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Predrag Mijatović

Futebolista andorrano

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Predrag Mijatović (Titogrado, atual Podgorica, 19 de janeiro de 1969) é um ex-futebolista montenegrino que atuava como atacante.

Em seu auge, embora criticado pela instabilidade no temperamento, era bem reconhecido como um atacante veloz, de bom chute e que se diferenciava também pela habilidade com a bola e inteligência para servir companheiros com assistências ou abrindo-lhes espaços, em análise elogiosa feita por Tostão em 1998. Ainda em 1997, foi considerado o segundo melhor jogador do futebol europeu, entre o premiado Ronaldo e Zinédine Zidane, o terceiro colocado.

Também dotado de bom cabeceio, Pedja (como é apelidado, também na grafia Peđa, um diminutivo do nome Predrag ) tornou-se especialmente célebre exatamente naquele ano, pelo gol que encerrou 32 anos de jejum do Real Madrid na Liga dos Campeões da UEFA.

Mijatović foi um dos grandes jogadores da Iugoslávia na segunda metade da década de 1990, sendo um dos astros do futebol nacional ao lado do também montenegrino Dejan Savićević e dos sérvios Ljubinko Drulović, Siniša Mihajlović, Darko Kovačević e Savo Milošević. Junto de alguns deles e de expoentes da rival Croácia, já havia brilhado no título da Copa do Mundo FIFA Sub-20 de 1987 (notadamente, por gol em vitória que eliminou o Brasil), pouco antes do antigo país iniciar sua dissolução com diferentes guerras civis.

Mijatović estreou em 1987 no futebol adulto, pelo Budućnost, clube da capital montenegrina - sua cidade-natal de Podgorica, então chamada Titogrado; nesse clube, chegou a ser colega de Dejan Savićević, outra futura estrela local a adquirir renome na Europa. Foi também o ano em que Mijatović integrou o "grupo do Chile", como ficou conhecida a delegação iugoslava campeã naquele país na Copa do Mundo FIFA Sub-20 de 1987.

Inicialmente, Mijatović era reserva na competição, estreando justamente em escalação mista utilizada na rodada final da fase de grupos, após a seleção estar classificada por antecipação à fase mata-mata. O jogo foi contra Togo e "Pedja" destacou-se com dois gols na goleada por 4-1. Acabou premiado com a titularidade para o duelo com o Brasil, no qual, segundo o próprio atacante, marcou o primeiro gol de cabeça da carreira - no lance, aproveitou bola alçada por Zvonimir Boban em cobrança de falta. Reconheceria ainda que "foi o ponto de virada para nós. O Brasil estava jogando fantasticamente naquela competição". O gol empatou o jogo e adiante os brasileiros foram eliminados, pelas quartas-de-final, em cobrança de falta de Robert Prosinečki.

Uma expulsão aos 31 minutos do segundo tempo na semifinal, contra a Alemanha Oriental, privou Mijatović de atuar na decisão com a Alemanha Ocidental, com o fundamental gol sobe o Brasil seguindo como o momento mais recordado que o atacante teve no título. Ele inicialmente seguiu no Budućnost, estreando pela seleção principal da Iugoslávia em 23 de agosto de 1989, em amistoso contra a Finlândia.

Pouco depois, período, Mijatović chegou a acertar com a equipe croata do Hajduk Split, mas a transferência terminou não efetivada diante de interferência de Mirko Marjanović, futuro primeiro-ministro da Iugoslávia e então presidente do Partizan - clube ao qual o montenegrino terminou por juntar-se em janeiro de 1990. Mesmo antes das guerras civis começarem e deflagrarem a dissolução da Iugoslávia, receios de segurança devido à tensão política já visível também teriam motivado o jovem a não rumar ao Hajduk. Meses depois, ocorreu a Copa do Mundo FIFA de 1990, a última antes da desintegração iugoslava, mas ele acabou não sendo chamado ao Mundial; apesar de estrear com gol justamente diante do Budućnost, demorara a lograr boa regularidade no novo clube.

O ano de 1991 terminou marcado pelo início dos conflitos e do boicote croata à seleção iugoslava, o que não impedira a classificação dela à Eurocopa 1992, ao mesmo tempo em que o Estrela Vermelha vencia a Liga dos Campeões da UEFA de 1990-91 e em que Mijatović começava a firmar-se no rival: ao fim da temporada 1991-92, ele e o Partizan venceram Copa da Iugoslávia exatamente em dérbi com o Estrela recém-campeão mundial. "Pedja" também foi eleito o melhor jogador iugoslavo daquela temporada, e teria ido à Euro: foi incluso na convocação final dos Plavi, mas o agravamento das guerras internas resultou na expulsão da seleção, impedida de disputar também as eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 1994 e as eliminatórias da Eurocopa 1996.

Em plena guerra, ele venceu o campeonato iugoslavo de 1992-93, temporada na qual foi novamente, pela segunda vez seguida, eleito o melhor jogador do futebol iugoslavo. Dali, acertou com o Valencia.

Conseguiu sucesso imediato na Espanha, inicialmente em dupla ofensiva com o búlgaro Lyuboslav Penev, que saiu ainda em 1995, tornando o montenegrino ainda mais protagonista no Valencia: seu grande desempenho na temporada 1995-96 inclusive influenciaria a diretoria valenciana a desistir do brasileiro Viola, que não se adaptara e chegou a somar apenas oito gols contra 23 do montenegrino, vice-artilheiro de La Liga. O time terminou a temporada vice-campeão nela e também semifinalista na Copa do Rei, ao passo que o atacante foi eleito o melhor estrangeiro do futebol espanhol pela revista Don Balón.

O sucesso no Valencia atraiu interesse do Real Madrid, que contratou-o para a temporada 1996-97. No time da capital, Mijatović viveu o auge: ao fim da temporada 1996-97, ficou em segundo lugar na Bola de Ouro, abaixo apenas de Ronaldo na avaliação da revista France Football como o melhor jogador do futebol europeu. O brasileiro era a grande estrela do rival Barcelona, que, apesar do futebol vistoso, terminou vice-campeão espanhol de 1996–97 para exibições menos exuberantes dos madrilenhos - com Mijatović realizando grande trio ofensivo com Raúl e com Davor Šuker, antigo parceiro daquele título mundial sub-20 de 1987 e com quem mantinha a amizade apesar da Guerra de Independência da Croácia: chegou a presentear o próprio filho com uma camisa do croata após ambos marcarem os gols (e comemorarem abraçados) de triunfo de 2-0 em El Clásico pelo primeiro turno de La Liga.

Após a saída de Ronaldo por 32 milhões de dólares para a Internazionale em meados de 1997, o Real Madrid chegou a reajustar para 150 milhões a multa rescisória por Mijatović, tornando-o o segundo jogador mais caro do mundo naquela época. A temporada subsequente começou com novo brilho do montenegrino diante do Barcelona, ao marcar um gol e fornecer duas assistências na Supercopa da Espanha de 1997, decidida contra o grande rival.

Em meio aos compromissos com o clube, Mijatović também se destacava nas eliminatórias da Copa do Mundo FIFA 1998, que marcavam o readmissão da Iugoslávia. "Pedja" brilhou com quatorze gols, incluindo um sobre a própria Espanha e outro na rival Eslovênia - e, notadamente, metade somente nas respescagens contra a Hungria, contra quem marcou três vezes em 7-1 dentro de Budapeste e outros quatro em 5-0 em Belgrado. Tantos gols por anos foram um recorde nas eliminatórias da UEFA até Robert Lewandowski superar nas eliminatórias para 2018.

A temporada europeia anterior à Copa do Mundo terminou com Mijatović tornando-se de vez ídolo madridista, em função do gol do título na Liga dos Campeões da UEFA de 1997–98, o único na vitória de 1-0 sobre a Juventus. Ao longo da final, Mijatović já vinha tendo bom desempenho antes do gol, com suas arrancadas só sendo contidas por faltas, ao passo que o gol mostrou-se especialmente oportuno por surgir em momento no qual o adversário aparentava maior domínio do jogo; no lance que encerrou o maior jejum de conquistas - 32 anos - que o maior vencedor da competição já vivenciou nela, Mijatović aproveitou que Mark Iuliano não interceptou adequadamente um chute de Roberto Carlos e, dominando a bola, driblou o goleiro Angelo Peruzzi antes de concluir às redes.

Todavia, o montenegrino não deixou de ir sob críticas à Copa do Mundo FIFA de 1998: seu gol no título continental do Real Madrid vinha servindo justamente para recuperar de uma imagem que sofria desgaste, diante da impressão de uma temporada 1997-98 aquém da anterior. Ele, de fato, acabou de fato não rendendo tanto no Mundial: embora chegasse a marcar um gol sobre a Alemanha (em empate em 2-2 pela fase de grupos), não se mostrou o mesmo artilheiro de outrora, além de até perder pênalti na eliminação contra os Países Baixos; saiu do torneio como uma das estrelas que teriam decepcionado na Copa. Essa partida, pelas oitavas-de-final, estava empatada em 1-1 e, nos acréscimos, Edgar Davids fez o gol que classificou os neerlandeses - gerando reações na torcida iugoslava com pedidos de aposentadoria de "Pedja", que chegou a cogitar tal decisão.

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Predrag Mijatović | World in Stories