Porto Ferreira é um município brasileiro do estado de São Paulo localizado na Região Geográfica Imediata de São Carlos a uma latitude 21º51'14" sul e a uma longitude 47º28'45" oeste, à margem do Rio Mogi Guaçu, estando a uma altitude de 537 metros. Sua população estimada, conforme dados do IBGE de 2022, era de 52 649 habitantes. É considerada "A Capital Nacional da Cerâmica Artística e da Decoração".
A origem de Porto Ferreira aponta para o início dos anos de 1860. Nas margens do rio Moji-Guaçu, inicialmente pelas proximidades do Ribeirão dos Patos e, em seguida, transferida para próximo da foz do Rio Corrente, exerceu atividade, a Balsa que efetuava a travessia de passageiros e mercadorias. O responsável por este porto fluvial, foi o Balseiro João Inácio Ferreira, o qual, emprestou seu nome à cidade que futuramente se formou Porto Ferreira.
No dia 6 de julho de 1877, faleceu, aos 62 anos de idade, o Balseiro João Inácio Ferreira.
Todo o Vale do Mogi foi habitado pelos índios "Painguás" ou "Paiaguás", da grande família Tupi-Guarani, que tinham algumas aldeias em terras onde veio a se constituir o município de Porto Ferreira.
Em 1870, o mineiro Vicente José de Araújo, acompanhado da família, comprou terras nas margens do córrego do Amaros, instalando uma serraria movida pela força daquelas águas, razão pela qual, o córrego, mais tarde, passou a ser denominado Serra D'Àgua.
A origem de Porto Ferreira, encontra assim, duas teorias básicas divididas entre seus historiadores: a que aponta um nascimento espontâneo pela ação de fatores que acabaram gerando a necessidade de criar um lugarejo neste local, dentre os quais, a atividade do próprio Balseiro João Ferreira; e a outra corrente, que outorga a Vicente José de Araújo, o mérito pelo surgimento do município.
Em qualquer uma delas, é certo que a Balsa foi a semente de Porto Ferreira, cidade que germinou, no entanto, com a chegada da estrada de ferro, oficialmente inaugurada em 15 de Janeiro de 1880, pela Companhia Paulista de Vias Férreas e Fluviais, com o firme propósito de atravessar o Mogi Guaçu e atingir a rica e florescente região de Ribeirão Preto, onde abocanharia rendoso frete pelo transporte de sua produção cafeeira. Este propósito, no entanto, por força de circunstâncias da época, a Companhia Paulista resolveu atingir através da atividade da navegação fluvial no Mogi Guaçu, até sua confluência com o Rio Pardo, o que fez de Porto Ferreira, um importante entreposto hidro-ferroviário, grande responsável pelo povoamento e consequente florescimento do município.
Segundo Arnoni (2020), primeiramente, é preciso qualificar a sociedade ferreirense existente nos primórdios da ferrovia, da navegação fluvial e da Paróquia de São Sebastião de Porto Ferreira. Assim, apresenta-se parte de uma documentação, de 1937:
“Os moradores desta cidade eram unicamente brasileiros, nos princípios desta povoação, quando um fato sensacional veio modificar completamente, e dum modo impulsivo, todos os costumes, usos e mais coisas próprias daqueles conterrâneos históricos.
A Companhia acabava de inaugurar oficialmente, no ano de 1885, a navegação fluvial que estabelecia o comercio chegado desde o Porto Ferreira até Pontal. É desde então, notável a afluência de centenas de famílias de trabalhadores, lancheiros, pilotos, todos portugueses.
Ora, é bem claro que, os costumes e os usos dos portugueses logo se chocassem com os dos brasileiros aqui residentes. Os nossos habitantes sempre acostumados com a sua vida calma e lenta, viviam em suas casas de pau a pique, reunindo-se quase sempre n’alguma casa onde pudessem fazer suas compras, encontrar-se com amigos; aí tratavam de seus negócios, faziam suas tramas de animais, e outras coisas mais, próprias do nosso brasileiro, do rijo caboclo.
Divertimentos, estes aos poucos começaram a aparecer; eram raias muito concorridas, onde as apostas se estrondavam entre os valorosos donos dos
cavalos corredores; eram as rixas, brigas, (censurado), (censurado), que inevitavelmente tinham sua demoníaca aparição nestes divertimentos. Enfim, quando isso não acontecia, lá estavam os nossos habitantes encurralados nas pequenas adegas e casas de jogatina, onde não raro também saiam eles, uns (censurado) pecuniariamente, outros (censurado), outros, ainda tramboleavam aqui e acolá estonteados pelas cacetadas.
Por pouco tempo foi a nossa primitiva povoação constituída apenas de brasileiros, pois logo, cresceria a sociedade ferreirense, dilatando-se por todos os recantos com as constantes chegadas de portugueses, homens de compleição robusta, homens fortes, aptos para os trabalhos pesados, isto falando sem desprestigiar o nosso brasileiro. [...] Os maus costumes, a corrupção predominavam nos portugueses, que uma vez despreocupados na sua terra, para aqui afluiam com seus modos abrutalhados, com graves características de valentões, entendendo desde logo que os moradores de nossa terra, por eles seriam humilhados e subordinados. [...] Ao chegar as suas viagens vinham em massa para a cidade, e aí, com barris de vinho postos no meio da rua, bebiam embebedavam-se, e, pobre do caboclo, do moço e de qualquer pessoa que por ali passassem. Faziam a todos beber; no caso de resistência da vitima, todos aqueles homens corpulentos se precipitavam sobre o pobre diabo, praticando toda sorte de crueldades, donde quase sempre o resultado era a morte do coitado.
Após estas (censurado) que muito honravam Baco, saía o bando desenfreadamente pela cidade. Agora, não só as pessoas eram atacadas, mas até mesmo as casas encontradas abertas; penetravam nelas, atacavam quem lá estivesse, e, pode-se diser o fruto de todas estas cenas, eram sempre, incontestavelmente, mortes. Eram comuns (censurado). Muitos corpos de policia aqui chegavam para acalmar os ânimos, mas quase sempre, ou já era já de costume levar o troféu da derrota”.
Este relato, baseado em pesquisas orais e fontes documentais não citadas na publicação, expõe aspectos sociais que não se encontram presentes nas fontes oficiais. Demonstram uma sociedade extremamente violenta, na qual as leis não eram respeitadas em detrimento dos crimes de diversas ordens, constantemente praticados.
Entre as principais razões que levaram os moradores do bairro de Porto Ferreira a solicitar a mudança do termo de Belém do Descalvado para o de Pirassununga, além das razões econômicas, estavam as ocorrências de:
“[...] factos que reclamariam a intervenção imediata das autoridades policiais do Porto Ferreira, por que são praticados a sua própria vista, mas que entretanto permanecem sem providencias por se darem fora das divisas do termo de Belém, onde a autoridade não tem jurisdição”.