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Portimão

Município de Portugal

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Portimão é uma cidade portuguesa no distrito de Faro, região e sub-região do Algarve, com 44.426 habitantes (2021). O centro da cidade está situado a cerca de 2 km do mar e é um centro importante de pesca e turismo.

É sede do município homónimo com 182,06 km² de área e 60 278 habitantes (censo de 2021), subdividido em 3 freguesias; a freguesia que inclui a cidade tem cerca de 50 000 habitantes, sendo, por conseguinte, a cidade mais populosa do Algarve. O município está limitado a norte pelo de Monchique, a leste pelos de Silves e Lagoa, e a oeste pelo de Lagos; a sul, tem um sector litoral ao longo do oceano Atlântico.

O território do concelho de Portimão foi habitado desde a pré-história, como pode ser constatado pela presença dos Monumentos Megalíticos de Alcalar e pela descoberta de uma caverna na área da Companheira, onde foram encontrados indícios do Homem de Neandertal. Valdemar Coutinho apresenta a comunidade pré-histórica de Alcalar como um exemplo da fixação dos povos na região do Algarve, devido à proximidade do oceano, que fornecia recursos alimentares, nomeadamente através da recolha de moluscos, e às condições climatéricas favoráveis. Luís de Mascarenhas refere, num artigo publicado no jornal O Algarve em 1916, que em vários locais a Norte da cidade de Portimão foram encontradas várias peças conhecidas popularmente como pedras de raio, que interpretou como sendo fragmentos de machados utilizados durante a pré-história como ferramentas e armas.

Posteriormente, iniciou-se uma nova fase no desenvolvimento da região, devido à chegada dos mercadores vindo do Mar Mediterrâneo, tendo os primeiros sido provavelmente os fenícios, seguidos pelos gregos, que procuravam os abundantes recursos minerais, agrícolas e piscatórios. Segundo Luís de Mascarenhas, os autores da antiguidade referiram-se a esta região como a Turdetânia, e aos habitantes nativos como os cónios. A foz do Rio Arade teria sido muito procurada pelos mareantes devido às suas boas condições como porto de abrigo, como se pode constatar pela grande quantidade de vestígios arqueológicos encontrados naquela área. Desta forma, a área de Portimão esteve integrada nas redes comerciais e culturais ao longo do Oceano Atlântico, o Norte de África e o Mar Mediterrâneo. Luís de Mascarenhas especulou que as ligações comerciais com o Mediterrâneo terão provocado grandes alterações a nível da ocupação do território, com a transferência dos povoados para as margens dos rios e a faixa marítima.

Segundo Eduardo Monteverde, os escritores romanos mencionam que o comandante militar cartaginês Amílcar Barca teria fundado uma povoação nesta área por volta de 551 a.C., com o nome de Barcinia, embora outros autores afirmem que teria sido apenas responsável pela sua reedificação e ampliação, e que teria mudado o nome para Portus Annibalis, igualmente conhecido como Portus Hannibalis. Esta teoria foi suportada por Luís de Mascarenhas, referindo que vários autores latinos mencionam o nome da povoação portuária como sendo Portus Annibalis. Mascarenhas ofereceu a explicação que este teria sido o local onde o comandante cartaginês Aníbal desembarcou as suas forças, para iniciar uma campanha militar contra os romanos.

A cidade de Portus Annibalis foi citada por vários autores da antiguidade, como Ptolemeu, Pompónio Mela e Estrabão, que ao referirem-se aos principais centros urbanos na região, a colocam após Lacobriga, seguindo de ocidente para oriente a partir do promontório sacro. Vários autores apresentaram conclusões diferentes para a localização da cidade, incluindo Portimão, Estômbar ou em Alvor. Com efeito, Alvor também foi um centro urbano de certa importância durante este período, tendo sido um castro, e por volta do século VII a.C. ter-se-á afirmado como um centro de comércio, igualmente com ligações aos portos do Mediterrâneo oriental. Uma outra teoria apontava uma localização completamente diferente para Portus Annibalis, não no Algarve mas já na costa alentejana, em Vila Nova de Milfontes. Num artigo publicado na revista Alma Nova em 1918, o padre José Joaquim Nunes afirmou que era reduzida a probabilidade que o topónimo de Portus Hannibalis tenha evoluído para Portimão: «Apesar de possuirem as mesmas silabas iniciais, é duvidoso que os actuais nomes Lagos e Portimão sejam os modernos representantes dos antigos Laccobriga e Portus Hannibalis, que provavelmente morreram sem descendência».

Durante o domínio romano, a cidade terá provavelmente continuado a usar o nome de Portus Annibalis. Foram encontrados vários núcleos de vestígios deste período no concelho de Portimão, sendo um dos principais a villa da Abicada, embora Valdemar Coutinho tenha avançado a hipótese que esta última estaria mais intimamente ligada à comunidade romana de Lagos, devido à sua posição na Ria de Alvor, junto à baía. Foram igualmente encontrados vários tanques de salga na área ribeirinha de Portimão, e o arqueólogo Estácio da Veiga fez importantes descobertas na área da Ponta do Rochedo, entre o convento franciscano e o Forte de Santa Catarina, junto à foz do Rio Arade, que incluíram mosaicos, fragmentos de cerâmica, as ruínas de um balneário, e um outro complexo de salga de peixe. De acordo com estes vestígios, o local terá sido ocupado por uma residência abastada durante a era romana. Nas imediações foram encontradas várias sepulturas e elementos comuns dos ritos funerários romanos, provas evidentes da existência de uma necrópole.

Eventualmente, a cidade romana terá sido destruída, talvez devido à erosão marítima e à ocorrência de vários sismos. Segundo Luís de Mascarenhas, apesar disto o porto de Portimão terá continuado a ter alguma importância devido às suas ligações com o Mediterrâneo, mesmo após a conquista visigótica da Península Ibérica.

Período islâmico e reconquista

O território foi conquistado pelos muçulmanos em 716. A sua presença foi menos significativa do que a dos romanos, podendo o povoado de Portimão ser apenas uma pequena comunidade de pescadores, funcionando principalmente como um porto para a cidade de Silves, que então era uma das mais importantes na região. Ainda assim, foram encontrados dois importantes núcleos de vestígios no concelho, um na Alcaria de Arge e outro em Castelo Belinho. Outro possível monumento desta época é o Morábito de São Pedro, que terá resultado da conversão de um edifício de culto islâmico. Ainda assim, Alvor continuou a ser um importante centro do ponto de vista económico e político. O Castelo de Alvor foi tomado pelas forças cristãs em 1189, como parte de uma campanha militar dirigida principalmente ao Castelo de Silves, mas o território voltou a ser controlado pelos mouros apenas dois anos depois, só tendo definitivamente reconquistado em 1240, durante o reinado de D. Afonso III (1238–1253).

Segundo um documento dos finais do século XII, alegadamente escrito por um dos cruzados que participaram na campanha de 1189, um dos castelos tomados pelos cristãos foi o de Porcimunt, que alguns autores identificaram como sendo Portimão, embora Ataíde Oliveira tenha em vez disso avançado a hipótese que teria sido Porches, uma vez que «naqueles tempos não havia em Portimão castelo algum, nem o terreno sobre que assentou esta vila tinha condições de combatividade, pois é sabido que as lutas belicosas daqueles tempos [...] se decidiam pela força do braço, e e por isso escolhiam-se os pontos elevados e íngremes, de dificil acesso, para o levantamento dos castelos, afim de auxiliar a defeza e prevenir surprezas. Naquele tempo sómente se falava nos castelos de Alvôr, de Estombar e no de Porches. Eram estes os tres castelos mais proximos e dependentes do de Silves».

Segundo uma tradição popular, durante o reinado de D. João I (1385-1433) ou de D. Duarte I (1433-1438) um indivíduo fixou-se na área da foz do Arade como pescador de atum, tendo dado o nome de Portimão à aldeia em que residia.

O povoado de Portimão conheceu um forte crescimento durante a segunda metade do século XV, o que se deveu principalmente às suas condições geográficas favoráveis, por se situar junto ao oceano e ao Rio Arade, que era um importante eixo de transporte fluvial. Uma carta régia de 4 de Agosto de 1463, emitida por D. Afonso V, autorizou um grupo de quarenta moradores a fundarem um povoado na área da Barrosa, que por esse motivo passou a ficar conhecido como Sâo Lourenço da Barrosa. Eduardo Monteverde assevera que não restaram quaisquer indícios físicos de São Lourenço da Barrosa, embora algumas fontes afirmem que as ruínas que ficaram à vista após o maremoto que se seguiu ao Sismo de 1755 poderiam ter feito parte daquela povoação. D. Afonso V também ordenou a construção das muralhas, numa carta de 26 de Outubro de 1478, no sentido de defender «o luguar de Villa Noua de Portimão», que então era frequentemente atacado pelos inimigos do reino. Na mesma comunicação, concedeu à povoação o estatuto de couto de homiziados, com privilégios semelhantes aos de Marvão. A edificação das muralhas, em conjunto com a Igreja Matriz, podem ser considerados como testemunhos do elevado desenvolvimento que a povoação atingiu nessa época.

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