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Primeira invasão francesa de Portugal

A Primeira invasão francesa de Portugal insere-se, por um lado, no plano de Napoleão Bonaparte para impor o Bloqueio Con

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A Primeira invasão francesa de Portugal insere-se, por um lado, no plano de Napoleão Bonaparte para impor o Bloqueio Continental a toda a Europa (1806), visando a acabar com o poderio económico e militar do Reino Unido; por outro lado, enquadra-se na dinâmica expansionista da França Napoleónica. Entre 1807 e 1810, Napoleão ordenou três invasões a Portugal, país que se recusou a aplicar o Bloqueio Continental, mas em todas elas foram derrotadas. Napoleão tentara invadir a Inglaterra em 1805, mas os preparativos da campanha naval foram arrasados pelos ingleses, após a grande derrota dos franceses na Batalha de Trafalgar, próximo ao estreito de Gibraltar.

Para seguir mais facilmente os acontecimentos, são apresentadas duas cronologias: uma que se limita aos acontecimentos da Primeira Invasão Francesa, a Cronologia da Primeira Invasão Francesa; outra que enquadra esses acontecimentos num conjunto mais vasto, a Cronologia comparada da Primeira Invasão Francesa.

Em 1789, eclodiu a Revolução Francesa e iniciou-se uma guerra entre a França revolucionária e a Europa conservadora, na qual, potências como a Áustria, Prússia, a Rússia, Espanha e Portugal lutaram para preservar as suas independências e fronteiras. Com o Reino Unido, a França disputou a liderança política e económica.

Com a preocupação de salvaguardar as suas fronteiras e os domínios ultramarinos da ameaça francesa, Portugal assinou, em 1793, tratados com a Espanha e o Reino Unido e enviou uma força, na qualidade de auxiliar do exército espanhol, para participar na Campanha do Rossilhão. O Tratado de Basileia (22 de julho de 1795) pôs fim ao conflito e Portugal procurou manter daí em diante uma posição de neutralidade que, na realidade, não tinha força para manter.

Em 1801, a Guerra das Laranjas não foi apenas um conflito entre Portugal e Espanha. Na realidade, esta era continuamente pressionada pela França para invadir Portugal e fechar, desta forma, os portos portugueses ao comércio britânico. Em Janeiro de 1801 foi assinada uma Convenção entre a França e a Espanha, que deu origem a um ultimato a Portugal para pôr termo à aliança com o Reino Unido, fechar os seus portos àquela potência e abri-los à França e Espanha, além de outras questões importantes. Caso Portugal não aceitasse os termos do ultimato seria invadido pelo exército espanhol, com o auxílio francês. Em desvantagem, e procurando evitar que a invasão fosse muito além da fronteira do Alentejo, Portugal assinou o Tratado de Badajoz, em 6 de Junho de 1801, com perdas económicas, territoriais e o encerramento dos portos do Reino e de todos os seus domínios aos navios britânicos. Portugal procurou não hostilizar a França ou a Espanha mas não podia afastar a aliança britânica porque esta era a garantia do seu acesso aos domínios ultramarinos, fundamentais para a manutenção da sua economia.

No dia 21 de Outubro de 1805, na Batalha de Trafalgar, Napoleão perdeu o controle do Atlântico e tornou-se impossível a invasão francesa das Ilhas Britânicas. A luta entre a França e o Reino Unido, para além dos confrontos militares das coligações, iria então situar-se no campo económico. Nos anos seguintes, 1806 e 1807, dão-se dois acontecimentos importantes para Portugal: o Decreto de Berlim de 21 de Novembro de 1806, que determinava o Bloqueio Continental, e as assinaturas dos Tratados de Tilsit, com a Rússia (secreto, 7 de Julho de 1807) e com a Prússia (público, 9 de julho de 1807), na localidade de Tilsit, hoje Sovetsk.

O Bloqueio Continental consistiu em impedir o acesso dos navios do Reino Unido a portos dos países então submetidos ao domínio do Império Francês. Com o decreto de Berlim procurava-se isolar e asfixiar economicamente o Reino Unido, impedindo as suas relações comerciais com os principais consumidores da sua produção industrial. As acções de bloqueio aos portos franceses e o aprisionamento de alguns navios franceses pela armada britânica deram a Napoleão o pretexto para esta acção. Se Portugal aderisse ao Bloqueio Continental, o que significava hostilizar o Reino Unido, certamente perderia a possibilidade de assegurar as linhas de comunicação com os seus domínios ultramarinos. Além disso, perdendo os benefícios da aliança com os Britânicos, embora não hostilizando os Franceses, não ficava a salvo das ambições espanholas. Portugal não aderiu ao Bloqueio Continental e a sua política externa continuou a oscilar entre as pressões britânicas, cuja assistência se mostrava indispensável, tanto económica como militarmente, e a França cada vez mais ameaçadora.

Após a destruição do exército russo na Batalha de Friedland (hoje chamada Pravdinsk), em 14 de Junho de 1807, o Czar Alexandre I acedeu a assinar o Tratado de Tilsit. Duas das consequências deste tratado foram a adesão da Rússia ao Bloqueio Continental e o fim da Quarta Coligação. A assinatura do tratado com a Prússia, que tinha sido derrotada no ano anterior na Batalha de Jena, integrava também este reino e uma vasta região do Báltico no Bloqueio Continental. Mas o Tratado de Tilsit, ao pôr um fim à Quarta Coligação, libertava recursos a Napoleão para intervir na Península Ibérica. Esta intervenção, com o objectivo declarado de dominar Portugal, depressa revelou a sua verdadeira dimensão ao procurar também o domínio de Espanha. Entretanto, Espanha e França assinavam o Tratado de Fontainebleau em 27 de Outubro de 1807.

O Tratado de Fontainebleau estipulava a invasão franco-espanhola de Portugal, as permissões e apoios necessários para as tropas francesas atravessarem a Espanha e a divisão do Reino Português e seus domínios entre os signatários. Quando este tratado foi assinado já se reunia em Bayonne, cidade francesa junto à fronteira com Espanha, o 1.ª Corpo de Observação da Gironda, sob o comando de Junot. Quando o tratado foi assinado já o exército francês marchava em direcção a Portugal.

O 1º Corpo de Observação da Gironda, sob o comando do general Junot, com um efectivo de aproximadamente 25 000 homens, iniciou a travessia do rio Bidassoa no dia 18 de Outubro de 1807. Depois de entrar em Espanha, o exército de Junot dirigiu-se para Salamanca onde, após ter percorrido quase 500 km em 25 dias, numa marcha calma de cerca de 20 km/dia, chegou no dia 12 de Novembro. Aí, Junot recebeu instruções para apressar a marcha porque, pelas notícias recebidas, cada dia que passava crescia a influência britânica com o perigo de fazerem chegar tropas a Portugal ou, pelo menos, ser organizada a resistência ao invasor. De Salamanca, Junot dirigiu-se para Alcântara, na fronteira com Portugal, a meio caminho de Lisboa.

Segundo as ordens de Napoleão que lhe foram transmitidas em Salamanca, Junot devia entrar em Portugal pelo vale do Tejo. Este era o eixo de progressão mais curto e que atravessava as regiões onde era previsível que houvesse menos resistência da parte dos Portugueses pois lá não havia fortalezas. Assim, Junot chegaria rapidamente a Lisboa e aprisionaria a família real portuguesa. Todas as premissas estavam certas, excepto que a estrada que iria permitir um rápido movimento dos Franceses, só existia no mapa. Na realidade, seguindo as instruções do Príncipe Regente, não houve resistência ao invasor mas o terreno, as péssimas vias de comunicação e as condições atmosféricas, quase destruíram o exército invasor. Além daquelas dificuldades, a quase impossibilidade em adquirir abastecimentos para as tropas tornavam a marcha ainda mais penosa.

Em Alcântara, Junot recebeu o reforço de uma força espanhola com um efectivo de 9 500 homens e sob o comando do general Caraffa. Além desta força que participava no principal corpo de invasão, duas outras foram também atribuídas: vinda de Vigo (na Galiza), uma força de 6 500 homens sob comando do general Taranco com destino ao Porto e à região do baixo Douro; vinda de Badajoz, com 9 500 homens, sob comando do general Solano, Capitão-general da Andaluzia, para se apoderar de Elvas e marchar para Lisboa pela margem Sul do Tejo. A maior parte das forças francesas foi para Lisboa.

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