Os protestos contra o resultado das eleições presidenciais de 2009 no Irã, também referidos como Revolução Verde, foram uma série de manifestações motivadas pela alegada fraude eleitoral que teria prejudicado o candidato reformista, Mehdi Karroubi.
Os protestos ocorreram a partir de 13 de junho de 2009, em Teerã e outras grandes cidades do país, mas também em vários países do mundo. A onda de protestos foi chamada movimento verde ou mar verde, em razão da cor adotada pela campanha do candidato Mir Hussein Mussavi. Em resposta aos protestos, os defensores do candidato vencedor, Mahmoud Ahmadinejad, na epóca presidente do país, também organizaram manifestações de apoio à sua vitória.
Em 13 de junho, quando o resultado final foi anunciado, centenas de manifestantes, muitos ostentando símbolos do "movimento verde" de Mussavi, protestaram contra o resultado da eleição, nas ruas de Teerã e de várias outras cidades iranianas. Aos gritos de "O governo mente para o povo" e "Onde está o meu voto?," atearam fogo a pneus, bloquearam vias e entraram em confontro com a polícia.
Segundo o resultado divulgado pela comissão eleitoral, Mussavi teria perdido até em seu próprio distrito, apesar do enorme número de seguidores que atraiu durante a campanha. O comparecimento às urnas foi alto (mais de 80%) e, segundo analistas, quando isto ocorre, os reformistas iranianos tendem a ter maior votação.
Na Universidade de Teerã, policiais dispersaram a multidão com gás lacrimogêneo. Foram os mais sérios confrontos verificados na capital desde o protesto de estudantes contra o regime, em 1999.
As autoridades bloquearam pela terceira vez, nos últimos meses, o acesso ao site da rede social Facebook, usada para a mobilização durante a campanha de Mussavi. O SMS, outro recurso utilizado na mobilização dos partidários de Mussavi, foi igualmente bloqueado, e afinal, também a rede de telefonia móvel, controlada pelo Estado, suspendeu o sinal dos celulares em Teerã.
Ahmadinejad negou as acusações de fraude eleitoral.
A Associação dos Clérigos Combatentes, da qual faz parte o ex-presidente reformista Mohammad Khatami (1997-2005), pediu a anulação da votação e a realização de uma nova eleição.
Já o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, pediu à população que se una em torno de Ahmadinejad e declarou que o resultado da eleição expressa um "julgamento divino".
Os Pasdaran, a força paramilitar ideológica ligada ao Líder Supremo, advertiram que não permitirão a chegada de uma "Revolução de Veludo", numa alusão às teses de Mussavi, que propõe maior abertura ao Ocidente.
Novos choques ocorreram no centro de Teerã, em 14 de junho. Manifestantes pró-Mussavi atiraram pedras contra a polícia, que ergueu barreiras de concreto para impedir o acesso a algumas áreas do centro da cidade.
Cerca de 170 pessoas, 70 delas consideradas organizadoras dos protestos, foram presas, segundo a agência oficial IRNA. Entre os detidos, estão lideranças reformistas, como o ex-vice-ministro de Assuntos Exteriores Abdula Ramezamzadeh, o diretor-geral da plataforma reformista "Frente de Participação", Mohsen Mirdamadi e o irmão do ex-presidente Mohammad Khatami, Mohammed Reza Khatami. Em 16 de junho, no site do ex-vice-presidente da República do governo Khatami, Mohammad-Ali Abtahi, lia-se o aviso de que ele também estava preso. Alguns órgãos de imprensa locais e estrangeiros afirmaram que o próprio Mussavi estaria em prisão domiciliar, o que não foi confirmado.
Em 16 de junho, a IRNA também informou que 100 pessoas haviam sido presas em um levante perto de uma universidade, em Xiraz, no sul do país.
O outro candidato reformista à presidência, o clérigo Mehdi Karubi, ex-líder do Parlamento, também disse que houve fraude. Em comunicado escrito, declarou que "os resultados são ilegítimos e falta ao governo dignidade nacional e competência social (...) Então não reconheço o Sr. Mahmoud Ahmadinejad como presidente do Irã."
Mir Hossein Mussavi informou ter feito um pedido formal de anulação do resultado das eleições que, segundo ele, foram marcadas por irregularidades. Seus partidários distribuíram folhetos conclamando a população a uma manifestação em Teerã na tarde de 15 de junho.
Houve também uma passeata a favor da reeleição de Ahmadinejad, que reuniu dezenas de milhares de pessoas. Após a manifestação, partidários de Ahmadinejad e Mussavi entraram em choque numa das ruas principais de Teerã. Houve incêndios, vidros quebrados na rua e confrontos entre populares e policiais.
A BBC disse que o Irã está usando "obstrução eletrônica pesada" para interromper as transmissões de seu serviço de televisão em pársi. O presidente reeleito acusou a imprensa estrangeira de travar uma "guerra psicológica" contra o Irã.
Em 15 de junho, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, apesar do seu pronunciamento anterior, ordenou ao Conselho dos Guardiães que investigasse as denúncias apresentadas por Mir Hossein Mussavi, sobre a ocorrência de fraude na eleição presidencial. Em carta enviada ao Conselho, Mussavi acusou o Ministério do Interior e o presidente Ahmadinejad de influir nos resultados.