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Programa nuclear brasileiro

O programa nuclear brasileiro reúne a pesquisa nuclear, a produção de combustível, a geração de eletricidade e o desenvo

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O programa nuclear brasileiro reúne a pesquisa nuclear, a produção de combustível, a geração de eletricidade e o desenvolvimento de propulsão para submarinos. Duas usinas, Angra 1 e Angra 2, operam em Angra dos Reis. Em 2025, elas responderam por 2,0% da oferta interna de eletricidade do país.

A pesquisa nuclear começou no fim da década de 1930 na Universidade de São Paulo, antes de o Brasil criar órgãos federais para a área, negociar tecnologias com outros países e desenvolver equipamentos próprios. A história do programa inclui a geração elétrica, o uso naval, a cooperação internacional e debates sobre custos, segurança e fiscalização.

A obra de Angra 3 estava paralisada em outubro de 2026, quando o Conselho Nacional de Política Energética ainda não havia decidido se a retomaria ou a encerraria de maneira organizada.

No Brasil, a pesquisa teórica sobre energia nuclear teve início na Universidade de São Paulo (USP), no final dos anos de 1930. Na década seguinte, o Brasil tornou-se fornecedor de recursos minerais (monazita, tório e urânio) para projetos nucleares experimentais nos Estados Unidos, como o Projeto Manhattan.

Em 1947, Álvaro Alberto da Mota e Silva, oficial da Marinha e entusiasta da energia nuclear, escreveu a primeira política nuclear a ser aprovada pelo Conselho de Segurança Nacional (CSN). A implementação do plano teve início em 1951, com o estabelecimento do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) e a indicação de Alberto a sua presidência. Embora o objetivo geral da instituição fosse promover pesquisas científicas e tecnológicas em todas as áreas do conhecimento, o CNPq tinha responsabilidades específicas quanto ao desenvolvimento da energia nuclear, como estimular pesquisas sobre recursos minerais relevantes e expandir a industrialização da energia nuclear.

Álvaro Alberto defendia a nacionalização das atividades nucleares e compensações específicas pela exportação de matéria-prima estratégica. O Brasil tentou negociar o acesso a tecnologias sensíveis e a formação de engenheiros nucleares em troca de matérias-primas nacionais. A política teve alcance limitado, mas abriu oportunidades de intercâmbio e treinamento nos Estados Unidos para cientistas e engenheiros brasileiros.

Em busca de tecnologia nuclear dos Estados Unidos e de outros países, o CNPq, por meio de Álvaro Alberto, solicitou a compra de um cíclotron da General Electric, o que permitiria ao Brasil conduzir experimentos avançados em física nuclear. Washington, porém, rejeitou o pedido. Alberto também iniciou negociações para a aquisição de ultracentrifugas da Alemanha Ocidental.

Em meados da década de 1950, o programa nuclear brasileiro não havia avançado muito, exceto pela compra, por 80.000 dólares, de três centrífugas da Alemanha Ocidental. As centrífugas foram liberadas e levadas ao Brasil em 1956. Os equipamentos foram montados no Instituto de Pesquisas Tecnológicas, em São Paulo, e os experimentos de enriquecimento foram interrompidos em poucos anos. Orçamentos limitados e instabilidade política causaram os atrasos.

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), criada em 1956, investigou denúncias de exportação irregular de minerais atômicos para os Estados Unidos e examinou quatro documentos atribuídos a Juarez Távora, chefe do gabinete militar no início do governo Café Filho. Os documentos foram usados para acusá-lo de favorecer os interesses norte-americanos, mas sua autenticidade foi contestada.

Após a investigação, a CPI defendeu uma política nuclear mais nacionalista, retomando propostas de Álvaro Alberto e do CNPq. As diretrizes aprovadas por Juscelino Kubitschek em agosto de 1956 previram a criação da Comissão Nacional de Energia Nuclear e recomendaram a suspensão das exportações de minerais atômicos e o cancelamento da remessa de 300 toneladas de óxido de tório contratada com os Estados Unidos.

Em 1957, o Brasil obteve seu primeiro reator para pesquisa, por meio do programa norte-americano Átomos para a Paz. O IEA-R1, como se tornou conhecido quando chegou ao Instituto de Energia Atômica (IEA), em São Paulo, foi o primeiro reator a entrar em funcionamento no hemisfério sul. Em 1960, foi adquirido o reator de pesquisa TRIGA Mark 1, localizado no Instituto de Pesquisas Radioativas (IPR) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o qual foi usado em atividades de treinamento e de pesquisa associadas à produção de radioisótopos.

O Instituto de Pesquisas Radioativas da Universidade Federal de Minas Gerais foi criado em 1952. Seu Grupo do Tório pesquisou reatores de potência entre 1965 e 1972, antes da assinatura do acordo nuclear com a Alemanha Ocidental, em 1975.

Em 1965, entrou em funcionamento no Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), sediado no Rio de Janeiro, o Argonauta, primeiro reator de pesquisa feito no país, cuja construção terminara em 1962. O Argonauta foi uma adaptação de um reator elaborado pelo Laboratório Nacional de Argonne, nos Estados Unidos.

Após o golpe de 1964, o regime militar estabeleceu uma política nuclear baseada na aquisição de usinas nucleares, para gerar eletricidade e criar condições para o estabelecimento de um complexo industrial nuclear autônomo no Brasil. O plano previa que o Brasil adquirisse, no longo prazo, as tecnologias necessárias para dominar o ciclo de produção do combustível nuclear. Com relação aos padrões internacionais que limitavam as explosões nucleares pacíficas (Peaceful Nuclear Explosions, PNE), a política nuclear dos militares afirmava que renunciar ao direito de condução independente das PNE representava "um preço demasiado alto a pagar", pois:

1. O projeto de tratado mundial não representa um compromisso de desarmamento para os países já detentores de armas nucleares;

2. A França e a China não participam das negociações;

3. São grandes perspectivas de utilização de explosivos nucleares em mineração, abertura de portos, canais e terraplenagem, como comprovam as experiências levadas a efeito pelos EUA no programa "Plowshare";

4. O conhecimento da técnica que leva à fabricação de explosivos nucleares, desde que sujeita à fiscalização internacional e limitada a objetivos específicos de desenvolvimento econômico, não constituem proliferação de armas nucleares nem a estimulam necessariamente".

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