Neste Dia

Raí

Futebolista brasileiro

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Raí Souza Vieira de Oliveira (Ribeirão Preto, 15 de maio de 1965) é um ex-futebolista brasileiro que atuava como meio-campista. Um dos grandes jogadores da década de 90, é considerado o maior camisa 10 da história do São Paulo, clube onde foi ídolo e campeão do mundo em 1992, marcando os dois gols do título na final contra o Barcelona.

Representou a Seleção Brasileira na Copa do Mundo FIFA de 1994, onde como camisa 10 fez parte do grupo tetracampeão mundial.

Nascido em Ribeirão Preto, é irmão do também ex-jogador Sócrates. Grande admirador dos filósofos gregos, o pai de Raí deu a seus três filhos mais velhos os nomes de Sócrates, Sófocles e Sóstenes. Seu Raimundo queria que Raí se chamasse Xenofonte, mas sua mulher, Dona Guiomar, conseguiu dissuadi-lo da ideia.

Em entrevista ao Museu da Pessoa, concedida em 2009, Raí conta que, durante a infância e pré-adolescente, o futebol já era presente e foi muito importante para ajudá-lo a combater sua timidez, uma vez que era uma prática esportiva que o permitia se expressar e estar em contato com amigos.

Iniciou sua carreira no Botafogo de Ribeirão Preto, aos 15 anos, omitindo o parentesco com o irmão famoso. Em 1984 foi lançado no time principal, mas só se firmou com a chegada do técnico Pedro Rocha, no segundo turno do Campeonato Paulista do ano seguinte. "O Pedro deu muita força", contou o jogador, em 1986. "Ele foi um grande meia-esquerda e passou-me vários ensinamentos."

Passou pela Ponte Preta por empréstimo durante o Campeonato Brasileiro de 1986 e no ano seguinte voltou, durante o Campeonato Paulista, ao Botafogo. Foi convocado para a Seleção Brasileira e disputou a Copa América daquele ano. Chegou a ser cobiçado pelo Corinthians, especialmente depois de marcar três gols contra o Alvinegro, em abril de 1986, mas foi contratado pelo São Paulo ainda em 1987, para o Campeonato Brasileiro.

Sua estreia foi apenas na última rodada do primeiro turno, em 18 de outubro, na derrota por 1 a 0 para o Grêmio, por causa de uma contusão na coxa direita que o deixara três meses fora dos gramados. O seu primeiro gol pelo clube viria no terceiro jogo, na vitória por 2 a 0 sobre o Goiás.

Em 1989 foi campeão pela primeira vez ao conquistar o Campeonato Paulista.

Antes da chegada do técnico Telê Santana, em outubro de 1990, o jogador tinha marcado apenas 26 gols em mais de três anos. Porém, depois que Telê passou a comandar o time, Raí marcou muitos gols: foram 28 em 1991, sendo 20 no Campeonato Paulista, quando conquistou a artilharia do Paulistão.

Foi o capitão do time no Campeonato Brasileiro de 1991 e ajudou o São Paulo a conquistar seu terceiro título, em cima do Bragantino de Carlos Alberto Parreira. Nessa campanha, Raí foi o artilheiro do time, com sete gols, fato que se repetiria no Brasileirão seguinte, no título do bicampeonato consecutivo da Libertadores, em 1993, e nos Campeonatos Paulistas de 1992 e 1993.

Como campeão brasileiro, conquistou a Libertadores de 1992 contra o Newell's Old Boys, da Argentina. Foi decisivo ao marcar o gol que levou a final à decisão por pênaltis. Acertou a sua cobrança na disputa e, com a vitória tricolor, como capitão do time levantou o troféu diante de 120 mil torcedores no Estádio do Morumbi.

Na disputa da Copa Intercontinental de 1992, no Japão, Raí marcou dois gols — sendo o primeiro com a barriga e o segundo em uma cobrança de falta — e o São Paulo venceu o jogo contra o Barcelona, conquistando o título. Raí foi eleito o melhor jogador do torneio.

Na volta ao Brasil, o São Paulo ainda venceu a final do Paulistão, batendo o Palmeiras por 2 a 1. Nesse campeonato, Raí chegou a marcar cinco gols em um mesmo jogo, na vitória por 6 a 0 sobre o Noroeste, de Bauru, em 15 de outubro.

No começo de 1993, foi vendido ao Paris Saint-Germain, da França, por 4,6 milhões de dólares, mas ficou no Brasil até o meio do ano e conquistou ainda a Libertadores de 1993, marcando um gol de peito no primeiro jogo da final e novamente levantando o troféu. No Paulista, o time ficou em terceiro lugar, e a despedida do meia foi em uma vitória por 6 a 1 sobre o Santos, em 3 de junho.

Chegou e transformou-se em um dos principais ídolos do clube. Na sua primeira temporada, quando o PSG conquistou a Ligue 1 (Campeonato Francês) de 1993–94, foi substituído na maioria de seus jogos e chegou até a frequentar o banco de reservas. No entanto, seria um dos principais jogadores do time na conquista dos títulos da Recopa Europeia de 1996 (finalista em 1997), da Ligue 1 de 1995–96, da Copa da França de 1994–95 e de 1997–98, e da Copa da Liga Francesa de 1994–95 e 1997–98.

Raí defendeu o Paris Saint-Germain entre 1993 e 1998. Foi capitão da equipe e o cérebro do time durante toda sua estadia. Em sua cinco temporadas jogou 204 partidas e marcou 71 gols.

Em 2020, Raí foi eleito o maior jogador da história do clube francês. A votação foi promovida pelo Paris Saint-Germain em comemoração aos seus 50 anos, e contou com 2,5 mil votantes, dos quais 30% foram ex-jogadores, técnicos e dirigentes, 30% foram jornalistas e 40% foram sócios. Raí foi o primeiro em todos os grupos.

Raí ainda voltou ao São Paulo em 1998, e sua reestreia foi contra o Corinthians, já na final do Campeonato Paulista daquele ano: ele fez um gol de cabeça e foi campeão no mesmo dia em que desembarcou no país. Mas em um jogo contra o Cruzeiro, em 9 de agosto, pelo Campeonato Brasileiro, Raí rompeu os ligamentos no tornozelo após uma entrada de Wilson Gottardo e teve de ficar mais de um ano parado.

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