seu lugar." Para a advogada Margarida Pressburger, membro do Subcomitê de Prevenção da Tortura da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil ainda é "um país racista e homofóbico."
Um relatório divulgado pela ONU em 2014, com base em dados coletados no fim de 2013, apontou que os negros do país são os que mais são assassinados, os que têm menor escolaridade, menores salários, menor acesso ao sistema de saúde e os que morrem mais cedo. Também é o grupo populacional brasileiro que mais está presente no sistema prisional e o que menos ocupa postos nos governos. Segundo o relatório, o desemprego entre os afro-brasileiros é 50% superior ao restante da sociedade, enquanto a renda é metade da registrada entre a população branca. As taxas de analfabetismo são duas vezes superiores ao registrado entre o restante dos habitantes. Além disso, apesar de fazerem parte de mais de 50% da população (entre pretos e pardos), os negros representam apenas 20% da produção do produto interno bruto (PIB) do país. A violência policial, especialmente contra os negros, e o racismo institucionalizado também são apontados pelas Nações Unidas: em 2010, 76,6% dos homicídios no país envolveram afro-brasileiros. Apesar de reconhecer avanços no esforço do governo em lidar com o problema, o chamado mito da "democracia racial" foi apontado pela organização internacional como um impedimento para superar o racismo no país, visto que é "frequentemente usado por políticos conservadores para desacreditar ações afirmativas".
Durante décadas, a ideia de um Brasil multiétnico vivendo na chamada "democracia racial" sustentou-se no paradigma oficial, seguido por historiadores e cientistas sociais brasileiros, da alegada ausência de rancor racial como uma das peculiaridades do sistema colonial português, defendida por Gilberto Freire. Segundo o autor a plasticidade do caráter nacional português, e a sua tolerância racial, impediriam que as classes e instituições brasileiras fossem determinadas de forma definitiva em termos raciais. A historiografia recente, no entanto, tem vindo a desmontar a narrativa adocicada de Freire sobre a origem miscigenada da população brasileira.
Segundo o antropólogo Darcy Ribeiro, os índios brasileiros não se viam como um povo uno e as tribos nutriam animosidades entre si, gerando guerras constantes. No entanto, o preconceito baseado na aparência física, na cultura ou na religião teria sido trazido junto com os colonizadores portugueses, consequência da crescente intolerância religiosa, que pouco antes da Descoberta do Brasil havia culminado, em 1496, com a expulsão dos judeus que viviam há séculos em Portugal.
Chegando ao que viria a ser o Brasil, os portugueses se depararam com os povos indígenas. A cultura e a religião indígenas foram vistas como inferiores e demoníacas, resultando numa "ação civilizadora" da Igreja Católica a fim de aculturar os nativos ao cristianismo. Segundo vários autores, embora camuflada de boas intenções, o objetivo final da Igreja seria a dominação. Por outro lado, os bandeirantes cometeram várias atrocidades contra as populações indígenas. Escravizada e despojada de suas terras, a maior parte da população nativa foi fisicamente aniquilada.
O racismo no Brasil colonial não era apenas consuetudinário, vez que também tinha base legal. Para ocupar serviços públicos da Coroa, da municipalidade, do judiciário, nas igrejas e nas ordens religiosas era necessário comprovar a "pureza de sangue", ou seja, apenas se admitiam brancos, banindo negros e mulatos, "dentro dos quatro graus em que o mulatismo é impedimento". Era exigida a comprovação da "brancura" dos candidatos a cargos.
Esse processo envolvia interrogatório de testemunhas, sindicâncias longas no Brasil e em Portugal para atestar a inquestionável origem branca e cristã-velha do indivíduo. Havia um conjunto de leis que proibia negros e mulatos de se "vestirem como brancos", isto é, usar seda ou lã fina e ostentar joias ou adornos de ouro e prata, sob pena de confisco. Em 1710, em Minas Gerais e São Paulo tornou-se proibido que negros, mulatos, índios carijós ou mestiços, livres ou libertos, pudessem portar espada ou arma de fogo, sob pena de açoitamento público no pelourinho. Na sociedade colonial, uma pequena minoria branca ocupava os melhores postos de trabalho e espaços honrosos da sociedade, enquanto a massa composta de negros, mestiços e índios viviam à margem de qualquer bem-estar social. Os portugueses e seus descendentes olhavam a si mesmos como os detentores da cultura, da ordem moral, da cristandade e da autoridade constituída.
Após a independência do Brasil, a comunidade científica brasileira defensora do evolucionismo seguiu de forma geral não as teorias de Charles Darwin, mas a perspectiva haeckeliana da antropologia evolutiva, cujas ideias causaram uma enorme impressão no Brasil. Sob a influência de Haeckel, médicos e cientistas brasileiros como Domingos Guedes Cabral, João Batista de Sá Oliveira, Jansen Ferreira e Corrêa Filho, consideravam que as diferentes "raças" que constituíam a população brasileira eram espécies separadas, com diferentes aptidões natas para o progresso cultural e intelectual em direção à civilização. Entre eles conta-se Ladislau Netto, fundador do Museu Nacional do Rio de Janeiro, que assinalou o que descreveu como características atávicas abrutalhadas, presentes nos mestiços brasileiros, como o nariz, boca e um odor corporal desagradável descrito como caatinga, defendendo também que existiam mais diferenças entre os botocudos e os arianos, que entre os grandes primatas e os indígenas exibidos na Primeira Exposição Antropológica Brasileira, inaugurada em julho de 1882, concluíndo que as preferências sexuais e estéticas dos indígenas os haviam conduzido a um est pouco acima dos animais.
Em 1823, um ano após a independência, os escravos representavam 29% da população do Brasil, um número que caiu durante toda a existência do império: de 24% em 1854, para 15,2% em 1872 e, finalmente, para menos de 5% em 1889 — no ano anterior a escravidão fora totalmente abolida. Os escravos eram, em sua maioria, homens adultos do sudoeste da África, de diferentes etnias, religiões e línguas, que se identificavam mais com o seu próprio país de origem do que com uma etnia africana compartilhada. Alguns dos escravos trazidos para as Américas haviam sido capturados enquanto lutavam em guerras entre tribos e que, em seguida, foram vendidos para traficantes de escravos.