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Porto Real do Colégio

Município brasileiro do estado de Alagoas

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Porto Real do Colégio é um município brasileiro do estado de Alagoas, Região Nordeste do país. Sua população estimada em 2022 era de 20 082 habitantes.

A constituição de Porto Real do Colégio a partir de uma perspectiva colonialista remonta a meados do século XVII. Diferentes tribos de índios, entre estas as Tupinambás, Caetés, Carapotas, Acoranes ou Aconãs e Cariris já habitavam a região muito antes da chegada dos colonizadores. Elas viviam da caça, pesca e da lavoura. Os bandeirantes da Bahia que desciam o rio São Francisco em companhia dos padres jesuítas, encarregados da catequese dos “gentios”, foram os primeiros representantes dos colonizadores a chegar no aldeamento que ficava à margem do grande rio, deixando aí o primeiro marco da sua dominação. Conta-se que esses bandeirantes e jesuítas adquiriram na referida região uma extensa faixa de terra a qual denominaram-se “Urubu-Mirim” para diferenciar de Urubu, hoje Propriá. Os jesuítas conseguiram aos poucos fixar as tribos indígenas nos arredores da sede, apesar das lutas travadas entre os Cariris, os Aconãs e os bandeirantes recém chegados à região.

Os jesuítas eram provenientes dos Colégios da Bahia e de Pernambuco e estabeleceram duas aldeias para fins de catequese, de acordo com a Lei de 4 de junho de 1703. Esta lei se baseava no Alvará Régio de 1700, que determinava que "a cada missão se dê uma légua em quadra para a sustentação dos índios e missionários". A aldeia de Colégio estava a sete léguas a montante de Penedo e a de São Brás, cerca de duas léguas acima de Colégio. A área das duas aldeias seria de "duas léguas de frente por uma de fundo", dimensões que vamos encontrar registradas em toda a documentação oficial.

Os jesuítas erigiram na povoação, no cimo de uma colina, uma capela rústica sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, em torno da qual começou a florescer o novo núcleo populacional. Nos meados do século XVII fundaram um convento e um colégio em frente a capela, hoje matriz de Nossa Senhora da Conceição, do lado sul da margem esquerda do rio São Francisco. Neste colégio, diz Pedro Paulina da Fonseca, no seu livro “Conventos em Alagoas”, ensinavam-se línguas; entre elas o latim.

Com a expulsão dos jesuítas em 1759, suas fazendas de gado foram arrematadas em hasta pública e as terras destinadas para a catequização e sustentação dos missionários foram tomadas pelo Império, expulsando os índios de seu antigo lar e forçando-os buscarem novas aldeias.

Na aldeia de Colégio viviam Cropotós, Cariris, Aconans, Ceococes (certamente plural de Ciocó ou Xocó) e Prakiós. A aldeia missionária é, pois, o berço do "caboclo", identificação genérica que, no século XIX adquire um conteúdo racista, através do qual a política do Império irá desqualificar as populações indígenas numa política a que o jurista Dalmo Dallari denomina "anti-aldeia". Alegando a inexistência de "índios de raça primitiva", as aldeias são extintas em 17 de julho de 1873 pelo Ministério de Agricultura, Comércio e Obras Públicas.

De um modo geral, o povoamento de Porto Real do Colégio foi resultado da fusão de três etnias, os portugueses; o negro e dos povos originários. Não foi uma fusão pacífica ou harmoniosa.

A Povoação do Colégio foi uma das mais antigas missões dos Jesuítas já existentes no período em que se estendeu, que foi de 1549 a 1759 (210 anos), tendo como Matriz uma Capela que foi dos denominados Jesuítas, edificada no ano de 1578. O nome verdadeiro deveria ser Colégio do Porto Real, pois o povoamento se originou do Colégio dos jesuítas que tinha o nome de “Real”. Há mesmo documentos onde lhe é dada aquela denominação, como é o caso de Lei Nº 702, de 19 de maio de 1875, onde o vice-presidente da província das Alagoas, bacharel Felipe de Melo Vasconcelos, no artigo 1.º da citada Lei, diz, “fica criada a freguesia de São Brás desmembrada do Colégio do Porto Real…”

Em 1950 foi inaugurada a estação ferroviária de Porto Real do Colégio, também chamada simplesmente de Colégio, era o ponto final do ramal de Palmeira dos Índios, pois ali o rio São Francisco, sem ponte ferroviária até 1972, obrigava a tomada de balsas (estas, a partir de 1963) e desde 1967, ferry-boats, pelos passageiros e cargas para continuar até Sergipe, Salvador, e o sul do País. Finalmente, nesse ano, a ponte chegou e os trens da RFFSA puderam fazer a ligação pela linha diretamente.

Com a ponte, a RFFSA transferiu seu terminal para a cidade sergipana de Propriá; o hotel de Colégio, construído pela ferrovia, fechou, pois os carros, com a ponte, passaram a seguir direto para Propriá, o que levou ao fechamento da estação ferroviária de Colégio.

Em 1978 os Kariri-Xokó depois de séculos conseguiram reaver uma pequena parte de suas terras ancestrais, as quais estavam em grande parte sob a administração da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (CODEVASF), nesse ano reivindicam a posse imemorial destas terras. A FUNAI auxilia aos poucos a construção das casas na nova aldeia. Assim, os índios foram abandonando o que era denominado "Rua dos Índios" no centro do município, onde viviam marginalizados e isolados junto aos não-índios. Em 1991 finamente desde a chegada dos portugueses invasores tiveram este pequeno território demarcado permanentemente.

Densidade demográfica: 85,15 hab/km²

Distância da capital: 172,2 km

A cidade de Porto Real do Colégio é notavelmente marcada pela presença imponente do rio São Francisco, que serpenteia a região no sentido norte-sul, estabelecendo a fronteira com o Estado de Sergipe. Propriá destaca-se como cidade fronteiriça. O rio Boacica, cruzando a localidade no sentido leste-oeste, desagua no São Francisco, delineando a divisa com Igreja Nova. O rio Itiuba, percorrendo uma extensão de 18 quilômetros, é um relevante afluente da margem esquerda do São Francisco. Além disso, riachos como Sampaio, da Areia, Cambão e Taquara, assim como lagoas como Grande, da Porta, Cangote, Tapera, Caldeirão e Carnaibas, e a imponente Serra da Maraba, que serve como limite com Olho d´Água Grande, contribuem para a rica geografia da região.

Dados do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) mostram que a localidade apresenta um clima com média pluviométrica anual de 922,2 mm e temperatura média anual de 25,4 °C.

Município - Apresenta área de 235,85 km² e limita-se com os municípios de Feira Grande São Sebastião, Igreja Nova, São Brás, Olho d'Água Grande, Campo Grande e rio São Francisco. Apresenta as povoações de Barra de Itiúba, Tapera de Itiúba, Girau de Itiúba, Maraba, Marabinha, Canoa de Baixo, Canoa de Cima, Carnaíbas, Salomezinho, Tucuns, Boqueirão, Entrada, Retiro, Pau da Faceira, Gila, Ribeirinha, Castro, Sobrado, entre outros.

Em 1890 haviam 7.497 habitantes, no ano de 1996 cerca de 17.557 habitantes, alcançando no censo do ano 2022 um total de 20.082 habitantes, o que coloca o município na 39º posição entre os 102 municípios do Estado.

A principal bacia hidrográfica que corta o município é o rio Itiúba, que deságua no rio São Francisco. Junto a este, entre as inúmeras lagoas que possibilitam o plantio do arroz estão: Mucambo, Caldeirão, Prata, Cangote, Saldanha, Porto e Enxada. Esta bacia marca as mudanças da Zona do Agreste para a Zona da Mata e o Baixo São Francisco. O seu bioma é identificado como pertencente a Caatinga e Mata Atlântica. Seu vale se mostra bastante úmido, mas com os desmatamentos modificou o quadro climático e a paisagem natural. Seu relevo está esculpido nos tabuleiros por erosão das chuvas. Alguns povoados ficam à sua margem: Girau, Angico, Itiúba. Às margens do São Francisco, suas formas meandrícas indicam sua quase horizontalidade na declividade e muitas ilhas.

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