Porto União é um município brasileiro do estado de Santa Catarina, estando localizada no planalto norte de Santa Catarina. Conta com as águas do Rio Iguaçu, que em um de seus trechos, faz a divisa com o município de União da Vitória (PR). O município é separado de União da Vitória (PR) apenas por uma linha férrea e pelo Rio Iguaçu, formando um único núcleo urbano de aproximadamente 91.695 habitantes, sendo conhecido como "As Gêmeas do Iguaçu". Sua população, conforme estimativas do IBGE de 2020, era de 35 543 habitantes.
Como povoado, a cidade começa em 1842, em descoberta do Vau, no Rio Iguaçu, lugar no rio de baixa profundidade que facilitou as passagens das tropas que vinham dos campos de Palmas. Esse lugar era também o ponto de embarque e desembarque para quem se vali do Iguaçu como meio de transporte. Daí o primeiro nome: Porto da União.
A pequena vila cresce e em 1855 tem seu nome mudado para Porto União da Vitória. Em 1880 chega de Palmas para se estabelecer no comércio, com a compra e venda de sal, o Coronel Amazonas Marcondes. No ano seguinte tem início a navegação a vapor no Rio Iguaçu transportando passageiros e mercadorias.
O grande rio sempre esteve ligado à vida e a história da cidade, desde suas origens, acariciando ou castigando-a, às vezes. A partir deste ano chegam os primeiros colonos de origem europeias, na maioria alemães. Mais tarde aportam outras etnias: poloneses, ucranianos, austríacos e russos. No início do século XX, chegam os libaneses. A cidade desenvolveu-se e em 1901, é criado - antes de Porto União, o município de União da Vitória.
Guerra do contestado e a divisa entre as cidades irmãs
A divisa entre as Cidades Gêmeas pode causar certa confusão para os incautos, mas para os moradores é muito clara, incluindo inscrições físicas, pórticos e totens que representam o cruzamento dos estados. A variável que traz a tônica são diretamente relacionadas ao desfecho da Guerra do Contestado, que teve início em 1912 e se prolongou até 1916. Tanto a guerra em si quanto as negociações entre Paraná e Santa Catarina pelas terras e pela divisa, no pós-guerra, tiveram impacto direto no desenhar da linha que divide Porto União de sua irmã paranaense.
Até antes da guerra, toda a região oeste e centro oeste catarinense pertenciam ao estado do Paraná, incluindo onde hoje é Porto União. Porém, havia um litígio entre as províncias, desde os tempos do primeiro Império. Há cartografias que apontam Santa Catarina como detentora das terras, mas na origem, faziam parte da grande província de São Paulo, depois desmembrada com a criação do Paraná, que teve suas terras, à Oeste estendidas até o Rio Grande do Sul, e não no limiar do Rio Iguaçu, como queriam os catarinenses. Já em cartografias da virada novecentista para o século XX, todo o território era paranaense e na curva do Rio Iguaçu consta apenas o município de Porto União da Vitória (como era conhecido antes da guerra).
Por sua vez, no mapa paranaense de 1911 há duas menções: "Território pretendido pelo Estado de S. Catharina" e "Zona invadida pelos Catharinenses". Esse litígio tem relação com as origens da guerra e seus desdobramentos reverberam no corte das duas cidades ocorrido com o fim do Contestado. Com a guerra, em 1912 foram desenhados dois mapas. A primeira versão, assinada pelo engenheiro José Niepse da Silva, vide a Coletânea Histórica dos Mapas do Paraná, ainda trazia as terras como sendo do Paraná. Não havia referência à Porto União, mas apenas a sintaxe "União da Victória". No mapa, cabia à Santa Catarina apenas o seu litoral e Vale do Itajaí, até Curitibanos. Todo restante do hoje estado catarinense, incluindo a cidade de Mafra - que também tem sua irmã paranaense, Rio Negro, pertenciam ao Paraná. A pesquisa internacional “Atlas do império do Brazil: uma proposta de definição dos limites do brasil no século XIX", publicada em 2011, aponta as idas e vindas na disputa de terras e delimitações do território brasileiro e faz referência à questão Paraná-Santa Catarina.
Um segundo mapa editado em 1912, publicado no mesmo repositório, aponta a primeira divisão oriunda do Contestado, que corta as duas cidades ao meio. Segundo fontes da história oral, com entrevistas à personagens nascidos no período, a linha que dividia Porto União e União da Vitória, era retilínea e uniforme, mais próxima do Morro da Cruz. Todo "S" do Rio Iguaçu, fazia parte do Paraná, incluindo a rua Prudente de Moraes, até a av. João Pessoa, o que também pode ser aferido em antigos registros civis e certidões de nascimento anteriores à 1915. Com os avanços das tropas rebeldes e as ofensivas do Coronel João Gualberto, a estrada de ferro, então construída pela Brazil Railway, empresa inglesa responsável pela construção da linha que ligava São Paulo ao Rio Grande do Sul. Devido à questão estratégica da linha férrea, fez parte direta das barricadas, trincheiras e os avanços das tropas.
Com a derrota dos sertanejos rebeldes, coube ao governo republicano mediar a divisão das terras "contestadas" e que também foram invadidas pelos revoltos, Liderados inicialmente por João Maria, que entre outros pontos lutavam pelo fim do coronelismo, pela expulsão da empresa norte-americana Lumber (que desmatou boa parte da ainda mata atlântica, formada por araucárias e imbuias gigantescas), e pelo fim da República, que apoiava as iniciativas que aniquilou com índios e caboclos.
A negociação entre Paraná e Santa Catarina, realizadas entre 1916 e 1917, resultaram na atual divisa. Em 5 de setembro de 1917 é criado o município de Porto União. As linhas que dividem as Gêmeas do Iguaçu e, consequentemente os estados de Santa Catarina e do Paraná, são bem delimitadas e já constam do mapa de 1919, até o presente.
Nos dias atuais, os turistas e visitantes das cidades ainda confundem a hibridez da divisa, o que pode ser esclarecido de forma simples: de um lado, Porto União é dividida pelo Rio Iguaçu, até a ponte férrea. E de outro, formando um triângulo, pela estrada férrea da RFFSA (construída pela citada empresa britânica durante o governo de Afonso Pena). Os diversos mapas disponíveis apontam com precisão a divisa, como o Google Maps, próximo às coordenadas -26, 23273 / -51,08554 (conforme o Decimal Degree System). No portal Cidades Brasil, na biblioteca virtual de mapas Leaflet e no OpenStreetMap também podem ser conferidas a divisa que tem mais de 100 anos.
O município de Porto União está localizado no Norte Catarinense, a uma altitude média de 752 metros, sendo o ponto culminante do município o pico do Cerro Pelado, com 1300 metros. O relevo é constituído de planícies, montanhas, vales, grandes várzeas nas bacias dos Rios Iguaçu e Jangada, na divisa com o estado do Paraná, e do Rio Timbó. O município é banhado pela bacia do Iguaçu, e seus afluentes: Rio Timbó, Rio Pintado, Rio dos Pardos, Rio Bonito, Rio Tamanduá, Rio Barra Grande, Rio Pintadinho e Jangada.
O Clima é predominantemente mesotérmico úmido com temperatura média anual de 16,7 °C, com verões frescos com média de 21 °C e invernos rigorosos com média de 12,6 °C. No inverno ocorre com frequência geadas. A precipitação média anual é de 1530 mm. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período entre 1961 e 1991, a menor temperatura registrada em Porto União foi de −6,1 °C em agosto de 1963, nos dias 6 e 7, e a maior chegou a 38 °C em 16 de novembro de 1985. O recorde de precipitação acumulada em 24 horas é de 152,5 mm em 9 de julho de 1983.
De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Madeira processada mecanicamente, estima-se que a capacidade instalada de produção brasileira de portas seja de 6 milhões de peças por ano, o que significa que nossa região, com 56 fábricas, (colocando nesse cálculo os municípios vizinhos), produz efetivamente 18,6% da produção brasileira de portas, já que é responsável por uma produção mensal de 93 mil portas e cerca de 55 mil janelas, ou 1.116.000 portas/ano e 660.000 janelas/ano.
As agroindústrias de Porto União significam hoje 25% da economia do município. São 26 agroindústrias espalhadas por todo o interior, envolvendo mais de 250 famílias. Uma das consequências mais positivas dessas agroindústrias é a redução do êxodo rural e a geração de renda para os agricultores. Existem 4 agroindústrias que produzem embutidos todas com inspeção municipal e federal. Os principais são a linguiça, o salame, o lombo defumado, a costelinha, o bacon e a linguicinha. Também cresce a indústria de equipamentos agrícolas, como as Indústrias Knapik.