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Quinxassa

Capital e a maior cidade da República Democrática do Congo

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Quinxassa, Quinxasa ou Kinshasa é a capital e maior cidade da República Democrática do Congo (ou Congo-Quinxassa). Quinxassa é o principal centro econômico, político e cultural do país, abrigando diversas indústrias, incluindo manufatura, telecomunicações, bancos e entretenimento.

O local onde hoje é Quinxassa foi habitado pelos povos teque-humbus por séculos e era conhecido como Nhasa antes de se transformar em um centro comercial nos séculos XIX e XX. A cidade foi batizada de Léopoldville por Henry Morton Stanley em homenagem a Leopoldo II da Bélgica. O nome foi alterado para Quinxassa em 1966, durante a campanha de zairização de Mobutu Sese Seko, como uma homenagem à antiga vila de Nshasa.

Quinxassa também funciona como uma das 26 províncias do Congo-Quinxassa e é administrativamente dividida em 24 comunas, subdivididas em 365 bairros. Apesar de sua extensa região administrativa, mais de 90% da área da província permanece rural, enquanto o crescimento urbano ocorre predominantemente em seu lado oeste. Com uma área de 9.965 km², Quinxassa se estende ao longo das margens sul do rio Congo e do lago Malebo, sendo o marco inicial das Cataratas de Livingstone. Vista do espaço, a cidade possui a forma um amplo crescente sobre um terreno plano e baixo ao redor do lago Malebo, com uma altitude média de cerca de 300 metros. Faz fronteira com as províncias de Mai-Indombe, Cuílo e Cuango a leste; o rio Congo delimita seus limites oeste e norte, formando uma fronteira natural com a República do Congo; ao sul, está a província do Congo Central. Do outro lado do rio fica Brazavile, a capital do vizinho menor República do Congo, formando o segundo par de capitais mais próximas do mundo, apesar de serem separadas por um trecho de quatro quilômetros de largura do rio Congo, sem ponte.

Forma uma conurbação transfronteiriça de cerca de dezessete milhões de habitantes com a cidade de Brazavile (na República do Congo), que está na margem norte do Congo. É a cidade mais densamente povoada do Congo-Quinxassa, a terceira mais populosa e a terceira maior área metropolitana da África, disputando posições com o Cairo (Egito) e com Lagos (Nigéria), além de ser a 22ª cidade mais populosa do mundo e a quarta capital mais populosa. É uma das megacidades que mais crescem no mundo. É ainda a mais populosa cidade francófona do mundo, com mais de 14 milhões de habitantes (2021), quase sete vezes superior à população de Paris, na França. O francês é a língua do governo, da educação, da mídia, dos serviços públicos e do comércio de alto nível, enquanto que o lingala é usado como língua franca nas ruas. Em 2015, Quinxassa foi designada Cidade da Música pela UNESCO e, desde então, faz parte da Rede de Cidades Criativas.

Existem várias teorias sobre a origem do nome Kinshasa. Paul Raymaekers, antropólogo e etnólogo, sugere que o nome deriva da combinação das línguas congo e humbu. O prefixo "Ki(n)" significa colina ou área habitada, e Nsasa, Nhasa ou Nshasa refere-se a um saco de sal. Segundo Raymaekers, Kinshasa era um importante local de comércio onde povos do Baixo Congo (atual província do Congo Central) e do Oceano Atlântico Sul trocavam sal por mercadorias como ferro, escravos e marfim, trazidos por povos do Alto Congo (atual província do Chopo). Por outro lado, Hendrik van Moorsel, antropólogo, historiador e pesquisador, propõe que pescadores teques trocavam peixe por mandioca com os moradores locais às margens do rio, e o local dessa troca era chamado de Ulio. Na língua teque, "troca" é Utsaya, e "local de troca" é Intsaya. Assim, o nome evoluiu de Ulio para Intsaya e, mais tarde, sob influência da língua congo, transformou-se em Kintsaya, tornando-se finalmente Kinshasa. Kinshasa, também conhecida como N'shasa, é considerada o principal "local de troca" na margem sul do lago Malebo, onde o escambo ocorria mesmo antes do florescimento comercial de Quintambo.

Acredita-se que o nome Nshasa tenha origem no verbo teque "tsaya" (tsaa), que significa "trocar", e no substantivo "intsaya" (insaa), que se refere a qualquer mercado ou local de troca. Foi nesse local que os intermediários teques negociavam marfim e escravos dos traficantes banunus (muitas vezes confundidos com os ianzi) por mercadorias europeias trazidas pelos povos zombo e congo. Apesar das diversas teorias, sabe-se que o nome histórico de Kinshasa era Nshasa, conforme documentado por Henry Morton Stanley durante sua travessia da África, de Zanzibar a Boma, entre 1874 e 1877, quando mencionou ter visitado "o rei de Nshasa" em 14 de março de 1877. Quinxassa se tornou o nome oficial da cidade após a independência do Congo em 1966, substituindo nome "Léopoldville", que foi dado em 1881 pelo explorador Henry Morton Stanley em homenagem a Leopoldo II da Bélgica, a cujo serviço estava.

Os traços de ocupação humana na África Central se remontam ao I milênio a.C. Os séculos que se antecederam a colonização europeia foram marcados pela instalação dos povos bantus na região do médio e baixo Congo, previamente ocupado exclusivamente por pigmeus. Diferentes tribos e povos formavam a nova população. Os povos, em sua maior parte, ocupavam o lado direito do rio, sendo que alguns destes, como os humbus e mfinus, ocupavam a parte esquerda.

As populações que formaram a vila de Nhasa eram provenientes de uma povoação pescadores teque-humbus que habitava a uma povoação na ilha Bamu, no centro do lago Malebo. A localidade Nhasa, que se formou pouco antes das Cataratas de Livingstone, passou a se estabelecer como o novo centro de comércio regional entre os séculos XVII e XVIII, eventualmente formando um pequeno e bem estabelecido reino centrado em seu porto no rio Congo. Sua base comercial se dava pelo controle do sistema de trocas entre as zonas interiores da bacia do Congo e do poderoso reino do Congo, mais a jusante, servindo como um centro de trocas de sal vindo do litoral. A região passou a sofrer com o tráfico negreiro de escravos e de marfim feito pelos franceses e portugueses na costa Atlântica e no estuário do Congo e por Tippu Tip na bacia do Congo. Ambas atividades enriqueceram alguns povos que viviam na região, mas perturbaram o equilíbrio socioeconômico de Nhasa.

A cidade foi tomada pelos colonizadores e estabelecida como um posto de comércio colonial por Henry Morton Stanley, em 1881, ganhando o nome Léopoldville em homenagem ao Rei Leopoldo II da Bélgica. O posto floresceu como o maior porto navegável do rio Congo a montante das Quedas de Inga e Livingstone, uma série de corredeiras que se espraia por cerca de 300 quilômetros. As mercadorias que chegavam por via marítima deveriam ser transportadas por carregadores entre Matadi, a jusante das corredeiras e já a 150 km da costa, até Léopoldville.

A construção da linha ferroviária Matadi—Quinxassa em 1898, forneceu uma rota alternativa rápida e mais eficiente ao longo das corredeiras e provocou o rápido desenvolvimento de Léopoldville.

Em 1920, a cidade foi elevada a capital do Congo Belga, em substituição à cidade de Boma no estuário do Congo.

Quinxassa foi uma das primeiras localidades a ter um surto de infecção do vírus HIV-1 (1959), o prelúdio da pandemia global da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. A cepa viral foi identificada na amostra de sangue preservado de um homem local.

A 4 de janeiro de 1959, militantes da Associação dos Bacongos para a Unificação, a Conservação e o Desenvolvimento da Língua Congo (Abako), do Partido da Solidariedade Africana (PSA) e da União das Populações de Angola (UPA), participaram dos motins e distúrbios na cidade contra a repressão belga ao movimento independentista quinxassa-congolês. Durante os motins, lojas de comerciantes foram saqueadas. As autoridades do Congo Belga reprimiram duramente a agitação, sendo este evento considerado o mais importante que levou a descolonização nacional.

Quando o Congo Belga se tornou independente da Bélgica em 1960, o neerlandês foi abandonado como língua oficial, permanecendo porém o francês nas relações cotidianas.

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