O presbiterianismo refere-se às igrejas cristãs que aderem à tradição teológica reformada (calvinismo) e cuja forma de organização eclesiástica se caracteriza pelo governo de uma assembleia de presbíteros ou anciãos. Há muitas entidades autônomas em países por todo o mundo que subscrevem igualmente o presbiterianismo.
A teologia presbiteriana tipicamente enfatiza a soberania de Deus, a autoridade das Escrituras e a necessidade da graça por meio da fé em Cristo. O governo da igreja presbiteriana foi assegurado na Escócia pelos Atos de União em 1707, que criaram o Reino da Grã-Bretanha. De fato, a maioria dos presbiterianos encontrados na Inglaterra traçam uma origem escocesa, e o presbiterianismo também foi levado para a América do Norte, principalmente por imigrantes escoceses e irlandeses. Os presbiterianos na Escócia aderem a teologia reformada de João Calvino e seus sucessores, embora haja uma gama de visões teológicas dentro do presbiterianismo contemporâneo.
As congregações locais de igrejas que usam a política presbiteriana são governadas por sessões compostas por representantes da congregação (Presbíteros), e uma abordagem conciliar de tomada de decisão (presbitério, sínodo e assembléia geral). Muitas denominações presbiterianas encontraram maneiras de trabalhar em conjunto com outras denominações reformadas e cristãs de outras tradições, especialmente na Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas. Existem cerca de 75 milhões de presbiterianos no mundo.
A história presbiteriana faz parte da história do cristianismo, mas o início do presbiterianismo como um movimento distinto ocorreu durante a Reforma Protestante do século XVI. Como a Igreja Católica resistiu aos reformadores, vários movimentos teológicos diferentes se separaram da Igreja e deram origem a diferentes denominações.
O presbiterianismo foi especialmente influenciado pelo teólogo francês João Calvino, a quem se atribui o desenvolvimento da teologia reformada, e pelo trabalho de John Knox, um padre católico escocês que estudou com Calvino em Genebra e trouxe de volta os ensinamentos reformados para a Escócia. Uma influência importante na formação do presbiterianismo na Grã-Bretanha também veio de Jan Laski, um reformador polonês, fundador de uma das chamadas ''Igreja dos estranhos'' em Londres, baseada nas igrejas de Genebra.
A igreja presbiteriana traça sua ascendência principalmente para a Escócia. Em agosto de 1560, o Parlamento da Escócia adotou a Confissão Escocesa como o credo do Reino Escocês. Em dezembro de 1560, o Primeiro Livro da Disciplina foi publicado, delineando importantes questões doutrinárias, mas também estabelecendo regulamentos para o governo da igreja, incluindo a criação de dez distritos eclesiásticos com superintendentes nomeados que mais tarde se tornaram conhecidos como presbitérios.
Com o tempo, a Confissão Escocesa seria suplantada pela Confissão de Fé de Westminster, e os catecismos maiores e menores, que foram formulados pela Assembleia de Westminster entre 1643 e 1649.
O nome destas denominações deriva da palavra grega presbyteros, que significa literalmente "ancião". O governo presbiteriano é comum nas igrejas protestantes que foram modeladas segundo a Reforma protestante suíça, notavelmente na Suíça, Escócia, Países Baixos, França e porções da Prússia, da Irlanda e, mais tarde, nos Estados Unidos. A crença se firma nas doutrinas bíblicas sobre a predestinação, segundo a interpretação de João Calvino, Deus já havia eleito, "desde antes da fundação do mundo" (Ef 1:4), os abençoados com a salvação e os condenados à perdição eterna. O homem, por sua natureza pecadora, não era digno de mudar essa decisão nem de conhecê-la. Para não viver angustiado pela dúvida, o crente deveria buscar sinais da graça divina perseverando em sua fé mantendo uma vida de retidão e de obediência a Deus.
Na Inglaterra, Escócia e Irlanda, as igrejas reformadas que adotaram uma forma de governo presbiteriano em vez de episcopal ficaram conhecidas como igrejas presbiterianas.
Na Inglaterra, o presbiterianismo foi estabelecido secretamente em 1572, nos finais do reinado da rainha Isabel I de Inglaterra. Em 1647, por efeito de uma lei do Longo Parlamento sob o controle dos puritanos, o presbiterianismo foi estabelecido para a Igreja Anglicana. O restabelecimento da monarquia em 1660 trouxe também o restabelecimento da forma de governo episcopal na Inglaterra (e, por um período curto, na Escócia); mas a Igreja Presbiteriana da Inglaterra continuou a ser considerada não conformista, fora da igreja estabelecida.
Na Irlanda, o presbiterianismo foi estabelecido por imigrantes escoceses e missionários enviados par Ulster. O presbitério do Ulster foi formado separadamente da igreja estabelecida, em 1642. Todos os três, ramos muito diversos do presbiterianismo, bem como igrejas independentes e algumas denominações holandesas, alemãs e francesas, foram combinadas nos EUA para formar aquilo que se tornou conhecido como a Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos da América (1705). A igreja presbiteriana na Inglaterra e País de Gales é a United Reformed Church, enquanto que esta tradição também influenciou a Igreja Metodista, fundada em 1736.
Os presbiterianos destacam-se pelo incentivo à educação, entre as numerosas instituições presbiterianas espalhadas pelo mundo destacam-se a Yale University, Universidade de Princeton e o Instituto e Universidade Mackenzie.
O governo presbiteriano é uma forma de organização da Igreja que se caracteriza pelo governo de um presbitério, ou seja: uma assembleia de presbíteros, ou anciãos. Esta forma de governo foi desenvolvida como rejeição ao domínio por hierarquias de bispos individuais (forma de governo episcopal) e por ser o modelo organizacional utilizado pelos Apóstolos nos primórdios da Igreja de Cristo . Esta teoria de governo está fortemente associada com os movimentos da Reforma Protestante na Suíça e na Escócia (calvinistas), com as igrejas reformadas e mais particularmente com as igrejas presbiterianas.
O presbiterianismo assenta em pressupostos específicos sobre a forma de governo desejada pelo Novo Testamento:
A função do ministério da palavra de Deus e a administração dos sacramentos é ordinariamente atribuída ao pastor em cada congregação (igreja) local. As congregações são núcleos dependentes da igreja local.
A administração da ordenação e legislação está a cargo das assembleias de presbíteros, entre os quais os ministros e outros anciãos são participantes de igual importância. Estas assembleias são chamadas concílios.
Todas as pessoas são sacerdotes, preocupadas com a sua própria salvação, em nome dos quais os anciãos são chamados a servir pelo assentimento da congregação (sacerdócio de todos os crentes).
Desta forma, o papel governamental dos presbíteros é limitado à tomada de decisões quando há uma reunião, sendo de resto a função dos pastores e o serviço da congregação, orar por eles e encorajá-los na sua fé. Esta forma de governo permite a flexibilidade na tomada de decisão, em contraste com o que acontece nas Igrejas em que bispos detêm um poder concentrado.