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Província de São Paulo

Província do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves de 1821 a 1822, província do Império do Brasil de 1822 a 1889

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A Província de São Paulo foi uma província do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, e posteriormente do Império do Brasil, tendo sido criada em 28 de fevereiro de 1821 a partir da Capitania de São Paulo.

Ciclo do ouro, decadência e restauração da capitania

No final do século XVII, bandeirantes paulistas descobrem ouro na região do Rio das Mortes, nas proximidades da atual São João del-Rei. A descoberta das imensas jazidas de ouro provoca uma corrida em direção às Minas Gerais, como eram chamadas na época os inúmeros depósitos de ouro por exploradores advindos tanto de São Paulo quanto de outras partes da colônia. Como descobridores das minas, os paulistas exigiam exclusividade na exploração do ouro, porém foram vencidos em 1710 com o fim da Guerra dos Emboabas, perdendo o controle das Minas Gerais, que se torna capitania autônoma em 1721. O ouro extraído de Minas Gerais seria escoado via Rio de Janeiro.

O êxodo em direção às Minas Gerais provocou a decadência econômica na capitania, e ao longo do século XVIII esta foi perdendo território e dinamismo econômico até ser simplesmente anexada em 1748 à capitania do Rio de Janeiro. Assim, pouco antes de ser anexada ao Rio de Janeiro, São Paulo perdeu território para a criação da Capitania de Goiás e a Capitania do Mato Grosso. Estas duas capitanias correspondem hoje aos estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Goiás, Tocantins, Distrito Federal e o Triângulo Mineiro.

Em 1765, pelos esforços do Morgado de Mateus é reinstituída a Capitania de São Paulo e este promove uma política de incentivo à produção de açúcar para garantir o sustento da capitania. A capitania é restaurada entretanto com cerca de um terço de seu território original, compreendendo apenas os atuais estados de São Paulo e Paraná e parte de Santa Catarina. O Morgado de Mateus criou a Vila de Lages e Campo Mourão para a defesa da capitania. Foram criadas várias outras vilas, como Campinas e Piracicaba, fato que não ocorria desde o início do século XVIII em São Paulo, onde logo a cana-de-açúcar desenvolve-se.

A capitania de São Paulo ganha peso político, durante a época da Independência do Brasil, pela figura de José Bonifácio, natural de Santos, e, em 7 de setembro de 1822, a Independência é proclamada às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, por dom Pedro I. Em 1821, a capitania transforma-se em província. Em 1853, é criada a província do Paraná, e São Paulo perde território pela última vez, ficando a partir daquela data com seu território atual, tendo suas divisas atuais fixadas em definitivo apenas na década de 1930.

Em 1817, é fundada a primeira fazenda de café de São Paulo, no vale do rio Paraíba do Sul, e, após a Independência do Brasil, o cultivo de café ganha força nas terras da região do Vale do Paraíba, enriquecendo rapidamente cidades como Guaratinguetá, Bananal, Lorena, Pindamonhangaba e Taubaté. O Vale enriquece-se rapidamente, gerando uma oligarquia rural, porém o restante da província continua dependente da cana-de-açúcar[carece de fontes?] e do comércio que vai se estabelecendo na cidade de São Paulo, impulsionado pela fundação de uma Faculdade de Direito em 1827.

Entretanto, a exaustão dos solos do Vale do Paraíba e as crescentes dificuldades impostas ao regime escravocrata levam a uma decadência no cultivo do café a partir de 1860 e o Vale vai se esvaziando economicamente enquanto o cultivo do café migra em direção ao Oeste Paulista, substituindo o cultivo da cana-de-açúcar, resultando em grandes mudanças econômicas e sociais. A proibição do tráfico negreiro em 1850 leva à necessidade de busca de nova forma de mão de obra e a imigração de europeus passa a ser incentivada pelos governos imperial e provincial. O escoamento dos grãos passa a ser feito via porto de Santos, o que leva a fundação da primeira ferrovia paulista, a São Paulo Railway, inaugurada em 1867, ligando Santos a Jundiaí, passando por São Paulo, que começa a se transformar em importante entreposto comercial entre o litoral e o interior cafeeiro. O café vai adentrando paulatinamente o oeste paulista; em 1870, a penetração da cultura encontra os férteis campos de cultivo de terras roxas do nordeste paulista, onde surgiram as maiores e mais produtivas fazendas de café do mundo. Atrás de novas terras para o café, exploradores adentram o até então desconhecido quadrilátero compreendido entre a Serra de Botucatu e os rios Paraná, Tietê e Paranapanema no final do século XIX e início do século XX. O sul paulista (Vale do Ribeira e região de Itapeva) não atrai o cultivo do café e sofre com litígios de divisa entre São Paulo e Paraná, sendo, portanto posto à margem do desenvolvimento do resto da província, tornando-se, até os dias atuais, a região mais pobre do território paulista.

O enriquecimento provocado pelo café e a constante chegada de imigrantes italianos, portugueses, espanhóis e árabes à província, além do desenvolvimento de uma grande rede férrea, trazem prosperidade a São Paulo.

A província participou ativamente do esforço de guerra brasileiro durante a Guerra do Paraguai: das 21 províncias do Império, foi a sexta que mais enviou Voluntários e Guardas Nacionais em números absolutos, com 6 504 homens. Após a invasão do território brasileiro pelas tropas paraguaias, houve, em todo o país, entusiasmo popular, com muitos voluntários se apresentando para lutar. Em São Paulo, não foi diferente. Nela se formou o 7º Corpo de Voluntários da Pátria.

Em 10 de abril de 1865, saiu de São Paulo uma coluna com 568 homens (135 paranaenses), comandados pelo coronel Manuel Pedro Drago. Seu destino era Uberaba, na província de Minas Gerais, onde receberia reforços e partiria para o Mato Grosso. A primeira parada da coluna foi em Campinas, onde o coronel Drago perdeu tempo precioso permanecendo dois meses parado na cidade, desfrutando da vida social desta. Entretanto, existe outra versão justificando a demora de Drago: ele teria esperado por não receber recursos financeiros, cavalos, arreios e autorização para engajar tropeiros na marcha, os quais deveriam ter sido proporcionados pelo Ministério da Guerra. De qualquer modo, em Campinas a coluna sofreu seis mortos vitimados pela varíola e ainda teve 159 deserções, principalmente de praças do Corpo Policial de São Paulo e da Companhia de Cavalaria da Guarnição de São Paulo. Em 20 de Junho, a coluna retomou a marcha rumo ao norte, passando por Casa Branca e Franca pelo antigo Caminho dos Goiases, onde a tropa se alimentou nos ranchos existentes na beira da estrada, chegando a Uberaba em 18 de Julho, onde recebeu reforços. Depois de muitos problemas, a coluna que havia partido de São Paulo em 1865 chegou a Miranda, no Mato Grosso, em 17 de setembro de 1866, percorrendo, no total, quase 2 mil quilômetros.

Após o fim da ocupação paraguaia em território brasileiro, praticamente não se alistaram mais voluntários. A guerra começava a se tornar impopular e o recrutamento forçado de soldados foi recebido com resistência em todas as províncias. Para evitar o recrutamento, muitos passaram a aderir ao Partido Liberal, na esperança de serem protegidos por partidários locais; outros, principalmente os jovens, casavam-se com mulheres que tinham o dobro da sua idade. Ainda assim, a forma mais comum de se evitar o alistamento era simplesmente a fugir para o mato. Em São José do Rio Preto, a população abandonou totalmente a vila, fugindo para o mato, ficando nela apenas o subdelegado, encarregado de recrutar a população. Em São Sebastião, todos os convocados desertaram, se refugiando no mato. Uma das medidas adotadas pelo governo para contrabalancear as dificuldades de alistamento era libertar escravos, arrematando-os como voluntários. Houve também o uso do alistamento como vingança política: em Capivari, o líder conservador, Francisco Fernando de Barros, encarregado do recrutamento e visando anular o prestígio do padre Fabiano José Pereira de Camargo, líder liberal, literalmente caçava membros do Partido Liberal para remetê-los como voluntários a São Paulo. A situação foi tanta que, em 1866, dos 1331 soldados recrutados na província, apenas 87 eram voluntários.

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